Violência urbana e violência no esporte
1- Carol Kolyniak Filho
INTRODUÇÃO
A violência é um tema que tem sido objeto de reflexão filosófica, de pesquisa científica, de produção artística, de manifestações religiosas, de expressões míticas, de ações políticas, enfim, de todos os campos da prática social e em todas as formas simbólicas. A problematização da violência apresenta-se, nas produções simbólicas, desde os mais antigos registros escritos, em diferentes culturas. Práticas sociais violentas têm sido registradas e problematizadas em diversas situações de convívio humano, sob diferentes condições ambientais e histórico-sócio-culturais. Nesse quadro geral, a violência urbana inscreve-se como fenômeno associado aos processos de urbanização de populações, em toda a sua complexidade.
Dadas as proporções que a violência urbana veio assumindo, ao longo do movimento de progressiva concentração da população humana em cidades, as ciências humanas – em particular a sociologia, a antropologia, a psicologia e as ciências jurídicas – se voltaram ao estudo desse fenômeno com crescente interesse, especialmente a partir do final do século XIX. Da multiplicidade de enfoques e de estudos específicos realizados, resultou a compreensão de que a violência é um fenômeno que resulta de múltiplas determinações. Educação familiar, educação escolar, meios de comunicação social, instabilidade política e social, fatores genéticos, características neurofisiológicas, difusão do uso de drogas e ideologias são exemplos de elementos que fazem parte do complexo de fatores que condicionam a instauração e a manutenção da violência.
A violência urbana apresenta diferentes facetas, na atualidade. Isto decorre da complexidade das características das grandes concentrações humanas, que envolvem diversos campos de atividade econômica e cultural. Desse panorama complexo faz parte a violência no esporte. Para além das manifestações violentas no âmbito da própria prática desportiva, têm ocorrido manifestações de violência entre grupos de torcedores e destes em relação a pessoas não relacionadas aos eventos esportivos. Nesse quadro, destacam-se os confrontos entre torcedores (que resultam em ferimentos graves e mesmo em mortes, não raro de pessoas que não fazem parte das torcidas), e a depredação e saque de bens e serviços públicos e privados.
A violência associada ao esporte, nos termos acima apontados, é um fenômeno mundial. No Brasil, a discussão sobre essa questão ganhou impulso a partir de um evento que, por sua publicidade e pelas circunstâncias em que ocorreu, tornou-se emblemático e desencadeou reações imediatas de diferentes setores da sociedade. Trata-se da briga entre torcedores das equipes de futebol do São Paulo F.C. e da S. E. Palmeiras, ocorrida por ocasião do jogo final de um torneio de futebol da categoria “júnior”, no estádio do Pacaembu, na cidade de São Paulo, no dia 25/01/96. As cenas de agressão entre os torcedores, amplamente divulgadas pela televisão, chocaram a opinião pública do país, e repercutiram também no exterior. A morte de um torcedor e os ferimentos em dezenas de outros, embora não fossem eventos novos, mobilizaram autoridades e a imprensa em torno da discussão da violência no esporte e da busca de medidas para enfrentamento do problema.
O ESPORTE COMO PRÁTICA SOCIAL E A VIOLÊNCIA URBANA
Para compreender as manifestações de violência associadas ao esporte como parte do fenômeno mais amplo da violência urbana, cabe considerar, inicialmente, algumas características do esporte.
Como ponto de partida da caracterização do esporte, assumimos o pressuposto segundo o qual o esporte é uma prática social construída historicamente. Como tal, não tem qualquer essência imutável, devendo ser compreendido no quadro mais amplo das produções culturais, vinculadas tanto à infra-estrutura econômica como à superestrutura ideológica.
Assumindo esse pressuposto, cabe compreender o esporte atual no contexto político-econômico que o produz, ou seja, na ordem econômica do capitalismo e na sua correspondente ideologia política, o liberalismo. Nessa ótica, o esporte moderno, cujas características ganharam seus atuais contornos a partir de meados do século XIX, especialmente a partir da Inglaterra, não pode deixar de refletir as contradições e os problemas sociais mais gerais da sociedade organizada segundo o ideário capitalista-liberal.
