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Home >> Revista Cultura Crítica >> 09, violência de estado, 1º semestre de 2009 >> Estetização da morte? - Notas sobre “Carta a Vicki” e “Carta a meus Amigos”, de Rodolfo Walsh

Estetização da morte? - Notas sobre “Carta a Vicki” e “Carta a meus Amigos”, de Rodolfo Walsh

APROPUC-SP 30.03.10

Estetização da morte?

Notas sobre “Carta a Vicki” e “Carta a meus Amigos”, de Rodolfo Walsh

 

GRACIELA FOGLIA

 

Talvez seja difícil dimensionar o peso que um autor como Rodolfo Walsh, lido tanto no âmbito da literatura quanto no das ciências sociais e no da comunica­ção, tem no panorama cultural atual argentino. Escritor, jornalista, tradutor, militante montonero1 nos anos 1970, assassinado durante a última ditadura militar em seu país (1976-1983), já canonizado no espaço acadêmico, não há nada de sua obra publicado aqui. O conto “Essa mulher”, de 1965, foi eleito em Buenos Aires, em 2000, em uma pesquisa “entre um grupo amplo de escritores e de críticos [...] como o melhor relato da história da literatura argentina. Superando contos de Borges, de Cortázar, de Horacio Quiroga, de Silvina Ocampo”2; Operação massacre, de 1957, “é hoje um clássico da literatura nacional”, diz Horacio González e acrescenta: “na Ar­gentina, Walsh é um escritor estudado por renovadas gerações estudantis [...] na mi­nha faculdade, em Buenos Aires, a sala magna leva o nome dele, no bairro de San Telmo há uma praça com seu nome e em geral ele não é menos comemorado do que Borges”3.

Rodolfo Walsh escreveu entre a sua morte e a de seu amigo, o poeta Paco Urondo, quatro cartas – “a Paco Urondo”, “a Vicki”, “a meus amigos”, “de um escritor à junta militar” – dife­rentes em seus destinatários explícitos e em suas formas. Escritas todas no marco da divergência de Walsh com o comando de Montoneros4, têm em comum a mar­ca política: na primeira, a Paco Urondo, Walsh constrói a figura do que conside­ra o verdadeiro intelectual revolucio­nário sem deixar de fazer uma crítica, muito sutil, ao crescente militarismo de Montoneros: um intelectual revo­lucionário pode “converter-se em um homem do povo, compartilhar seu destino, compartilhar a arma da crítica com a crítica das armas5 (grifos meus); “Carta a Vicki”, cujos destinatários implícitos são aqueles que perderam pessoas que­ridas na batalha, é uma carta de despe­dida na qual ele fala de seu orgulho (e do da mãe de María Victoria) como pai da militante6; mas aqui também aparece a divergência com Montoneros, quando alude a uma coluna7 de fogo “poderosa mas contida em seus limites”8; “Carta a meus amigos” é a desvitimização dos militantes revolucionários ao colocar o caminho escolhido por Vicki e por “to­dos os que morrem como ela” como “o mais justo, o mais generoso, o mais pon­derado9 (grifos meus); e a última car­ta, à Junta Militar, é uma denúncia das atrocidades cometidas por essa junta, mas sobretudo contextualiza os crimes no marco econômico.

A morte espreita. E, talvez, o óbvio que se pode afirmar sobre as cartas é que foram escritas na urgência dessa realidade10, na urgência de ganhar da barbárie: por isso, o objetivo delas é fazer que os companheiros, e os indeci­sos e os desconfiados, sejam partícipes dos acontecimentos, daí que predomine uma sintaxe “militante”: são escritos as­sertivos, descritivos, explicativos; às ve­zes, com lugares comuns ou oposições binárias quase óbvias. Entretanto, não falta nessas cartas o Walsh polissêmico, aquele das intertextualidades, aquele que dá voz a outros, aquele das piscadas ao leitor entendido, enfim, o Walsh li­terário; mas também há o que parecem ser pequenos descuidos na escrita, que produzem um certo desconforto, que dão a sensação de que algo “não fecha”. Por isso, aqui me proponho a fazer umas notas sobre “Carta a Vicki” e “Carta a meus amigos” e discutir se a maneira escolhida por Walsh para referir-se à morte de sua filha – e à de milhares de pessoas – é uma forma de “estetizar a morte” ou se, ao contrário (ou conjun­tamente), nos pequenos “descuidos” da escrita não estaria contida a afirmação de Primo Levi que diz que “a nossa lín­gua não tem palavras para expressar essa ofensa, a aniquilação de um homem”11.

