A construção da subjetividade
Edna Kahhale
A construção da subjetividadeproduto do trabalho desenvolvido pelo grupo PET/Psicologia da PUC-SP. O Programa Especial de Treinamento (PET) é um programa da Capes destinado a alunos da graduação. Foi implantado na PUC em agosto/95, nos cursos de Psicologia, Letras e Ciências Sociais, com quatro bolsistas em cada grupo. A previsão era a inclusão, a cada ano, de quatro novos bolsistas até completar um total de doze, quando o grupo estaria completo (segundo norma da Capes), o que ocorreu em agosto/97. O aluno pode ingressar a partir do segundo ou quarto semestre do curso e permanecer até a conclusão da graduação.
O PET objetiva uma visão multidisciplinar e multiteórica. Deve cumprir uma função multiplicadora, para que os alunos bolsistas e o professor-tutor divulguem e formem outros colegas/alunos para uma atividade científica metódica. Visa incrementar o intercâmbio entre a graduação e os programas de Pós-Graduação em Psicologia.
Os objetivos gerais do PET/Psicologia são: aprofundar a formação do aluno na pesquisa em Psicologia; aprofundar a formação do aluno no sentido de aliar assistência e pesquisa no trabalho do psicólogo; fazer integração com PETs de outras instituições de ensino de Psicologia. Estes objetivos concretizam-se nos seguintes objetivos específicos: aprofundar as habilidades de estudo metódico, reflexivo e sistemático; desenvolver e aperfeiçoar da análise de textos teóricos: teorias psicológicas, questões epistemológicas e de metodologia; desenvolver e aperfeiçoar a análise de textos de pesquisa quantitativa e qualitativa; desenvolver as habilidades de comunicação e divulgação de trabalho científico; desenvolver e aperfeiçoar a redação de textos reflexivos, metodológicos e de divulgação científica (resumo para congresso, artigo para publicação.); desenvolver e aperfeiçoar a linguagem escrita e oral do idioma inglês e/ou francês; elaboração e execução de projeto de pesquisa; participar de reuniões científicas e de reuniões com outros grupos de PET de outras instituições; divulgar o trabalho desenvolvido.
O desenvolvimento dos trabalhos do grupo está organizado em duas linhas: a discussão de um tema nuclear em Psicologia e o desenvolvimento de habilidades técnico-científicas. É justamente o tema nuclear da área, que norteia as atividades e discussões do PET, o objeto deste artigo: a construção da subjetividade. Este tema foi escolhido pelo seu caráter aglutinador dos debates teóricos, pois se refere ao próprio objeto da Psicologia. A Psicologia só se constitui como ciência, independente da Filosofia, a partir do século XIX, "desde seu nascimento oficial como ciência independente, vive, ao lado de outras ciências humanas, uma crise permanente. Esta crise se caracteriza pela extraordinária diversidade de posturas metodológicas e teóricas". (Figueiredo, 1993, pág. 11).
Concentrar os trabalhos neste tema permite abranger a diversidade da Psicologia, propiciando trabalhos teóricos e metodológicos, que poderão reverter-se em uma diversidade de pesquisas e/ou intervenções. Além disso, este tema tem norteado todo o curso de graduação e de pós-graduação em Psicologia da PUC-SP. Na graduação, centraliza as disciplinas que dão as bases epistemológicas e históricas da Psicologia assim como as principais teorias que fundamentam tanto o trabalho teórico como a prática profissional. Na Pós-Graduação, além de se constituir em Núcleo de Pesquisa na área de Psicologia Clínica, tem sido tratado nos diferentes núcleos de pesquisa e cursos oferecidos nos diversos programas pós-graduados. Este tema permite uma discussão envolvendo as diferentes vertentes teóricas: Psicanálise, Psicologia Analítica, Psicologia Existencial e Fenomenológica, Behaviorismo, Psicologia Genética, Psicologias Humanistas, Psicodrama, Psicologia Sócio-Histórica.
Como cada uma destas linhas trabalha a subjetividade; quais seus desmembramentos epistemológicos e metodológicos; suas possibilidades e limites de atuação e pesquisa nos campos da Psicologia e da existência humana; como se apresenta nas diferentes etapas/fases de desenvolvimento humano; em que pontos e aspectos as linhas teóricas convergem e/ou divergem a respeito da construção da subjetividade. Além destes aspectos teóricos e metodológicos, este tema permite trabalhar e refletir sobre questões teóricas, tecnológicas e práticas de assistência e atuação do psicólogo em diferentes locais, por exemplo: como a criança de creche ou de rua está desenvolvendo sua subjetividade? Como as gestantes atendidas em postos de saúde estão vivendo sua subjetividade? Como ela se processa nos Hospitais-dia e nos Hospitais Psiquiátricos? Como ela é vivida nas Casas Abrigo ou nos Centros de Convivência? Como ela se processa em diferentes tipos de família? Como ela se processa nos diferente tipos de processos terapêuticos?