Dentre as características do referido ideário, podem ser destacadas algumas que assumem centralidade na prática desportiva. A primeira delas é a competição, verdadeiro pressuposto do esporte. A segunda é a organização rigorosa das regras que devem normatizar os objetivos e as condições da competição desportiva. A terceira é a organização racional e burocrática dos procedimentos de planejamento, condução, controle e registro dos eventos desportivos e de seus agentes – clubes, atletas, dirigentes, árbitros etc. A quarta é a publicidade dos eventos e de seus resultados. A quinta é a mundialização de todos os estatutos, pressupostos, critérios e condições da prática, de modo a expandir a institucionalização do esporte para que esta abranja toda a população do planeta.
As características acima podem ser facilmente associadas ao modus operandi do liberalismo econômico capitalista – competição livre entre agentes econômicos empreendedores, segundo regras (monetárias, aduaneiras, trabalhistas etc.) definidas, com produção organizada de modo racional e burocratizado, controlada e publicizada por agências reguladoras (Estado, associações, sindicatos, organismos internacionais etc.) e estendida progressivamente para além de fronteiras nacionais, configurando-se como processo de mundialização da produção e da circulação econômicas.
Estabelecido este paralelo, é possível entender que as práticas sociais que caracterizam a produção capitalista também fazem parte da dinâmica do esporte. Assim, em ambas as esferas, embora se pressuponha que a competição se estabelece a partir de igualdade de condições entre os competidores, isso não ocorre de fato. A primeira razão para isso refere-se à desigualdade inicial entre os competidores. No plano econômico, não é verdade que todos os empreendedores começam nas mesmas condições (quantidade e qualidade de capital, conhecimento técnico, possibilidade de estabelecer-se onde e quando querem etc.). Igualmente, no plano desportivo, os competidores apresentam diferentes condições iniciais, no que se refere a patrocínio econômico-financeiro e orientação técnica especializada. A segunda razão refere-se à desigualdade na aplicação das regras. No jogo econômico, não é verdade que as regras são respeitadas igualmente por todos – a prática do dumping é um exemplo cabal dessa afirmativa. Também no jogo desportivo, as regras são freqüentemente burladas pelos competidores – simulação de faltas, aplicação deliberada de violência, doping e outros expedientes são exemplos amplamente conhecidos.
No que diz respeito ao planejamento e racionalização da produção, é óbvio que tanto a produção econômica quanto o desempenho desportivo são, hoje, objetos de um grande esforço e de um investimento para melhorar a produtividade e a eficiência. Além do investimento em tecnologia, a organização estratégica para extrair o máximo de rendimento daqueles que vendem sua força de trabalho – os operários nas fábricas, nos bancos, no comércio, nos serviços, nas escolas, nas fazendas, e os atletas nos clubes – é uma característica presente em todos os empreendimentos econômicos, incluindo os desportivos.
O controle da atividade econômica capitalista, como já colocado, é exercido por diferentes organismos reguladores. A atividade desportiva também está sujeita a instituições reguladoras, de âmbito local (ligas e comissões municipais), regional (federações), nacional (confederações, conselhos nacionais, comitês olímpicos nacionais) e internacional (associações e confederações internacionais, comitê olímpico internacional). Em ambos os casos (atividade econômica e esporte), ocorrem favorecimentos, perseguições, decisões casuístas, fraudes, sobreposição de interesses individuais em detrimento de interesses coletivos, por parte dos dirigentes das diferentes instituições.
Isto posto, fica claro que o esporte apresenta-se como campo de conflito de interesses políticos e econômicos, como qualquer outra área de atividade humana inserida no conjunto das relações sociais marcadas por um distanciamento entre os discursos normatizadores e as ações efetivas dos seus agentes.
Além das características genéricas que o esporte apresenta, no bojo do capitalismo liberal, um outro fator contribui para que este campo seja associado à violência. Trata-se da idéia segundo a qual o esporte é um meio socialmente aceitável de expressão da agressividade, da qual a violência é uma conseqüência que deve ser controlada, mas não pode ser totalmente evitada. Nessa idéia, assume-se que a violência é uma manifestação inerente ao homem, e precisa de “válvulas de escape”, para que se expresse preferencialmente em condições mais controladas, evitando sua propagação para todas as relações sociais. Assim concebido, o esporte nunca poderia deixar de comportar alguma violência, e tudo o que se poderia fazer é estabelecer mecanismos para regular suas expressões e mantê-las num nível aceitável.
