Deslocamento do eixo econômico mundial - A emergência da República Popular da China
Marcos Cordeiro Pires
Historicamente, a incorporação de novos espaços à economia mundial tem levado à decadência dos eixos econômicos tradicionais e ao surgimento de novos pólos econômicos e de poder. Até o século XVI, o mundo do Mediterrâneo era o centro da civilização ocidental. Em torno de suas águas se concentrava o comércio, a cultura e o poderio político e militar. Desde a Antiguidade Clássica, a bacia do Mar Mediterrâneo abrigou as civilizações egípcia, helênica, cartaginesa, romana, árabe e os modernos povos cristãos que dele se valiam para efetuar o comércio com os povos "orientais". Do outro lado do mundo, civilizações como a chinesa, a árabe e a hindu organizavam, cada uma em seu entorno, sistemas econômicos independentes, de proporções maiores que os da Europa.
A hegemonia do Mediterrâneo, no Ocidente, caiu por terra no momento em que as navegações atlânticas permitiram o acesso aos mercados orientais por meio do contorno marítimo do continente africano, sem passar pelos intermediários que se concentravam nos Orientes Próximo e Médio. Esse fato também inaugurou o longo declínio econômico do Oriente, decorrente da integração econômica mundial por meio da força, já que os povos europeus podiam contar com uma potente artilharia acoplada a uma marinha eficiente.
Naquela época, particularmente no que tange ao Ocidente, as antigas rotas de comércio que passavam pelo Mar Mediterrâneo e pelo Oriente Próximo entraram em declínio. Tradicionais cidades comerciais como Gênova, Veneza, Barcelona e Marselha, no Ocidente, e Istambul, Antioquia, Beirute e Damasco, no lado oriental, sofreram com a concorrência do sistema comercial montado a partir de Lisboa, Sevilha, Cádiz, Antuérpia, Amsterdã ou Londres. Mesmo poderosas organizações comerciais, como a Liga Hanseática, perderam espaço para as modernas Companhias das Índias - Orientais ou Ocidentais -, que passaram a dar as cartas no complexo sistema internacional de comércio que então tomava forma.
É importante lembrar que o início da hegemonia européia ocorreu num momento em que o continente era pouco expressivo em termos de desenvolvimento material e econômico. Conforme estudo do historiador britânico Angus Maddison, a Europa representava, em 1500, apenas 17% do PIB mundial, enquanto a China, da dinastia Ming, representava 24%[1], e a Índia outros 24% . Nesse sentido, cabe perguntar o que explicou essa virada na economia mundial.
Um fator importante para isso foi o domínio de técnicas náuticas, que colocou os europeus na frente do progresso técnico e possibilitou as navegações de alto-mar. Mas, ainda assim, o problema continuava, pois as técnicas apropriadas pelos europeus que viabilizaram as navegações oceânicas eram, em grande parte, técnicas orientais. Creio que o fator que permitiu a utilização prática de conhecimentos técnicos (bússola, astrolábio, caravela) e de conhecimentos científicos (Astronomia e Cartografia) foi a lógica da acumulação privada de riquezas. A isso, Fernand Braudel traz um enfoque adicional:
"China e Islã são, nessa época, sociedades providas, como chamaríamos hoje, com colônias. Ao lado delas, o Ocidente é ainda um ‘proletário'. Mas o importante, é a partir do século XIII a tensão da longa duração que levanta a sua vida material e transforma toda a psicologia do mundo ocidental. O que os historiadores chamaram uma fome do ouro, ou uma fome do mundo, ou uma fome de especiarias, acompanha-se no domínio técnico de uma procura constante de novidades e de aplicações utilitárias, isto é a serviço dos homens, para assegurar ao mesmo tempo a diminuição e a maior eficácia de seu trabalho. A acumulação de descobertas práticas e reveladoras de uma vontade consciente de dominar o mundo, um interesse cada vez maior por tudo o que é fonte de energia, dão à Europa, muito antes de seu êxito, o seu verdadeiro aspecto e a promessa da sua permanência"[2].
