De poetas para poetas: Homenagem de Murilo Mendes a Bertolt Brecht
De poetas para poetas
Homenagem de Murilo Mendes a Bertolt Brecht
Quem levantou no espaço as Pirâmides, quem construiu vermelha Tebas de cem portas? Certamente, não os reis: estes não carrega-vam pedras.
Quem sabe os nomes dos mestres-de-obra, dos engenheiros, dos pedreiros que ergueram o Coliseu, os jardins suspensos de Babilônia, Nova Iorque?
Quanto ganhavam por dia os operários dessas moles espantosas? E
quantos eram ao todo? Nenhuma lente os descobre, nenhuma téssera ou lápide os registra.
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Ele quis levantar no teatro o epos do nosso tempo totalitário. Alguns se perguntam: ficará seu nome?
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Destruir o muro de Berlim, sigla de mil outros muros. Destruir o muro de Belim, levantando com o tributo de palavras, crimes e atos absurdos de todos nós.
Construir o espaço sem muralhas nem faraós e césares de camisa preta ou parda. Com siglas de bandeiras decorativas marcando a terra de um e de todos, a terra da paz, do grão e do vinho reconstituídos no seu contexto livre de censuras.
(Murilo Mendes; poesia completa e prosa Nova Aguilar - 1994 - p. 1.240
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