Em nosso entendimento, a violência no esporte – dentro e fora dos campos e quadras, estádios e ginásios – não pode ser isolada da violência reinante no conjunto das relações sociais, pois são as mesmas determinações gerais que condicionam todas as manifestações de violência. Nesse sentido, acompanhamos Arlindo Chinaglia:
(...) as causas da violência no esporte devem ser buscadas na sociedade. E aqui não há como escapar ou negar que a exclusão social é um fator preponderante dentre as múltiplas causas da violência. A pobreza, as péssimas condições de vida, o desemprego, a falta de escola, de moradia, de cultura, de lazer etc. Tudo isso gera situações de frustração e de impotência, tendo como conseqüência a falta de perspectiva de vida e a desesperança, presentes, inclusive, em nossa juventude. (in: Lerner, 1996: 45).
A POSSIBILIDADE DE REDUZIR A VIOLÊNCIA NO ESPORTE
No Brasil, os acontecimentos mencionados na referida partida de futebol desencadearam análises e propostas voltadas para o enfrentamento da violência nos estádios (especialmente em relação ao futebol) e nas cidades, como decorrência da ação de torcidas organizadas ou de grupos de torcedores que promovem brigas (até planejando-as com antecedência pela Internet) e saques. Dentre as propostas, pode-se citar:
-Numeração de todos os lugares nos estádios e controle da torcida por câmeras de vídeo.
-Prisão de torcedores violentos nos dias de jogos de seus clubes.
-Cadastramento e controle rigoroso das torcidas vinculadas aos clubes.
-Aplicação imediata e rigorosa das penas previstas para os crimes de agressão cometidos nos estádios e suas cercanias.
-Aumento no preço dos ingressos.
-Engajamento de clubes, federações, confederações e atletas em campanhas e manifestações contra a violência no esporte.
-Penalização de clubes nas competições, em decorrência de ações violentas de suas torcidas.
-Maior rigor da arbitragem e afastamento ou punição de árbitros tecnicamente despreparados ou que não atuem para coibir a violência em campo (pois esta estimula a violência na torcida).
Em face da indissociabilidade entre violência no esporte e violência urbana, entende-se que tais medidas, voltadas para o controle nos eventos desportivos, não podem ser suficientes para superar os problemas que estão na raiz da violência. Ainda que não se possa dispensá-las (e algumas vêm sendo implementadas, ao menos parcialmente), quando muito, podem apenas reduzir as ocorrências violentas. A superação da violência no esporte – no quadro da violência urbana – pressupõe um processo mais abrangente.
Em primeiro lugar, cabe questionar a visão que naturaliza a violência, atribuindo-a a uma inescapável tendência agressiva presente no homem, que só pode ser controlada, mas permanece sempre como possibilidade latente. Essa visão desconsidera que a construção do ser humano é fruto da determinação recíproca entre a herança biológica e a herança histórico-sócio-cultural. Esse processo não é previsível (a não ser que se assuma uma visão teleológica do desenvolvimento humano) e, portanto, não se pode afirmar com certeza que a violência é uma característica essencial do homem.
Assumindo-se que o homem é um ser histórico, em permanente processo de construção, cabe cogitar que podemos vir a nos construir como seres não violentos. Não obstante, também é preciso considerar que, em face do desenvolvimento histórico da maior parte dos grupos sociais hoje existentes, as relações violentas fazem parte da vida social.