Dessa forma, o eixo Atlântico levou à ascensão econômica e política os países ibéricos, a Inglaterra, a Holanda e a França e permitiu o acesso direto às riquezas do Oriente, à captura de africanos para serem escravizados na América, além de incorporar o fluxo de mercadorias produzidas no continente americano. Nem mesmo a construção do Canal de Suez, no século XIX, o caminho mais curto para as "Índias Orientais", fez com que o Mediterrâneo revivesse os tempos áureos. O surgimento da grande potência econômica da América do Norte ofuscou um possível reerguimento do outrora chamado "Mare Nostrum" romano.
Atualmente, o eixo Atlântico de comércio, cultura e poder - assentado sobre a "Aliança Atlântica", cujo expoente mais expressivo é a Otan, mas também ancorado nos fluxos comerciais da União Européia, dos Estados Unidos e da América Latina - está sob a ameaça de um eixo emergente na bacia do Oceano Pacífico, decorrente da predominância assumida pelo comércio entre os países da Apec - Asia-Pacific Economic Cooperation-, particularmente no eixo China e Estados Unidos[3].
A China na economia mundial após a crise dos anos 1970
As transformações econômicas ocorridas desde o começo dos anos 1980 possibilitaram a emergência de novos países industrializados na Ásia, como Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura e Hong Kong, além da incorporação de países da Association of Southeast Asian Nations - Asean - às cadeias produtivas regionais. O motor desse crescimento foi o processo de terceirização[4] e deslocalização[5] produtiva iniciado pelas multinacionais norte-americanas, européias e japonesas para fugir dos custos fixos elevados dos países de alto rendimento per capita. Conseqüentemente, um novo eixo hegemônico começava a tomar corpo.
Essas transformações foram uma resposta à crise dos anos 1970. A contração do mercado mundial e a crise energética forçaram as economias a se adaptarem a um ambiente caracterizado por maior concorrência e menores taxas de lucro. Do ponto de vista das grandes corporações multinacionais, as regras do jogo até então prevalecentes já não serviam mais. A aliança implícita que existia entre estas e os trabalhadores organizados dos países centrais, que ajudava a impedir o avanço do comunismo, tornara-se obsoleta nos anos 1980, quando o bloco socialista apresentava sinais de exaustão. Além disso, por conta dos elevados custos sociais, a lucratividade do sistema como um todo estava comprometida. À época, o economista Milton Friedman chamava atenção para o fato de que o "almoço grátis" dos trabalhadores estava sendo pago com a redução dos lucros empresariais[6]. Desse ponto de vista, os "subornos sociais" que foram necessários para minimizar a luta de classes nos países centrais já não deveriam ser tão generosos.
Do ponto de vista microeconômico, as empresas passaram a adotar estratégias para um mercado cada vez mais restrito e sujeito a fortes flutuações, decorrentes de ciclos de crescimento cada vez mais curtos, verificados após a crise iniciada em 1973: dois ou três anos de crescimento e outros dois ou três anos de contração. Por conta disso, na visão dos economistas liberais, a economia deveria se tornar mais "flexível" para se estabilizar de maneira mais rápida. As garantias sociais que protegiam o trabalhador, por exemplo, deveriam ser liquidadas, pois a grande empresa privada necessitava de uma margem de manobra para enfrentar uma concorrência mais acirrada.
Como decorrência dessa situação, as grandes plantas industriais de padrão "fordista" foram fragmentadas a partir de estratégias de "terceirização". Também o modelo japonês de gestão, baseado no "estoque zero"[7] e na produção "just-in-time"[8] passou a ser adotado nos Estados Unidos e na Europa. O "mercado de massa" foi substituído pelo mercado de "nichos" e de "segmentos". Artigos que demandavam muita matéria-prima foram miniaturizados. O chip de computador passou a figurar como peça-chave em quase todos os dispositivos industrializados. Para reduzir custos com a eletrônica, foram disseminados os computadores pessoais, as placas de fax-modem, a comunicação por cabos de fibra ótica e o satélite de telecomunicações.