Para abranger a diversidade e possibilidades que este tema permite, os trabalhos do programa foram organizados em três subtemas:
1. Concepção de mundo, de homem e da relação sujeito x objeto: este subtema objetiva uma análise das diferentes linhas teóricas que hoje embasam o currículo da graduação: Psicanálise, Psicologia Analítica, Teoria Psicodramática, Psicologia Comportamental, Psicologia Fenomenológica, Psicologia Sócio-Histórica, Psicologias Humanistas e Psicologia Genética.
2. Desmembramentos epistemológicos e metodológicos: objetiva uma análise e reflexão sobre como as diferentes linhas teóricas da Psicologia, citadas acima, definem o que é ciência e produção de conhecimento; quais os critérios de verdade e de ética no conhecimento; possibilidades e limites da teoria; quais os critérios metodológicos; quais os tipos de pesquisa possíveis; qual tipo de explicação ou descrição do real a que se propõe.
3. Desmembramentos teóricos e de atuação: visa organizar as discussões, reflexões e atuações referentes às linhas teóricas e suas práticas profissionais decorrentes.
Este artigo refere-se ao resultado do trabalho desenvolvido durante a discussão do primeiro subtema: Concepção de mundo, de homem e da relação sujeito x objeto das seguintes linhas teóricas da Psicologia: Psicanálise, Psicologia Analítica, Teoria Psicodramática, Psicologia Comportamental, Psicologia Fenomenológica, Psicologia Sócio-Histórica, Psicologias Humanistas e Psicologia Genética. Esta discussão teve como parâmetro de análise o caráter histórico de toda produção do conhecimento. "Partimos das categorias trabalho e relações sociais para situar o homem na sua historicidade, entendendo que através da transformação da natureza, em sociedade, para a produção de sua existência, o homem constitui-se, historicamente, enquanto tal. Em sua constituição histórica, produz bens materiais e espirituais, ou seja, produz objetos e idéias.
O conjunto de idéias produzidas pelo homem inclui crenças, valores e conhecimentos de toda ordem. As idéias e conhecimentos produzidos em um determinado momento histórico refletem a realidade desse momento histórico. Essas idéias, por sua vez, orientam a ação dos homens e, nesse sentido, modificam e desenvolvem a ação, processo no qual também são modificadas. Trata-se de um processo contínuo de relação, que ocorre de forma dialética, expressando a unidade contraditória entre real e racional, numa perspectiva materialista. Isto significa entender que, embora as idéias tenham seu próprio movimento, que deve ser descrito e analisado a partir da comparação de diferentes autores, conceitos, representações, na sua contraposição e desenvolvimento, tal movimento deve, por outro lado, ser sempre situado na sua relação com o movimento da base material e, em última instância, como representação dela." (Gonçalves, 1998, pág. 2).
Em função do parâmetro de análise assumido e dos objetivos do PET/Psicologia desenvolveu-se uma análise das condições sócio-históricas de cada linha teórica estudada para contextualizar a concepção de mundo, de homem e da relação sujeito x objeto assumida e/ou implicada na proposta teórica. O trabalho de leitura, reflexão e discussão de cada linha teórica foi desenvolvido nestes sete semestres de existência do grupo PET/Psicologia. A cada semestre um bolsista era responsável pela sistematização de uma linha teórica, em rodízio, de maneira a evitar uma especialização precoce e propiciar a vivência do caráter histórico e cumulativo do conhecimento, pois o texto produzido ao final do semestre incorporava o(s) anterior(ores).
Para cada linha teórica foi elaborado um texto específico, que está em fase de revisão final para publicação. Apresentamos aqui um resumo de cada um:
A Teoria Psicanalítica Freudiana e sua concepção de homem
Nosso trabalho tem como princípio estudar a concepção psicanalítica de Freud através das lentes da história, ou seja, levando em consideração o contexto sócio-cultural no qual Freud viveu e a partir daí pensar na concepção de homem e sua subjetividade contida nesta teoria.