A vida social envolve a violência em diferentes planos, a começar pelo plano mais geral dos conflitos entre classes sociais. É inegável que as diferenças estabelecidas entre grupos sociais, no que diz respeito ao acesso aos bens materiais e culturais produzidos pelo trabalho coletivo organizado, é um dos elementos que se colocam na raiz da violência. Associadas a essas diferenças, estão as ideologias que justificam relações de dominação que mantêm grandes grupos humanos assujeitados ao controle de minorias. Embora tais ideologias (baseadas em religião, características étnicas, mitos de criação, justificativas “científicas” etc.) sejam eficazes para auxiliar no controle das populações submetidas às classes dominantes, o uso de violência é indispensável para materializar o controle e, por conseguinte, tende a gerar reações também violentas. Um exemplo claro disto é a violência recíproca que se estabelece entre certos agentes de instituições policiais e pessoas excluídas da vida econômica “regular”, pelo desemprego, pela falta de formação escolar e profissional adequadas, pela falta de serviços de promoção social etc. – as quais acabam por envolver-se em atividades ilegais para sobreviver.
Assim sendo, entende-se que um movimento real de superação das relações sociais violentas envolve a superação das grandes desigualdades sociais presentes na maior parte do mundo, inclusive no Brasil – um dos campeões de desigualdade na distribuição de renda. Sabe-se que isso só pode ocorrer com o envolvimento de muitos setores de nossa sociedade, articulados em torno de um projeto político voltado para a construção de uma sociedade democrática e igualitária. A amplitude e as dificuldades de tal empreitada são tais que não podemos nos propor tratar dela neste artigo.
As dificuldades para promover as transformações político-econômicas estruturais que podem conduzir à superação da violência urbana não justificam, contudo, a renúncia a buscar caminhos para a construção de práticas sociais menos violentas. Embora reconheçamos que soluções abrangentes dependem de mudanças nas relações de produção e distribuição dos frutos do trabalho coletivo, numa ordem econômica mundializada, entendemos que a superação da violência no esporte passa, também, por uma ressignificação do sentido da prática esportiva. Essa ressignificação implica processos educacionais, que podem ter lugar nas instituições educativas – escolas e universidades – e em meios de comunicação social – jornais, revistas, TV, cinema, Internet, rádio...
Uma educação – em sentido amplo – para um esporte menos violento e gerador de menos violência envolve dois planos distintos e relacionados: a educação para a prática esportiva e a educação para a apreciação do esporte como espetáculo.
A educação para a prática esportiva é uma tarefa que, no Brasil, deve envolver, fundamentalmente, a categoria dos professores de Educação Física. Nas escolas, nos clubes, nas escolinhas de esporte, em ONGs, enfim, em todos os espaços institucionais em que ocorrem iniciação e competições desportivas, professores de Educação Física podem ensinar práticas que tenham como fundamento o respeito a si e a outros, colocando a integridade humana em primeiro plano, rejeitando cabalmente a idéia de que o resultado da competição é o que mais importa. Tal orientação pedagógica implica a articulação de uma visão crítica em relação ao esporte e às ideologias da “vitória a qualquer preço” com propostas concretas de encaminhamento da prática esportiva, que tenham como referências a integridade e o bem-estar de todos os nela envolvidos. Para tanto, não basta o trabalho isolado de professores, pois é preciso articular competições esportivas que se organizem em torno de uma orientação educacional comum. Por exemplo, pode-se, por um lado, introduzir alterações nas regras, de modo a inviabilizar atitudes violentas e, por outro lado, estimular a integração entre os adversários, após as disputas, por meio de diferentes estratégias (confraternização, análise técnica e tática dos jogos feita em conjunto pelas equipes etc.).