A concorrência intermonopolística levou também ao referido processo de deslocalização. As grandes empresas iniciaram um processo de deslocamento de parte de suas atividades industriais para os países periféricos. A principal explicação para esse fenômeno estava na busca por "fatores produtivos" mais baratos, como matéria-prima e trabalho, ou ainda outras vantagens, como menor carga tributária, incentivos fiscais, câmbio desvalorizado etc. Comparativamente ao similar norte-americano, um operário médio na China, na Indonésia, na Malásia ou no México recebe pequena fração do salário daquele, forçando para baixo os custos trabalhistas. A gestão de unidades tão distantes das matrizes foi facilitada pelo barateamento nos preços das telecomunicações. Softwares cada vez mais complexos tornaram as tarefas administrativas padronizadas e o cálculo financeiro adequado para apurar, no tempo real, ganhos e perdas decorrentes de modificações abruptas nas taxas de câmbio dos diferentes países em que operam aquelas corporações.
É em meio desse processo que emerge o rápido crescimento da República Popular da China, fato este decorrente de suas políticas de reforma e modernização, iniciadas em 1978, que souberam aproveitar os ventos da reestruturação produtiva mundial. Em princípio, a produção chinesa repetia os caminhos das economias mais pobres da Ásia no sentido de se organizar para a produção de mercadorias de baixo valor agregado e grande intensidade do fator trabalho.
A estratégia chinesa, no entanto, era mais abrangente, pois tinha por objetivo a constituição de uma moderna economia que pudesse, em médio e longo prazos, recolocar o país entre as potências mundiais. A modernização visava aumentar a produtividade agrícola, dotar o parque industrial de tecnologias de ponta, aprimorar o acervo científico e tecnológico do país e estruturar forças armadas modernas e preparadas.
Para atingir esses objetivos, uma das táticas adotadas foi a atração de empresas multinacionais, com o intuito de buscar investimentos e tecnologia, para formar internamente um poderoso e diversificado parque industrial. Ademais, à medida que o país crescia a taxas médias de 10% ao ano, o seu mercado de consumo se expandia, tornando-o atrativo para novos investimentos locais e estrangeiros. Como conseqüência dessa estratégia, a China se transformou num grande pólo exportador e, simultaneamente, num grande importador, tanto de tecnologia como de matérias-primas e alimentos. Somente entre 1995 e 2006 o volume do comércio exterior chinês cresceu 6 vezes[9], e a participação da China no comércio mundial subiu de 1,4%, em 1986, para 8,0%, em 2006 - e essa tendência continua em ascensão.

A evidências do deslocamento do eixo: a Apec, a China e a economia mundial
Quando se analisa o volume do PIB dos países da Apec na economia mundial, nota-se que sua participação está próxima dos 56%, com um crescimento médio anual, desde 1989 até 2006, da ordem de 4,9%, enquanto o dos demais países do mundo fica em torno de 4,3% ao ano. Em relação ao comércio mundial, a participação daqueles países em 2006 significava aproximadamente 44% do total mundial, apesar de uma diminuição da participação mundial dos Estados Unidos e do Japão. O Gráfico 1, a seguir, descreve a trajetória da participação dos países da Apec no produto mundial, entre 1989 e 2006.

Quando se analisa o volume do PIB dos países da Apec na economia mundial, nota-se que sua participação está próxima dos 56%, com um crescimento médio anual, desde 1989 até 2006, da ordem de 4,9%, enquanto o dos demais países do mundo fica em torno de 4,3% ao ano. Em relação ao comércio mundial, a participação daqueles países em 2006 significava aproximadamente 44% do total mundial, apesar de uma diminuição da participação mundial dos Estados Unidos e do Japão. O Gráfico 1, a seguir, descreve a trajetória da participação dos países da Apec no produto mundial, entre 1989 e 2006.
É interessante notar que o bloco, desde o começo da série, já possuía um PIB maior do que o resto do mundo. De fato, a presença dos Estados Unidos em qualquer estatística sempre tende a distorcer as informações. Porém ao longo desse período podemos verificar uma diminuição do PIB em termos de dólares correntes e um aumento em termos de paridade de poder de compra (em inglês, Purchase Parity Power - PPP).