Entre os fatores que influenciaram a obra de Freud e dentro de seu contexto histórico-social, incluem-se a Biologia, o Positivismo, a própria Psicologia e a Psiquiatria. O século XIX, período vivido por ele, foi caracterizado por grandes avanços nas ciências naturais, e Freud seguiu a tradição determinista e mecanicista desta época. A teoria de Freud se desenvolveu muito após contatos com médicos, como Josef Breuer e Charcot. A partir desses contatos, ele formulou a noção de recalque e firmou seu método de associação livre, influenciado pela Psicologia da Associação, desenvolvida por Berkeley, Hume e outros filósofos anteriormente.
Este texto está dividido em quatro partes. No início fala-se da primeira e da segunda formulação teórica do aparelho psíquico. Na segunda parte fala-se do método da psicanálise e, em parte, como foi construído. Na terceira parte apresenta-se a sexualidade para Freud e o elo com a teoria do desenvolvimento da personalidade no homem. Na quarta parte, após esta síntese da teoria psicanalítica, procuraremos identificar a concepção de homem presente na mesma: a subjetividade na psicanálise freudiana.
Podemos dizer que este texto expõe uma terapia psicanalítica formulada por Freud, que está baseada em teorias sobre o inconsciente e sua interpretação, e uma teoria geral sobre o desenvolvimento e o funcionamento da personalidade humana.
Psicologia Analítica - contexto histórico e conceitos básicos
Este trabalho pretende acrescentar àqueles que já tiveram contato com a Psicologia Analítica, um pouco mais da história sobre os momentos precedentes e início do desenvolvimento desta teoria. Nesse sentido, analisa-se Fetchner e Wundt que influenciaram os trabalhos iniciais de Jung. É descrito o processo pelo qual ele passa a entender o homem não apenas em relação a si próprio, mas também num contexto histórico dinâmico; dados de sua vida e alguns conceitos básicos da Psicologia Analítica.
Utilizou-se de três livros traduzidos do original, anotações de aula e textos de professores da área. A compreensão e as dúvidas relacionadas a este material foram trazidas para discussão com outros integrantes do projeto, bem como professores da graduação. Esse processo vem sendo desenvolvido, possibilitando produzir um texto sobre o entendimento desta linha teórica.
O resultado imediato tem sido a ampliação do contato inicial e superficial com a Psicologia Analítica por meio de um estudo mais profundo e sistematizado, incitando a vontade de pesquisar mais informações sobre as obras de Jung. Ele foi cuidadoso ao expor suas análises diante do público, sua produção científica é abundante e não são poucos os autores que escreveram sobre suas idéias. As noções de arquétipo, símbolo e unidade são uma tentativa de romper com a visão cartesiana, transcendendo os dualismos: mente x corpo, espírito x matéria, sujeito x objeto, interno x externo. Sua visão se aproxima da Física Quântica, sendo mais einsteniana do que newtoniana.
Behaviorismo: origens e fundamentos epistemológicos
O objetivo deste trabalho foi analisar as concepções de homem, mundo e a origem epistemológica do behaviorismo radical. Para isto partiu-se das propostas epistemológicas de Aristóteles, Bacon, Descartes, Wundt, Watson, Pavlov e Skinner.
O material utilizado foram alguns escritos originais de Skinner. Os critérios para as escolhas dos textos e livros foram aqueles que possibilitassem identificar a concepção de mundo, homem e relação sujeito-objeto.
O resultado alcançado com a comparação das idéias foi a confirmação de alguns pontos teóricos e visões da Psicologia, onde a concepção de mundo é de um ambiente que proporciona estímulos e respostas para o indivíduo. A visão de homem é a de um ser que se relaciona com esse mundo de muitas formas, modificando-o e sendo modificado por ele. Portanto, o objeto de estudo da Psicologia é o comportamento humano na sua totalidade.
Para contextualizar e delimitar estas concepções, trabalhou-se com os conceitos de Comportamento Reflexo, Comportamento Operante, Tríplice Contingência de Reforçamento, as contingências Filogenéticas, Ontogenéticas e Práticas Culturais e Comportamento Verbal.
Fundamentos epistemológicos da fenomenologia: esboço de uma reflexão
Aqui são expostos algumas das principais definições que possibilitam a compreensão do pensamento fenomenológico de Edmund Husserl (1859-1938 ) e a colocação de Kant, Descartes, Brentano e Hegel na constituição da Fenomenologia, cujos desdobramentos enriqueceram os debates acerca da visão do homem, seu mundo e forma de conhecer dentro da Psicologia. Objetivou-se ainda a inserção deste material entre aquele empregado pelos professores da nossa faculdade às matérias de primeiro ano, as quais dão ao aluno uma visão geral das principais teorias psicológicas.