Recursos literários

Carta a Vicki” é uma carta de despedi­da que Rodolfo Walsh escreve quando fica sabendo da morte de sua filha, Ma­ría Victoria, militante montonera, como consequência de um confronto com o exército. Divide-se em duas partes. Na primeira, Walsh fala de seus sentimen­tos frente à morte da filha, refere-se à impossibilidade da despedida e dá as coordenadas de como soube da notícia dessa morte. A segunda parte consta de três passagens curtas em que o autor, na primeira, refere-se, com certa ênfase, ao orgulho da mãe de Vicki por sua militân­cia – ênfase que, com a distância que nos separa dos fatos, parece bastante inveros­símil, mas que se poderia pensar como uma espécie de consolo para a própria Vicki (por seu suicídio) e uma concessão às exigências da militância –; ele descreve um pesadelo que tem uma noite depois de saber dessa morte e cita palavras que ouve de um homem em um trem.

Daniel Link em Ese hombre y otros papeles personales destaca em relação a “Carta a Vicki” que foi a saudação o que fez com que esse escrito de Walsh fosse considerado uma carta, como se colo­casse em dúvida que pertença realmen­te a tal gênero:

El encabezamiento de esta anotación determinó que, en publicaciones ante­riores, se la considerara una carta. Este original y el siguiente12 fueron reco­nocidos y rescatados por una sobrevi­viente del campo de concentración que funcionó en la Escuela de Mecánica de la Armada. (grifos meus) *

Aqui, apesar de na edição de Link o escrito se dividir em duas partes com datas diferentes, 1/10 e 5/10, na nota de Walsh, e somente a primeira tem Vi­cki como destinatária, leio-a como carta justamente pela saudação (“Querida Vi­cki”), pelo tom íntimo, pela despedida e pela tentativa de consolar-se a si mesmo e, quem sabe, à própria Vicki (“celebro-te e até te invejo, minha querida”), pelo querer “persuadir-se de que a morte não é uma desgraça”13.

Ricardo Piglia, em Tres propuestas para el próximo milenio (y cinco dificul­tades), refere-se à parte final da carta: “Hoje no trem um homem dizia: ‘Eu sofro muito. Gostaria de deitar para dormir e acordar daqui a um ano’. Fa­lava por si, mas também por mim14” e daí formula a segunda proposta, a do deslocamento e distância que seriam necessários ao escritor do século XXI para poder referir o que está à margem da linguagem, o que é indizível. ]

La verdad tiene la estructura de una ficción donde otro habla [...] La pro­puesta que yo llamaría el desplazamiento, la distancia. Salir del centro, dejar que el lenguaje hable también en el borde, en lo que se oye, en lo que llega de otro 15. **

Penso que também se pode pen­sar em uma espécie de deslocamento do dizer militante no parágrafo anterior ao do homem no trem: “Ontem à noi­te tive um pesadelo torrencial, em que havia uma coluna de fogo, poderosa mas contida em seus limites, que brotava de alguma profundidade16”. “Coluna de fogo” pode ser uma alusão bíblica (Êxo­do 13:21-2217) ou intertexto literário, ou ambos. No primeiro caso é a coluna que orienta o Êxodo (e isso remeteria ao Walsh religioso, cujo primeiro gesto ante o comunicado na rádio é persignar-se18); no segundo (que não exclui o an­terior), poderia ser a obra de teatro de Ray Bradbury, publicada nos anos 1950, Coluna de fogo (Pillar of fire), que é “a crô­nica de um rebelde do futuro que desafia a luz a enfrentar a escuridão, a fugir das ada­gas e das armas de fogo e a ter outra vez medo da morte”19. Mas pode-se pensar na orga­nização de Montoneros em “colunas” e então, também, cabe uma interpretação para “poderosa, mas contida em seus limites”, como um desejo (poderosa e organizada) e como manifestação de medo (e não transbordada20). “Coluna de fogo” condensa e simboliza vários significados. Condensação e símbolo: recursos literários que servem para que Walsh expresse temor e desejo em re­lação à situação política que se está vi­vendo.

Mas essas não são as únicas for­mas com que se faz literariamente visí­vel a dor nessa carta. A forma assertiva, as frases curtas e precisas, o pretérito perfeito e o presente que tornam Vicki presente, como se não estivesse morta, a escassa adjetivação, são todos recursos que contextualizam o momento de re­cebimento da notícia da morte e falam dos sentimentos, mas que escondem o vacilo da dor, marcado aqui pela pon­tuação, que confere à carta um ritmo entrecortado:

Estábamos en reunión... cuando empe­zaron a transmitir el comunicado.