Isso se deve principalmente ao aumento da renda da China, que durante esse período teve seu PIB quadruplicado. O indicador é importante para se apurar o real poder de compra dos indivíduos de um determinado país, pois o poder de compra de US$ 1,00 varia bastante de país para país. Com esse valor, por exemplo, não se compra uma lata de refrigerante nos Estados Unidos, mas podem-se adquirir quatro latas na China. O PIB da China, em dólares correntes, se situava, em 2007, próximo a US$ 3.200 bilhões, enquanto em PPP o valor chega próximo dos US$ 7.000 bilhões. De forma similar, a Indonésia, com um PIB de US$ 430 bilhões em dólares correntes e US$ 840 bilhões em PPP.
A tendência à predominância dos países da Apec também pode ser vista no Gráfico 2, que trata da evolução do PIB. Não só a renda per capita da região é maior do que a do resto do mundo, como também sua tendência é aumentar a distância em relação a outras regiões
O Gráfico 3 e a Tabela 1 tratam da participação dos países da Apec no volume mundial de comércio. Antes de tudo, cabe um esclarecimento: os dados do comércio intra-Apec, no Gráfico 3, estão subestimados porque dizem respeito apenas ao comércio de bens, enquanto nos dados da participação no comércio mundial estão incluídos os serviços.
Quando se observa a Tabela 1, em que estão excluídos os dados do comércio interno pertinentes aos 25 países da União Européia, nota-se uma grande predominância dos países da costa do Pacífico. Entre os 20 maiores traders estão 13 países da Apec, que perfazem 54,7% do total. Pode-se argumentar que os dados distorcem a realidade, pois existem países que são bi-oceânicos, como os Estados Unidos, o México, o Canadá e a Rússia, e que poderiam estar negociando mais fora do que dentro da Apec.
Tal argumento é perfeitamente válido para a Rússia, já que a maior parte de seu comércio se dá com a União Européia (50,3%). Também poderíamos relativizar os dados dos países do Acordo de Livre Comércio da América do Norte - Nafta -, já que Canadá e México representam cada um, em média, 15% do intercâmbio dos Estados Unidos - enquanto este país representa 68% do comércio exterior mexicano e 68,2% do canadense. De resto, nota-se a predominância de um forte eixo econômico na Ásia e na Oceania, evidenciando o deslocamento para o qual chamamos a atenção.
Ainda sobre o comércio, o Gráfico 4 trata da participação dos países selecionados nos fluxos internacionais nos anos de 1986, 1996 e 2006. Enquanto a participação dos Estados Unidos, do Japão e dos maiores exportadores da Europa caiu de 50,5%, em 1986, para 38,2%, em 2006, o que significa uma queda de 25% em 20 anos, a presença da China passou de 1,4% para 8%, entre 1986 e 2006, um salto de 470%! Se analisarmos os dados da Europa de maneira desagregada, poderemos constatar que as exportações chinesas somente perdem para as dos Estados Unidos (8,6%) e da Alemanha (9,2%), desbancando a França (4,1%), a Holanda (3,8%), o Reino Unido (3,7%) e a Itália (3,4%)[10].


Um último dado, apresentado no Gráfico 5, merece destaque: são as estimativas e estatísticas históricas coletadas por Angus Maddison, acerca da contribuição ao PIB mundial da China, da Europa Ocidental e dos Estados Unidos. Entre 1700 e 1952, nota-se uma forte queda na participação da China no PIB mundial e a ascensão da Europa e dos Estados Unidos. As invasões sofridas pela China, a partir de 1842, quando ocorreu a Guerra do Ópio, até 1949, quando foi criada a República Popular da China, aliadas à desestruturação social delas decorrentes, contribuíram para a decadência do milenar Império do Meio.
Em contrapartida, esse movimento foi refreado com a instalação de um governo popular e de forte conotação nacionalista, como é o caso da liderança do Partido Comunista Chinês. No intervalo de 1978 a 2003, a participação da China se elevou três vezes, enquanto os Estados Unidos e a Europa viram sua participação diminuir. Chama-nos a atenção a tendência apresentada por Maddison, que estima que em 2030 a China retorne à condição de maior economia do planeta, posição em que se encontrava antes da primeira Guerra do Ópio.