As colocações dos autores apresentados foram permeadas pela seguinte pergunta: à quais questões estariam cada um deles voltando sua atenção e procurando responder? Em outras palavras, a preocupação foi caracterizar e analisar o contexto sócio-histórico em que o pensamento destes autores estava inserido.
O filósofo Husserl incumbiu-se da difícil tarefa de reformular os métodos de conhecimento das ciências da sua época, fim do século XIX, e viveu a conturbada industrialização de sua terra natal, a atual Alemanha. Seu pensamento nasceu em um período de mudanças sociais, como o movimento do proletariado e a Segunda Guerra Mundial, sendo de importância significativa para as ciências atualmente, em particular à Psicologia, já que deu vazão à um turbilhão de novas teorias psicológicas, como a Gestalt, ainda influenciando pensadores como Heidegger, Sartre e Biswanger.
A preocupação fundamental de Husserl é com o método pelo qual as ciências chegam a um conhecimento. Partindo de uma crítica ao positivismo e questionando a empiria, ele pretende formular um modo de se atingir a essência dos fenômenos. Para tanto, afirma ser necessário aceitar a subjetividade do cientista perante o objeto e trabalhar ao lado desta, a qual, segundo ele, é uma verdade inegável: não há como negar a existência da subjetividade humana.
Uma tentativa de sistematização epistemológica e metodológica da psicologia sócio-histórica: apontamentos de um caminho promissor para a psicologia
A Psicologia Sócio-Histórica está estruturada em torno da concepção materialista dialética, segundo a qual a base da sociedade está nas condições materiais de vida: o modo como o homem se relaciona e se organiza na realidade determina a sua consciência. Esta realidade é concebida como uma totalidade de determinações ordenadas de modo a constituir uma unidade, que gera suas próprias contradições, produzindo transformações.
Procuramos explicitar a presença destes pressupostos na proposta teórica, metodológica e de intervenção desta vertente teórica que tem origem na obra de Vygotsky - autor que procurou compreender o psiquismo humano a partir das funções psicológicas superiores, orientando-se por princípios e métodos materialistas dialéticos. Tal produção foi resgatada no Brasil e na América Latina nas décadas de 60 e 70, onde a Psicologia Social não oferecia conhecimentos e propostas de atuação capazes de compreender e transformar a realidade configurada.
Guiando-se por esta articulação entre teoria e práxis constituiu-se a Psicologia Sócio-Histórica, concebendo o psiquismo construído na relação dialética que o homem estabelece com o meio social e histórico, onde é determinado pelas relações materiais ao mesmo tempo em que as determina. Neste processo de constituição, o indivíduo se apropria das significações socialmente e historicamente produzidas e, vivendo em um espaço intersubjetivo e possuindo uma história particular, atribui sentidos pessoais para suas experiências.
A linguagem é, pois, essencial na construção do psiquismo humano e na constituição da consciência. Sua proposta metodológica orienta-se para conhecer as determinações históricas e culturais deste homem, suas significações, apreendendo seu movimento de transformação e contradição. Seus projetos de intervenção indicam uma prática comprometida com a promoção de saúde, em termos de permitir aos homens em seu contexto de relações um movimento de re-significação da realidade e das determinações a que estão sujeitos.
A análise de uma estória segundo os pressupostos materialista-dialéticos e o advento da Psicologia Sócio-Histórica
O trabalho tem como objetivo construir e contextualizar os principais conceitos e precursores epistemológicos que fundamentam a Psicologia Sócio-Histórica. Para tanto, utilizou-se da estória da personagem Macabéa do livro "A Hora da Estrela" de Clarice Lispector. Tal personagem é analisada sobre a ótica sócio-histórica, que vê o homem como um ser ativo, social e histórico na construção de si mesmo, seus semelhantes e mundo em que vive, e sendo assim, é tido como mediado e mediador da realidade social à qual insere-se.
Esta mediação social e histórica torna-se possível através da linguagem, que possibilita a apreensão das significações sociais, a internalização destas e sua conseqüente subjetivação, ou seja, a configuração de um sentido pessoal às experiências significativas. A partir daí, a constituição da identidade e consciência deste homem (que somando-se à atividade, constituem as categorias fundamentais de análise da Psicologia Sócio-Histórica) torna-se possível, sendo elas tidas, como um produto social e histórico.