A educação para a apreciação do esporte como espetáculo, além de envolver a atuação educacional dos profissionais de Educação Física, não pode prescindir do apoio de outros meios de comunicação social – especialmente o rádio, a TV e a imprensa. Em nosso entendimento, embora essa atuação já venha ocorrendo, é preciso uma ação mais clara e sistemática desses meios de comunicação, no sentido de relativizar a importância do resultado das competições, de modo a que estes não se transformem em pretextos para atitudes violentas. É preciso, por exemplo, insistir na idéia de que a vitória ou a derrota de uma equipe, em uma competição esportiva, não pode ser encarada como indicativo de qualquer tipo de mérito ou demérito para seus torcedores. Outra idéia que pode ser difundida continuamente é relativa ao caráter simbólico da vitória ou da derrota e à ausência de conseqüências importantes destas para a vida dos torcedores. Cabe ressaltar o fato de que a emoção do ato de torcer é significativa, mas deve se limitar ao momento da competição e não se prolongar, com a mesma intensidade, para além deste. Esta idéia articula-se a uma outra: o espetáculo esportivo deve ser encarado como uma atividade de lazer, tal como outros espetáculos – cinema, teatro, circo, música etc. Assim, ainda que os espectadores, em todos estas manifestações, continuem elaborando, comentando, discutindo idéias e sentimentos estimulados pelos espetáculos, após o seu término, devem ter clareza de que não se encontram mais na situação lúdica e imaginária em que os espetáculos ocorrem, ou seja, que voltaram ao “mundo real”. A implementação de propostas como as exemplificadas acima, contudo, pode esbarrar em um obstáculo de natureza genérica, mas, nem por isto, menos limitante: o poder da ideologia liberal, que consagra a competição e a valorização da vitória e dos “mais fortes”. É esta ideologia, subjacente às práticas sociais que predominam na vida econômica e política (onde se busca a vantagem a qualquer preço), que induz à idéia de que um esporte regulado por princípios que priorizam a saúde, a integridade e o bem-estar de todos é um esporte “para fracos” – uma vez que, “na vida real, é cada um por si e Deus por todos”. De fato, o que será da competição econômica e política, nos marcos do atual capitalismo, se todos – dos “tubarões” aos “peixinhos” – tiverem, de fato, os mesmos direitos, as mesmas oportunidades, as mesmas condições e, o que é mais importante, forem reconhecidos como iguais, em valor, em dignidade? Certamente, muitos dos “tubarões” terão de se conformar em se transformarem em peixes menos truculentos e corpulentos, pois não terão mais o direito de “engolir” os mais fracos. Aí está o “X” da questão.
O viés ideológico apontado acima não é uma abstração genérica. Ele pode ser visto em manifestações concretas, das competições escolares às competições profissionais. Nas primeiras, não é tão raro presenciar brigas entre pais “torcedores”, que vão prestigiar as competições dos filhos (não é raro, também, que pais estimulem seus filhos a reagirem com violência diante de outras crianças, como no esporte “de verdade”). Nas segundas, a violência gerada pela busca de vitória a qualquer preço deve-se, também, aos valores econômicos em jogo (prestígio e dinheiro dos atletas, interesses dos patrocinadores). Nesse quadro, pode-se esperar que, muitas vezes, professores de educação física e treinadores sejam exigidos, no sentido de ensinarem seus alunos e atletas a jogarem de acordo com as regras “da vida” – vale dizer, com violência, subterfúgios, “manhas” etc., etc. Por isto, uma atuação sistemática para modificar a prática esportiva, no sentido de torná-la menos violenta, exige uma convicção ideológica e uma vontade política clara e direcionada, não apenas de professores e técnicos isolados, mas de um movimento coletivo organizado.
A possibilidade de construir o esporte como manifestação voltada para a promoção da saúde, do bem-estar, do prazer e da solidariedade entre pessoas, portanto, configura-se como processo educativo, que deve envolver tanto profissionais que atuam na formação do praticante e do espectador (profissionais de educação física) como os agentes sociais responsáveis pela difusão do esporte como espetáculo. Entretanto, tal processo educativo só pode alcançar seu escopo se ocorrer de forma articulada a um projeto político, pois o esporte não pode ser isolado do conjunto das práticas sociais. Este é o real desafio para o enfrentamento da violência urbana em todas as suas manifestações – do esporte aos seqüestros e homicídios.
BIBLIOGRAFIA:
KOLYNIAK FILHO, Carol. Discutindo o conceito de esporte. Discorpo. 14. São Paulo: Departamento de Educação Física e Esportes da PUC-SP, 2006, p. 41-54.
LERNER, Julio (editor). A violência no esporte. São Paulo: IMESP, 1996.
MICHAUD, Yves. A violência. São Paulo: Ática, 2001.
POSTERLI, Renato. Violência urbana: abordagem multifatorial da criminogênese. Belo Horizonte: Inédita, 2000.
Carol Kolyniak Filho
Prof. Dr. do Departamento de Educação Física e Esportes da PUC-SP
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