Pensaba que era excesiva suerte, no ser golpeado, cuando tantos otros son gol­peados 21. ***

Ainda que com menos frequ­ência, também pode-se ler esse ritmo em “Carta a meus amigos”: “Nós nos víamos uma vez por semana; a cada quinze dias”22. Nesses exemplos, que poderiam ser considerados “descuidos” na escrita, parece-me que há formas precisas de aludir ao sofrimento sem nomeá-lo. Então e diferentemente das mensagens para os mortos23, Walsh não pede nada à filha, não clama; só expres­sa dor e oferece, talvez, até uma forma de consolo: “te invejo”; “Falei com sua mãe. Ela está orgulhosa na sua dor...”24

Condensação, símbolo, deslo­camento, ritmo entrecortado; formas frequentes na literatura, que aqui Wal­sh usa para falar de dor, de medo, de desejo diante da perda, da violência e da morte.

Ressignificação do

lugar comum

Carta a meus amigos” é uma espécie de obituário que Walsh diri­ge aos que conheceram Vicki e a seus próprios amigos para agradecer-lhes a solidariedade depois da morte de sua filha e explicar-lhes como e por que ela morreu. Nela fará uma breve bio­grafia da vida de María Victoria desde seu ingresso aos 22 anos em Monto­neros e relatará os detalhes de sua úl­tima noite, o cerco e o confronto com o exército. Em referência a Operação massacre diz-se que Walsh adiantou-se a seu tempo, em um jogo com as palavras de García Márquez, “O escri­tor que adiantou-se à CIA”25. “Carta a meus amigos” parece inscrever-se nes­sa série ao adiantar-se a uma discus­são que se levará adiante com o fim da ditadura: a classe política e os meios (com algumas exceções), ao tratar o tema dos desaparecidos, do assassina­to, da tortura, abordaram-no a par­tir da perspectiva do “excesso e do erro”26, falaram de “lavagem de cons­ciência” ou de “inocentes”, jovens que “não estavam em nada”27. Nessa carta Walsh devolve a verdadeira dimensão às lutas dos anos 1960 e 1970: Vicki, sua filha, é uma militante consciente e convicta, que fez uma escolha e co­nhece suas consequências:

Me he preguntado si mi hija, si todos los que mueren como ella, tenían otro camino. La respuesta brota desde lo más profundo de mi corazón y quiero que mis amigos la conozcan. Vicki pudo elegir otros caminos que eran distintos sin ser deshonrosos, pero el que eli­gió era el más justo, el más generoso, el más razonado. Su lúcida muerte es una síntesis de su corta, hermosa vida. No vivió para ella, vivió para otros, y esos otros son millones. Su muerte sí, su muerte fue gloriosamente suya, y en ese orgullo me afirmo y soy quien re­nace de ella 28. *

A carta está dirigida aos amigos, sim, mas também aos indecisos e aos desconfiados; sobretudo a estes últimos. Isso permitiria entender algumas pas­sagens, como a das “absurdas camisolas compridas que sempre ficavam grandes nela”, que parecem inadequados ao pro­pósito declarado da escrita dessa car­ta: parece querer trazer uma fase mais cotidiana, mais caseira da militante; essa imagem reforça a ideia de ascetis­mo que vem sendo construída desde os primeiros parágrafos da carta. Assim como a necessidade de explicar por que Vicki estava com sua filha – no último momento não encontrou alguém com quem deixá-la – ou por que ria ante cada rajada de metralhadora – nunca ha­via atirado com uma e as “coisas novas, surpreendentes, sempre a fizeram rir29”. Ou seja, aproveitando a intimidade que implica a carta dirigida aos amigos, Walsh mostra a fragilidade, o ser comum que podia haver em cada militante, mas também ao contrapor essas fases huma­nas, comuns, contra os helicópteros faz-se mais descomunal a ação militar.

Muito se escreveu sobre essa car­ta de Walsh30. Horacio González diz que é uma reflexão sobre a morte e que a “ideia de uma ‘morte lúcida’ aproxima-se muito de uma hagiografia martiroló­gica. De algum modo, o longo alento de um cristianismo sacrificial se infunde nessa oração walshiana31”. Por sua par­te, em um artigo de 1984, Beatriz Sar­lo afirmava que Walsh, ao escrever essa carta, buscava “não só comunicar uma morte acontecida em combate absurda­mente desigual” mas também “estetizar essa morte”. “Sua filha não só morria pela revolução na qual ambos haviam apostado, mas morria de forma bela32.” Essa operação Walsh conseguia ao evo­car Vicki morrendo com felicidade, com heroísmo: “uma heroína romântica, que é também Ifigênia, pronta para o sacri­fício, aceitando-o com uma exaltação quase feliz33.”