Considerações finais
Ao longo deste breve texto buscamos reunir informações para constatar uma mudança estrutural na economia mundial, que é o deslocamento do eixo econômico do Atlântico - cuja criação remonta ao século XV com as Grandes Navegações européias - para um novo eixo centrado na Bacia do Pacífico, decorrente da ascensão econômica dos países da Apec, capitaneada pela República Popular da China. Tal situação faz com que se estanque um longo período de decadência da região da Ásia-Pacífico, decorrente da influência do colonialismo europeu. Ao analisarmos as estatísticas numa perspectiva histórica, estamos diante de uma predominância da Ásia na economia mundial, não apenas pela ascensão chinesa, mas também pela de outras milenares civilizações, como a indiana.
Notas
1 Angus Maddison. Historical Statistics for the World Economy: 1-2003 AD. Disponível em: http://www.ggdc.net/Maddison/Historical_Statistics/horizontal-file_03-2007.xls
2 Fernand Braudel. Civilização material e capitalismo - séculos XV-XVIII. Rio de Janeiro: Livraria Luso-Espanhola e Brasileira, 1970. p. 341.(grifos do autor)
3 A APEC foi criada em 1989, por iniciativa do governo da Austrália, com vistas a promover a cooperação econômica entre os países da bacia do Oceano Pacífico. Num primeiro momento, doze países aderiram à nova organização, destacando-se os Estados Unidos, o Japão, o Canadá, a Austrália, a Indonésia e demais países da Associação das Nações do Sudeste Asiático - Asean. De lá para cá, países latino-americanos como o México, o Peru e o Chile também ingressaram na organização, além da China, da Rússia e do Vietnam.
4 "Terceirização", ou outsourcing, é a estratégia de desmobilizar parte dos trabalhadores de uma grande empresa quando se determina que sua tarefa não é "central" no processo de produção de uma certa mercadoria. Geralmente esses trabalhadores são empregados em pequenas empresas e contratados por salários inferiores e sem as garantias sociais daqueles da "empresa-mãe". Também se refere ao processo de direcionar parte da produção de determinado bem para terceiras empresas.
5 O processo conhecido como "deslocalização" diz respeito à transferência de plantas industriais dos países com maiores custos produtivos para aqueles onde tais custos sejam menores. Esse processo se intensificou nos anos 1980, à medida que as políticas de globalização se intensificaram, particularmente sob os auspícios do ex-GATT e da atual OMC.
6 Milton Friedman. There's no such thing as a free lunch. La Salle (USA-IL). Open Court Pub.Co., 1977.
7 Levando-se em consideração as pequenas dimensões físicas de boa parte das empresas japonesas, estas optaram por não possuir grandes estoques de suprimentos e de produtos acabados; daí a expressão "estoque zero".
8 "Just-in-time" significa literalmente "produzir só na hora em que o mercado demandar". Para tanto, faz-se necessário o estabelecimento de grande sincronia entre as empresas terceirizadas e a empresa-mãe, de forma que, no mesmo momento em que é feito um pedido para uma montadora, por exemplo, as empresas de autopeças produzam a quantidade de componentes necessária para a produção de automóveis. Vale destacar que esse tipo de operação industrial faz parte do chamado "toyotismo", em contraposição ao "fordismo". A esse respeito, ver GOUNET, Thomas. Fordismo e toyotismo na civilização do automóvel. São Paulo: Boitempo, 1999.
9 Ver Unctad. Handbook of Statistics, 2006: disponível em: http://stats.unctad.org/Handbook/TableViewer/tableView.aspx?ReportId=1688
10 É preciso esclarecer que os dados da tabela 1 e do gráfico 4 não são contraditórios. Isso porque, quando do cálculo da participação da União Européia, na primeira tabela, desconsiderou-se o comércio intra-UE, já que as economias daqueles países são fortemente integradas. Mesmo assim, ao se considerar cada estado-membro isoladamente e agregar suas trocas com o exterior, inclusive entre os parceiros da União Européia, pode-se chegar aos dados contidos no gráfico 4.
Marcos Cordeiro Pires Professor da FFC-Unesp/Marília
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