Home >> Revista PUC Viva >> 01, 20 anos de Apropuc, setembro de 1996 >> Greves: As paralisações contribuíram para a PUC ficar melhor

Greves: As paralisações contribuíram para a PUC ficar melhor

APROPUC-SP

Crises financeiras marcaram a história da PUC e provocaram atrasos e arrochos salariais que resultaram em vários movimentos grevistas dos professores.
Fica difícil contar a história da universidade sem lembrar dos movimentos que resultaram em paralisações de até 66 dias. Mas a APROPUC não realizou greves por motivos apenas salariais. Um exemplo é a greve contra a intervenção da Fundação São Paulo na universidade. O professor Celso Fiorillo exemplifica: "Dizer que os motivos das greves foi só a questão salarial é muito simplista. Para a maioria dos professores foi por salários. Mas as pessoas que sempre se importaram e se importam com a PUC também percebiam que a greve tinha que ser exercida para que uma política voltada para o próprio desenvolvimento não deixasse de existir".
Para o professor Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida, todas as greves possibilitavam a discussão sobre a vida da universidade, envolvendo todos os seus segmentos. "As greves evitaram que grupos que dirigiram a universidade tivessem promovido demissões na instituição. Isso tem que ser resgatado porque, muitas vezes, passavam a imagem de que as greves contribuíam para minar a universidade. Foi exatamente o contrário."
A professora Tereza Maria de Azevedo Sério (Téia), ressalta que "em todas greves que obtivemos ganhos salariais, tivemos um saldo organizativo positivo".


Unindo forças para a luta

A revista PUCviva não pretende apresentar um quadro exaustivo das inúmeras greves, mas apenas destacar algumas delas que consideramos marcantes para o movimento dos professores.
A primeira greve conjunta de funcionários e professores aconteceu em 1985. Foram dez dias de paralisação. A greve foi decidida em assembléia por 350 votos a favor e nenhum contra. A reivindicação era de 114% de reajuste, índice do INPC, e a Reitoria, através do vice-reitor administrativo, Alípio Casali, começou propondo 68,3%. No final chegou-se a um índice comum de 83,5%.
Esse momento foi crucial para a associação dos professores, na opinião da professora Zilda "esta greve significou o renascimento da APROPUC em bases novas." Um detalhe curioso: o professor Luiz Eduardo Wanderley, segundo reitor eleito pelo voto direto, tomou posse em plena greve.
Em abril de 1986 vigorava o arrocho da "Nova República", existia um rebaixamento salarial de 27%. Os professores e funcionários paralisaram as atividades por 1 dia e continuaram o movimento em assembléia permanente.
O reitor informou que os bispos que representam as universidades católicas decidiram-se encontrar, em maio, com o presidente da República para cobrar uma posição do governo sobre os 30% de verbas que o MEC enviaria às católicas. Na opinião do reitor, caso o governo se recusasse, várias entidades correriam o risco de entrar em colapso, inclusive a PUC-SP. O impasse continuou.
José Rocha Cunha, presidente da AFAPUC comentou: "Saímos com a nítida impressão de que a Reitoria foi cínica. Pois entendemos que o problema não é financeiro e sim político. A Reitoria não quer furar o pacote do governo porque ela precisa de suas verbas." E o vice-reitor administrativo, Alípio Casali, respondeu que "não elevamos o índice acima do oficial porque não temos recursos."

Além dos salários atrasados

A greve do primeiro semestre de 1989 tinha como principal reivindicação a reposição salarial de 62,13%. Estava em vigor o Plano Verão do governo Sarney e o movimento era contra o arrocho salarial. A APROPUC exigia a readmissão de um colega demitido sob alegação de falta de aulas. Na pauta de reivindicações estava a licença-maternidade de 120 dias, as 20 horas de pesquisa e o depósito integral do FGTS.
Neste mesmo ano, em outubro, a AFAPUC e APROPUC iniciaram a campanha salarial, assim que tomaram conhecimento do aumento real de salários concedido às chefias acadêmicas através do reajuste das verbas de representação, que foi de 300%, além da inflação oficial.
Depois de oito dias de greve, em 20 de outubro, todos retornam ao trabalho. Neste mesmo dia foi elaborada uma contraproposta conjunta pelas duas associações e apresentada à Reitoria em reunião aberta para negociação. O movimento grevista exigia que não houvesse punição aos grevistas e que recebessem também os dias parados. A Reitoria acatou a proposta de gratificação apenas para o mês de outubro.
Antes, em 1979, o professor Laurindo Lalo Leal Filho já destacava a importância das campanhas, "A greve representa um saldo positivo em termos de categoria profissional", e continua, "nossos professores perceberam que também fazem parte da universidade e que têm condições de conhecê-la a fundo, não medindo esforços para isso", e previa naquela época que "o professor poderá desenvolver daqui para frente um trabalho muito positivo para a PUC".

  Voltar PDF  Versão em PDF E-mail  Encaminhar Imprimir  Imprimir

Publicações

» Revista PUC Viva
loguinho_pucviva_novo
revista_puc_critica_logo
puc_viva_logor
twitter
facebook
youtube
vimeo

tv_apropuc3


Enquete

O que você acha da implementação do ensino à distância na PUC SP?