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O professor Erson Martins de Oliveira, presidente da APROPUC no final do mandato da professora Zilda Iokoi, em 1987, dá ênfase a algumas questões polêmicas como o papel da universidade e da Associação nestas duas últimas décadas. Em seu depoimento, o professor Erson destaca a importância da luta política dentro da universidade, em especial a PUC. Não apenas em torno das questões reivindicativas dos professores, mas a luta para que estudantes e professores façam parte do movimento social. Fala também sobre a atuação da APROPUC no movimento de redemocratização da universidade, da sociedade e, de acordo com ele, como foi e como deveria ser o caminho a ser seguido nesse processo político.
Combate firme à ditadura
A APROPUC, diz o professor Erson, se colocou pelas reivindicações democráticas em contraposição ao período militar. "Fazia-se política livremente, defendia-se a liberdade nos centros acadêmicos. Participávamos de atividades contra os crimes da ditadura. Por isso, a PUC foi invadida. Porque estávamos reconstruindo o movimento estudantil. Não foi porque estávamos defendendo a Anistia. E sim porque estávamos reconstruindo o movimento de massa. A Associação conseguiu ligar as reivindicações econômicas às reivindicações democráticas. A luta democrática parou aí. Quando as reivindicações democráticas não servem para questionar o sistema econômico, o sistema político da burguesia, ela acaba servindo ao próprio capitalismo. Então, esse foi o limite. Como ela não se ligou a um movimento social mais amplo, não chegamos a constituir uma direção entre estudantes e professores, sólida, programática que ultrapassasse o limite do sistema econômico de opressão de classe.
Melhoria dos salários
Por que nasceu a Associação? Erson vê assim a questão: "Os fundadores da APROPUC estavam engajados na idéia da democratização da universidade. Então, eles pensaram a Associação mais como um instrumento de colaboração dessa democratização. Eu dizia que ela devia funcionar como um sindicato que defendesse os interesses dos trabalhadores aqui. A crise financeira da universidade acabou com a primeira perspectiva. Então, a Associação teve que funcionar como eu e outros professores também defendiam. Aí, foram as grandes assembléias, paralisações, ocupação da universidade, marchas na rua, protesto de frente da Cúria. A APROPUC cumpriu um papel extraordinário na defesa dos interesses dos professores. A APROPUC fez a campanha pelo ensino público e gratuito. Houve um plebiscito e a proposta do ensino público ganhou. A maioria votou pela estatização da Universidade Católica. Esta foi a fase áurea da Associação porque ela colocou em discussão um problema de primeira grandeza que é a defesa do ensino público e gratuito."
Democratização interna da PUC
O Ciclo Básico cumpriu um papel democrático dentro da universidade, segundo o professor. "Com o Básico os problemas eram discutidos coletivamente, era um funcionamento que contrastava com a burocracia e com os departamentos, chefes de departamento. O fim do Ciclo Básico não foi por uma questão pedagógica. O que estava em questão era o funcionamento democrático da universidade. Quanto aos problemas de ensino, eram os mesmos de qualquer outro. Nós discutíamos a qualidade do ensino mas esbarrávamos no problema da universidade desvinculada das relações sociais, desvinculada da produção social." O professor Erson coloca a questão da relação da Fundação São Paulo com a PUC, expressada nos Estatutos da universidade. "A APROPUC na época (1982) defendeu a bandeira da paridade das eleições. Nesse sentido, ela ajudou a politizar a discussão. E acabou ficando limitada a essa reivindicação. Tanto é, que foi estabelecida a paridade e ninguém soube o que fazer com ela. Fizeram um estatuto, aí chegou a Fundação e falou: aqui não vai funcionar assim, não. Esse é resultado das formalidades democráticas que mais ilude do que propriamente modifica a realidade. Porque hoje tem que se defender a democracia como fator de mudança da sociedade. Essa democracia tem que ser a democracia operária."
A PUC e a APROPUC hoje
"A PUC é parte de um sistema de ensino falido. As escolas expressam esse sistema, cada uma com suas particularidades. A escola tem pouco ou quase nada a ver com a produção social. Então eu vejo a PUC nesse divórcio. Esse é meu primeiro comentário. O segundo, é que ela continua uma escola particular. Ela se adaptou ao modelo de escola empresarial. Quem pode pagar, paga; quem não pode pagar, fora. Faz uma demagogia com algumas bolsas para passar um mel no descontentamento e dar idéia de escola democrática, assistencialista. Mas é uma escola mercantilista como qualquer outra. Se nós não tivéssemos a Associação para fazer uma resistência era provável que houvesse uma política de corte de professor, de funcionários e rebaixamento dos salários. Havia um projeto da ala mais da direita da universidade que era assim. Demitir e elevar as mensalidades. A APROPUC foi uma trincheira de resistência a este projeto. Compara-se a PUC com outras universidades dizendo que ela tem o melhor padrão salarial. Mas parte dos professores tem que trabalhar em dois lugares para completar seu salário ou ter outras fontes de renda que descaracterizam o trabalho de professor. Então, acha-se que saímos de uma situação de atraso salarial para uma estabilidade. É o que mais pesa, mas não creio que seja só isso. As direções e a própria direção da APROPUC é que me parece que não se esforçaram por entender que essa fase de conservadorismo ia ocorrer por um reflexo do corporativismo."
BOXE Professor e militante político
O professor Erson Martins de Oliveira, 47 anos, professor da PUC há mais de 20 anos, milita no movimento docente desde que entrou na universidade. Sua luta é para que o movimento dos professores e dos estudantes façam parte do movimento social. O professor Erson participou da fundação da APROPUC em 76 e do Conselho da entidade. Foi presidente em 1987, complementando o mandato da professora Zilda Iokoi. Juntamente com outros professores, Erson foi um dos que discordaram do fim da APROPUC e lutou para reorganizar o movimento dos professores e fortalecer a entidade.
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