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O País será consultado sobre a dívida externa
No início de setembro, em plena Semana da Pátria, será realizado o Plebiscito Nacional da Dívida Externa brasileira, após meses de organização dos movimentos sociais em nível nacional. A consulta será realizada de 2 a 7/9/2000.
O plebiscito tem como objetivo conhecer a opinião dos cidadãos brasileiros adultos sobre a situação das dívidas externa e interna do Brasil.
Outro objetivo da campanha é mostrar para o trabalhador qual é o papel da dívida externa na situação de desemprego, na destruição do parque industrial, na política agrária e na miséria geral em que o povo brasileiro se encontra e se afunda. E a intensidade com que a política neoliberal do atual governo gera a violência urbana, a destruição do sistema educacional, do sistema de saúde, e das conquistas sociais dos trabalhadores, frutos de lutas de muitas gerações.
Em 1994, ano em que FHC foi eleito para o primeiro mandato, a dívida estava em 148 bilhões de dólares. Em 1998, segundo os dados oficiais, tinha saltado para 243 bilhões. Hoje, só de juros da dívida e amortização do valor principal, saíram para o exterior, nesse mesmo período da era FHC, 126 bilhões de dólares.
Essa campanha está sendo promovida e realizada pelas pastorais sociais da CNBB, Confederação dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), Cáritas, Central dos Movimentos Populares (CMP), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Rede Brasil, União Nacional dos Estudantes (UNE), entre tantas outras entidades nacionais e locais.

Não se paga o que não se deve
O Plebiscito Nacional da Dívida Externa é resultado de eventos anteriores. Em 1998, em Brasília, foi realizado o Simpósio sobre a Dívida Externa. Nesse simpósio, decidiu-se realizar o Tribunal da Dívida Externa, e a dívida brasileira foi julgada no Teatro João Caetano, Rio de Janeiro, em 1999.
Os organizadores desse plebiscito vão propor ao Congresso Nacional que se convoque oficialmente um plebiscito sobre as dívidas externa e interna. Embora esse plebiscito de setembro não seja oficial, ele é legal e legítimo, pois está sendo realizado pela sociedade civil organizada.
Todos sabemos que o governo não tem interesse em questionar e muito menos mexer na dívida, pois mexeria também com o capital internacional que é quem controla a economia brasileira. Se o governo não está interessado no assunto, o trabalhador e toda a sociedade estão. Por isso está se organizando para impedir a continuidade da sangria.


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