Aquele Walsh da “estetização” da morte não é novo; aquele que trans­forma os “mortos de injustiça” em he­róis, segundo seu ponto de vista, já se vislumbra na homenagem a um capitão e seus companheiros34, que morrem durante um bombardeio ao sul da pro­víncia de Buenos Aires em 1955. Nesse artigo, no qual o autor elogia a valen­tia do capitão que lutou com as forças que depuseram o general Perón em seu segundo mandato, leem-se frases de re­conhecimento ao espírito de sacrifício e à “decisão ponderada e consciente”35 de arriscar a vida por uma causa na qual se acredita. Mas nesse texto carregado de adjetivação “espetacular”, que guarda algumas semelhanças com a estrutura dessa carta (descrição das circunstâncias que desembocam nas mortes, reflexão sobre as decisiões tomadas, elogios), o que não se lê é a escolha de uma ou outra palavra que pareça fora de lugar, insuficiente, que não chegue a ter a contundência à que está acostumado o leitor do Walsh posterior a Operação mas­sacre. Em todas as cartas desse período, não só nas que estamos vendo, leem-se fragmentos semelhantes: “iam te enter­rar como um cachorro”, está escrito na carta a Paco Urondo, ou na “Carta aber­ta” refere-se às ações da Junta Militar como “feitos malvados” e aqui, na “Carta a meus amigos”, lemos passagens como “àqueles que têm a desgraça de virar pri­sioneiros” ou o pedido de que a carta seja transmitida “a outros pelos meios que sua bondade lhes dite” (quase uma fórmu­la). Formas estranhas, lugares comuns que rompem o tom geral do escrito, mas que neste contexto adquirem novo significado pelo desconforto que produ­zem no leitor; a falta de “perfeição” do escrito incomoda, obriga a parar, a sair de uma leitura que se já não era cômoda pelo conteúdo agora é menos pelo des­conforto que sua forma produz.

Apesar dessas “desprolixidades”, Sarlo tem razão quando afirma que, na carta de Walsh, María Victoria morre de forma bela. “Estetizar a morte” poderia indicar uma ética duvidosa; a própria Sarlo insinua isso nesse artigo, algu­mas linhas antes: “Frente a Nunca más, parece quase frívolo escrever a palavra ‘estética’”; “estetizar a morte” seria algo diferente do “meio-tom contra o sensa­cionalismo36” que os sobreviventes dos campos argentinos usaram em suas de­clarações ao programa Nunca más.

Aqui eu gostaria de propor ou­tra possibilidade de ler essa carta. Qual é a especificidade do extermínio pro­duzido pelas ditaduras na América La­tina, em particular na Argentina, frente ao nazismo? A primera coisa que salta aos olhos é que aqui os assassinatos se voltaram contra militantes (trabalha­dores, estudantes, intelectuais ou sim­patizantes ou parentes): o que se tinha de destruir era um projeto de país (ou de mundo), uma utopia. E justamente porque os militantes tinham feito uma escolha de vida, justamente por isso, não podiam, na medida do possível, deixar-se capturar com vida (alguns carregavam uma cápsula de cianeto), porque sabiam que se fossem pegos com vida esperava-os a degradação moral e física, a animalização, a redu­ção a nada37. Walsh afirma em “Carta a meus amigos”: “em uma guerra dessas características, o pecado não era falar, mas sim sucumbir.”

Nesse sentido, talvez seja inte­ressante recordar George Bataille quan­do ele diz que a humanidade tem como objetivo dois fins em relação à vida: o primeiro é conservá-la; o outro, au­mentar sua intensidade; os dois não se contradizem, “mas a intensidade jamais aumenta sem perigo [...] a busca da in­tensidade requer que cheguemos até o mal-estar, até os limites do desfaleci­mento38”. No contexto de repressão dos anos 1970 se poderia pensar o suicídio como um ato último de “intensidade” e não como sacrifício, porque ainda se considerarmos que “o sacrifício ocupa na cidade um lugar elevado, relaciona-se com os desejos mais puros, mais santos, ao mesmo tempo [relaciona-se com os sentimentos] mais conservado­res (no sentido de sustento da vida e das obras)39. O suicídio como um ato de intensidade; o aproximar-se do Mal, da morte, em função da vida, – da Bios dos gregos, que é diferente da Zoé –, da vida “vivida” e não só conservada, acredito que seja nesse sentido que podem ser pensados os anos 1960/1970 e o gesto último de militantes como Paco Uron­do, Vicki e o próprio Walsh.