Essas categorias são analisadas como estando em movimento e processo de construção contínuo e, portanto, falarmos em um homem com características estáveis e imutáveis não faz sentido dentro de tal abordagem. Na primeira parte apresenta-se a estória de Macabéa e suas características pessoais (ela é tida como marginalizada, alienada de si mesma e do mundo, tola). Na segunda parte, a análise da construção e transformações de sua identidade segundo os pressupostos teóricos da sócio-histórica - baseada em Ciampa (1986) que, embora não pertença à linha sócio-histórica, tem em suas fundamentações, estreitas semelhanças com esta teoria - nesta etapa aponta-se transformações sofridas pela identidade da personagem e os determinantes que a constróem. A terceira parte contém um breve esboço do momento histórico em que a abordagem teórica em questão surgiu, juntamente com seus precursores epistemológicos.
Psicologia Genética: questões epistemológicas
O objetivo, aqui, é situar a Psicologia Genética de Jean Piaget evidenciando a visão de homem, mundo e a relação sujeito x objeto presentes nessa teoria; para tanto foram utilizados textos traduzidos do original numa tentativa de não se contaminar com críticas feitas a ele por outros autores. Tal objetivo foi alcançado retomando alguns dos caminhos realizados por Piaget em sua história pessoal e profissional, procurando verificar quais as possíveis influências sofridas por ele no processo de construção teórica.
Nesse percurso notou-se que foram muitas as influências: Henri Bergson, Arnold Reymond, entre outros; e é desses contatos que Piaget parte num primeiro momento da Biologia, dado a sua formação como biólogo, e da Filosofia, dado o meio em que vivia, para responder às questões que lhe intrigavam; faz, ainda neste percurso uma crítica à Filosofia no que diz respeito aos seus métodos de produzir um conhecimento dito científico. A grande questão que Piaget queria responder é: como o Homem conhece, motivo pelo qual se nomeia de epistemologista; para respondê-la utilizou, entre outros, o conceito de gênese oriundo da genética, do campo da Biologia; bem como, a Psicologia, já que esta ciência o auxiliaria neste percurso.
O estudo indica que o homem da teoria piagetiana é um ser possuidor de estruturas e que, estando em relação com o mundo por meio da atividade, modifica-as ampliando as relações com o meio.
Psicodrama: origens e fundamentos
Todos os acontecimentos públicos objetivos fazem parte de nossas vidas, julgamos e criamos sobre nossa época ao mesmo tempo em que a vivemos. Nesse sentido, destacamos a importância do contexto histórico no desenvolvimento de um pensamento.
Iniciou-se um estudo numa perspectiva sócio-histórica que visa o resgate das origens e fundamentos do Psicodrama, teoria formulada por Jacob Levy Moreno (1889-1974). O material utilizado para o desenvolvimento do trabalho variou de textos escritos por outros autores sobre a teoria psicodramática, trechos de textos originais e de livros de História Geral. Os temas norteadores da elaboração do texto são: concepção de mundo, de homem e da relação sujeito e objeto; e desmembramentos epistemológicos e metodológicos.
O texto traz um breve histórico do século XX com ênfase na situação da Áustria frente as guerras, uma vez que este é o país onde Moreno vivia no início da sua produção científica. A vida de Moreno também foi visualizada de forma breve com atenção aos pontos que poderiam ter marcado forte influência, como, por exemplo, a sua mudança para os Estados Unidos em 1925.
A sua teoria e técnicas foram abordadas de forma sucinta; no entanto, é possível percebermos a importância do Encontro, da relação com o outro na teoria psicodramática, e sua proposta da descoberta da verdade através da ação. O que nos leva a entender sua ligação com o teatro.
A Psicologia Social também inspira a obra de Moreno, bem como a crença no potencial, na força humana transformadora. O presente trabalho não esgota totalmente o assunto, uma vez que ainda existem muitos pontos não discutidos ou apresentados.
A Dança do Universo - dos mitos de Criação ao Big-Bang: uma reflexão sobre questões epistemológicas e metodológicas
A mudança da concepção das visões de mundo e de homem no tempo é analisada a partir da leitura do livro "A Dança do Universo - dos mitos de Criação ao Big-Bang". Gleiser, M. - São Paulo, Companhia das Letras, 2.ª edição, 1998. Nesta obra, o autor discorre, entre outras coisas, "sobre as pessoas responsáveis pelo desenvolvimento da nossa visão de universo" (pág.12), os mitos de criação e a evolução da física.
Além da discussão epistemológica, o objetivo é uma futura integração entre as áreas de conhecimento, relacionando as diferentes concepções da física e as diversas vertentes teóricas da psicologia.
Voltar
|
Versão em PDF
|
Encaminhar
|
Imprimir
|










