Apresentação
A presente edição da revista PUCViva reúne artigos de economistas, sociólogos, cientistas políticos e analistas de várias áreas de formação e de diferentes posições no campo da esquerda para fornecer aos leitores elementos para a reflexão e a compreensão da atual crise do capitalismo, a participação de novos atores no cenário mundial, como a China, e os papéis desempenhados pelos países da América Latina, onde, na visão de alguns, estão sendo ensaiados os mais novos e consistentes projetos de resistência ao neoliberalismo e ao imperialismo.
Ao analisar a natureza geral e as especificidades da crise econômica norte-americana, o professor Jason Borba, da PUC-SP, lembra que o acúmulo de operações de derivativos ultrapassa atualmente os 600 trilhões de dólares, mais de dez vezes o PIB mundial. Tais operações fictícias não são transparentes aos mecanismos de controle do sistema financeiro e, por isso mesmo, fornecem elementos de imprevisibilidade nas medidas de combate à crise. Ao destacar que a sincronia global entre economias nacionais tende a seguir a economia líder, o professor admite que é possível esperar - dependendo das medidas adotadas - um processo de recessão de até cinco meses ou até uma depressão de vários anos.
Da mesma forma, a professora Rosa Marques, também da PUC-SP, considera que o risco da crise econômica não foi reduzido, mas ocultado, já que os investidores não tinham idéia do grau de exposição das operações financeiras. Ela lembra que as últimas décadas demonstraram que os diferentes segmentos do capital atuam de forma imbricada e coesa, mantendo alta rentabilidade a despeito do nível elevado de desemprego e do aumento da exploração dos trabalhadores.
Os professores Paulo Rogério Scarano e Álvaro Alves de Moura Jr., do Mackenzie, investigam as razões pelas quais a China não foi diretamente atingida pela crise que afetou as principais economias emergentes da região do Leste e Sudeste Asiático, entre 1997 e 1998. Já o professor Marcos Cordeiro Pires, da Unesp de Marília, aborda o deslocamento do eixo econômico mundial criado no Atlântico, no século 15, para um novo eixo centrado na Bacia do Pacífico.
O sociólogo James Petras, da Universidade de Binghamton (Nova York), elenca detalhadamente os paradoxos do desenvolvimento na América Latina, onde, em vários países, as vitórias eleitorais das esquerdas contribuíram para fortalecer e consolidar o poder da direita. Ao tratar especificamente da "revolução bolivariana", o doutorando em Ciências Sociais da PUC-SP, Marcelo Buzetto, fornece as pistas da formação e da participação militar no processo político da Venezuela, onde o presidente Hugo Chávez costuma defender uma "revolução pacífica, mas não desarmada".
Em estudo profundo e esclarecedor, a professora Regina Gadelha, da PUC-SP, trata da integração na América Latina, as agendas políticas e os desafios colocados para os países, desde as disparidades sociais, os desníveis do desenvolvimento científico e tecnológico, as barreiras geográficas e demográficas, o entendimento sobre os recursos naturais, até a reconfiguração do imperialismo no processo da integração. O professor Erson Martins, também da PUC-SP, analisa a situação do Brasil na conjuntura internacional.
Enfim, esses e outros autores mostram o que está em jogo na economia mundial - especialmente no centro do capitalismo - e nas lutas políticas travadas na Argentina, no Brasil, na Bolívia, em Cuba, no Equador, na Venezuela - países que têm atuado com protagonismo não apenas na América Latina, mas na configuração de uma nova ordem mundial.
Boa leitura!
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