Mi hija estaba dispuesta a no entregarse con vida. Era una decisión madurada, razonada. Conocía, por infinidad de testimonios, el trato que dispensan los militares y marinos a quienes tienen la desgracia de caer prisioneros; el des­pellejamiento en vida, la mutilación de los miembros, la tortura sin límites en el tiempo ni en el método, que procura al mismo tiempo la degradación moral y la delación. *

Por isso acredito que nesses es­critos de Walsh, porque estamos diante do extermínio organizado no Estado, “onde a cotação por guerrilheiro abatido sobe mais rápido que o dólar”40, o des­prolixo, aquilo que “não fecha”, aquilo que incomoda, o fora de lugar, podem ser lidos como a impossibilidade de uma escrita adequada; esses “desvios” podem ser interpretados no marco da literatura de testemunho porque, re­tomando a afirmação de Primo Levi, “a nossa língua não tem palavras para expressar essa ofensa, a aniquilação de um homem”.

 

 

Graciela Foglia é doutora em Letras pela USP e professora de Filosofia da Universidade Federal de São Paulo.


As Cartas de Rodolfo Walsh

CARTA A VICKI

Querida Vicki. La noticia de tu muerte me llegó hoy a las tres de la tarde. Estábamos en reunión cuando empezaron a transmitir el comunicado. Escuché tu nombre, mal pronunciado, y tardé un segundo en asimilarlo. Maquinalmente empecé a santiguarme como cuando era chico. No terminé ese gesto. El mundo estuvo parado ese segundo. Después les dije a Mariana y Pablo: “Era mi hija”. Suspendí la reunión.

Estoy aturdido. Muchas veces lo temía. Pensaba que era excesiva suerte, no ser golpeado, cuando tantos otros son golpeados. Sí, tuve miedo por vos, como vos tuviste miedo por mí, aunque no lo decíamos. Ahora el miedo es aflicción. Sé muy bien por qué cosas has vivido, combatido. Estoy orgulloso de esas cosas. Me quisiste, te quise. El día que te mataron cumpliste 26 años. Los últimos fueron muy duros para vos. Me gustaría verte sonreír una vez más.

No podré despedirme, vos sabés por qué. Nosotros morimos perseguidos, en la oscuridad. El verdadero cementerio es la memoria. Ahí te guardo, te acuno, te celebro y quizás te envidio, querida mía.

Hablé con tu mamá. Está orgullosa en su dolor, segura de haber entendido tu corta, dura, maravillosa vida.

Anoche tuve una pesadilla torrencial, en la que había una columna de fuego, poderosa pero contenida en sus límites, que brotaba de alguna profundidad.

Hoy en el tren un hombre decía: “Sufro mucho. Quisiera acostarme a dormir y despertarme dentro de un año”. Hablaba por él, pero también por mí.

 

CARTA A MIS AMIGOS

Hoy se cumplen tres meses de la muerte de mi hija, María Victoria, después de un combate con las fuerzas del Ejército. Sé que la mayoría de aquellos que la conocieron la lloraron. Otros, que han sido mis amigos o me han conocido de lejos, hubieran querido hacerme llegar una voz de consuelo. Me dirijo a ellos para agradecerles, pero también para explicarles cómo murió Vicki y por qué murió.

El comunicado del Ejército que publicaron los diarios no difiere demasiado, en esta oportunidad, de los hechos. Efectivamente, Vicki era Oficial 2° de la organización Montoneros, responsable de la prensa sindical, y su nombre de guerra era Hilda. Efectivamente estaba reunida ese día con cuatro miembros de la Secretaría Política que combatieron y murieron con ella.

La forma en la que ingresó a Montoneros no la conozco en detalle. A la edad de 22 años, edad de su pro­bable ingreso, se distinguía por sus decisiones firmes y claras. Por esa época comenzó a trabajar en el diario La Opinión y en un tiempo muy breve se convirtió en periodista. El periodismo en sí no le interesaba. Sus compañe­ros la eligieron delegada sindical. Como tal debió enfrentar en un conflicto difícil al director del diario, Jacobo Timerman, a quien despreciaba profundamente. El conflicto se perdió y cuando Timerman empezó a denunciar como guerrilleros a sus propios periodistas, ella pidió licencia y no volvió más.

Fue a militar a una villa miseria. Era su primer contacto con la pobreza extrema en cuyo nombre combatía. Salió de esa experiencia convertida a un ascetismo que impresionaba. Su marido, Emiliano Costa, fue detenido a principios de 1975 y no lo vio más. La hija de ambos nació poco después. El último año de mi hija fue muy duro. El sentido del deber la llevó a relegar toda gratificación individual, a empeñarse mucho más allá de sus fuerzas físicas. Como tantos muchachos que repentinamente se volvieron adultos, anduvo a los saltos, huyendo de casa en casa. No se quejaba. Sólo su sonrisa se volvía un poco más desvaída. En las últimas semanas varios de sus com­pañeros fueron muertos; no pudo detenerse a llorarlos. La embargaba una terrible urgencia por crear medios de comunicación en el frente sindical, que era su responsabilidad.

Nos veíamos una vez por semana; cada quince días. Eran entrevistas cortas, caminando por la calle, qui­zás diez minutos en el banco de una plaza. Hacíamos planes para vivir juntos, para tener una casa donde hablar, recordar, estar juntos en silencio. Presentíamos, sin embargo, que eso no iba a ocurrir, que uno de esos fugaces encuentros iba a ser el último, y nos despedíamos simulando valor, consolándonos de la anticipada pérdida.

Mi hija estaba dispuesta a no entregarse con vida. Era una decisión madurada, razonada. Conocía, por infinidad de testimonios, el trato que dispensan los militares y marinos a quienes tienen la desgracia de caer pri­sioneros; el despellejamiento en vida, la mutilación de los miembros, la tortura sin límites en el tiempo ni en el método, que procura al mismo tiempo la degradación moral y la delación. Sabía perfectamente que en una guerra de esas características, el pecado no era hablar, sino caer. Llevaba siempre encima una pastilla de cianuro la misma con que se mató nuestro amigo Paco Urondo con la que tantos otros han obtenido una última victoria sobre la barbarie.

El 28 de setiembre, cuando entró en la casa de la calle Corro, cumplía 26 años. Llevaba en brazos a su hija porque a último momento no encontró con quien dejarla. Se acostó con ella, en camisón. Usaba unos absurdos camisones blancos que siempre le quedaban grandes.

A las siete del 29 la despertaron los altavoces del Ejército, los primeros tiros. Siguiendo el plan de defensa acordado, subió a la terraza con el Secretario Político Molina, mientras Coronel, Salame y Beltrán respondían al fuego desde la planta baja. He visto la escena con sus ojos: la terraza sobre las casa bajas, el cielo amaneciendo, y el cerco. El cerco de 150 hombres, los FAP emplazados, el tanque. Me ha llegado el testimonio de uno de esos hombres, un conscripto:

El combate duró más de una hora y media. Un hombre y una muchacha tiraban de arriba. Nos llamó la atención la muchacha, porque cada vez que tiraba una ráfaga y nosotros nos zambullíamos, ella se reía.”

He tratado de entender esa risa. La metralleta era una Halcón y mi hija nunca había tirado con ella aunque conociera su manejo por las clases de instrucción. Las cosas nuevas, sorprendentes, siempre la hicieron reír. Sin duda era nuevo y sorprendente para ella que ante una simple pulsación del dedo brotara una ráfaga y que ante esa ráfaga 150 hombres se zambulleran sobre los adoquines empezando por el coronel Roualdes, jefe del operativo.

A los camiones y el tanque se sumó un helicóptero que giraba alrededor de la terraza, contenido por el fuego.

De pronto – dice el soldado hubo un silencio. La muchacha dejó la metralleta, se asomó de pie sobre el parapeto y abrió los brazos. Dejamos de tirar sin que nadie lo ordenara y pudimos verla bien. Era flaquita, tenía el pelo corto y estaba en camisón. Empezó a hablarnos en voz alta pero muy tranquila. No recuerdo todo lo que dijo. Pero recuerdo la última frase; en realidad no me deja dormir. Ustedes no nos matan – dijo- nosotros elegimos morir. Entonces ella y el hombre se llevaron una pistola a la sien y se mataron frente de todos nosotros.”

Abajo ya no había resistencia. El coronel abrió la puerta y tiró una granada. Después entraron los oficiales. Encontraron una nena de algo más de un año, sentadita en una cama, y cinco cadáveres.

En el tiempo transcurrido he reflexionado sobre esa muerte. Me he preguntado si mi hija, si todos los que mueren como ella, tenían otro camino. La respuesta brota desde lo más profundo de mi corazón y quiero que mis amigos la conozcan. Vicki pudo elegir otros caminos que eran distintos sin ser deshonrosos, pero el que eligió era el más justo, el más generoso, el más razonado. Su lúcida muerte es una síntesis de su corta, hermosa vida. No vivió para ella, vivió para otros, y esos otros son millones. Su muerte sí, su muerte fue gloriosamente suya, y en ese orgullo me afirmo y soy quien renace en ella.

Esto es lo quería decir a mis amigos y lo que desearía que ellos transmitieran a otros por los medios que su bondad les dicte. (1977).

 


* A saudação desta anotação determinou que, em publicações anteriores, fosse considerada uma carta. Este original e o seguinte foram reconhecidos e res­gatados por uma sobrevivente do campo de concentração que funcionou na Escola de Mecânica da Armada.

** A verdade tem a estrutura de uma ficção onde outro fala [...] A proposta que eu chamaria de deslocamento, de distância. Sair do centro, deixar que a linguagem fale também na margem, no que se ouve, no que chega de outro.

*** Estávamos em reunião... quando começaram a transmitir o comunicado. Pensava que era muita sorte não ser golpeado, quando tantos outros são golpeados.

*** Perguntei-me se minha filha, se todos os que morrem como ela, tinham outro caminho. A resposta brota lá do fundo do meu coração e quero que meus amigos a conheçam. Vicki pode escolher outros caminhos que eram diferentes sem ser desonrosos, mas o que ela escolheu era o mais justo, o mais generoso, o mais ponderado. Sua lúcida morte é uma síntese de sua curta, linda vida. Ela não viveu para si, viveu para outros, e esses outros são milhões. Sua morte, sim; sua morte foi gloriosamente sua, e nesse orgulho me afirmo e sou eu quem renasce dela.

**** Minha filha estava disposta a não se entregar com vida. Era uma decisão pensada, ponderada. Ela conhecia, por uma infinidade de testemunhos, o trato que dispensam os militares e os da Marinha àqueles que têm a desgraça de virar prisioneiros; a esfoladura em vida, a mutilação dos membros, a tortura sem limites de tempo nem de método, que procura ao mesmo tempo a degradação moral e a delação.

 

Referências bibliográficas

BASCHETTI, Roberto (compilação e prólogo). Rodolfo Walsh, vivo. Buenos Aires: Ediciones de la Flor, 1994.

BATAILLE, George. La literatura y el mal. Ediciones elaleph.com. http://www.elaleph.com/libros.cfm?item=691710&style=biblioteca (24 jan. 09). A literatura e o mal. Trad. Antônio Borges Coelho. Lisboa: Passagens, 1998.

GONZÁLEZ, Horacio. “La idea de muerte en Argentina”. Retórica y locura. Para una teoría de la cultura argentina. Buenos Aires: Colihue, 2002.

LEVI, Primo. Deber de memoria. Buenos Aires: Libros del Zorzal, 2006.

___________. É isto um homem? Trad. Luigi del Re. Rio de Janeiro: Rocco, 1988.

PIGLIA, Ricardo. Tres propuestas para el próximo milenio (y cinco dificultades). Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2001.

SARLO, Beatriz. “Una alucinación dispersa en agonía”. Punto de vista, 21. Buenos Aires, 1984. Edição eletrônica comemorativa de 25 anos da revista.

URONDO, Beatriz e AMATO, Germán. Hermano, Paco Urondo. Buenos Aires: Nuestra América, 2007.

WALSH, Rodolfo. Ese hombre y otros papeles personales. Edição sob responsabilidade de Daniel Link. Buenos Aires: Seix Barral, 1996.

 

Notas

1 Montoneros: organização guerrilheira argen­tina, dos anos 1970.

2 PIGLIA, Ricardo. Tres propuestas para el próximo milenio (y cinco dificultades). Fondo de Cultura Económica, Buenos Aires, 2001.

3 GONZÁLEZ, Horacio. “La idea de muerte en Argentina”. Retórica y locura. Para una teoría de la cultura argentina. Buenos Aires: Colihue, 2002, p. 131.

4 Paco Urondo morreu em 17 de junho de 1976 e o primeiro dos documentos internos em que Walsh faz essa crítica data de agosto de 1976. Tais documentos podem ser lidos em BASCHETTI, Roberto. Compilação e prólogo. Rodolfo Walsh, vivo. Buenos Aires: Ediciones de la Flor, 1994, p. 206-240.

5 URONDO, Beatriz e AMATO, Germán. Hermano, Paco Urondo, Buenos Aires: Nuestra América, 2007, p. 272.

6 María Victoria Walsh: militante montonera, mor­reu em um confronto com o exército; ela e seus companheiros foram cercados por militares em uma operação; depois de algumas horas de com­bate, María Victoria e Molina, secretário político da organização, “encostaram uma pistola na têmpora e se mataram”. WALSH, Rodolfo. Edição sob responsabilidade de Daniel Link. Ese hombre y otros papeles personales. Buenos Aires: Seix Bar­ral, 1996, p. 246. Os detalhes dessa morte estão relatados na “Carta a meus amigos”, que comento neste trabalho mais adiante.

7 Montoneros organizava-se em colunas e/ou frentes de luta. Existiam as colunas Norte, Sul, Oeste, Regional 1 (Capital Federal).

8 BASCHETTI, Roberto. Rodolfo Walsh, vivo, cit. p. 187.

9 BASCHETTI, Roberto. Rodolfo Walsh, vivo, cit. p. 191.

10 Diferentemente dos escritos de Primo Levi, por exemplo, que afirma que É isto um homem? não foi escrito para fazer novas denúncias mas sim “para um sereno estudo de certos aspectos da alma humana”. LEVI, Primo. Trad. Luigi del Re. Rio de Janeiro: Rocco, 1988, p.7.

11 LEVI, Primo. É isto um homem? Rio de Janeiro: Rocco, 1988, p. 24.

12 Aqui não fica claro se ele se refere ao frag­mento que começa com a data “5/10” ou à carta dirigida a Emiliano Costa, seu genro. A versão dessa carta que consta na compilação feita por Baschetti não está separada por datas, difere na pontuação, e em nota de rodapé diz que “Walsh fez circular esta carta entre seus amigos”. Ro­dolfo Walsh, vivo, cit., p. 186. Aqui, os números de páginas nas citações correspondem à edição de Daniel Link. Ese hombre... , cit.

13 FOUCAULT, M. “A escritura de si”. In: MOTTA, Manoel Barros da (org.). Ética, sexualidade, política. Coleção Ditos e Escritos, Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006, p. 155.

14 “Carta a Vicki”, cit., p. 188.

15 PIGLIA, Ricardo. Tres propuestas... , cit., p. 37.

16 WALSH, Rodolfo. Ese hombre... , cit., p. 242.

17 “A marcha para a liberdade, dificuldades e perigos”, segundo consta na Bíblia Sagrada, Edição pastoral. São Paulo: Edições Paulinas, 1991.

18 Alberto Giordano refere-se a este as­pecto de Walsh em “Más acá de la literatura. Espiritualidad y moral cristiana en el diario de Rodolfo Walsh”. Agradeço a Mónica Bueno por haver-me cedido uma cópia do texto que foi lido pelo autor no Foro de Crítica Cultural na Universidade de San Andrés em 23/10/2008.

19 Resenha extraída de http://www.oferta-de-libros.com.ar/3462-columna-de-fuego (03/02/09).

20 Ver nota 7 deste texto. Em 1976 a Coluna Norte de Montoneros [...] “suscitou uma dissidên­cia de esquerda e foi controlada” pelo comando do Movimento Montonero. Ainda não se encontra suficiente informação sobre as colunas, no entanto pode-se consultar El caso Lanuscou Columna Norte. La Otra Historia, de Marisa Sadi, em http://elortiba.galeon.com/msadi.html (acesso em 12 abr. 2009).

21 WALSH, Rodolfo. Ese hombre..., cit., p. 241.

22 WALSH, Rodolfo. Ese hombre..., cit., p. 244.

23 BOUVET, N.E. La escritura epistolar. Bue­nos Aires: Eudeba, 2006, p. 43.

24 WALSH, Rodolfo. Ese hombre..., cit., p. 242.

25 BASCHETTI, Roberto (org.). Rodolfo Walsh, vivo, cit., p. 313.

26 MANGONE, Carlos. “Por algo será”. In: VINELLI, Natalia. Ancla. Una experiencia de comunicación clandestina orientada por Rodolfo Walsh. Buenos Aires: La Rosa Blindada, 2000, p. 9.

27 STEJILEVICH, Nora. El arte de no olvidar. Literatura testimonial en Chile, Argentina y Uruguay entre los 80 y los 90. Buenos Aires: Catálogos, 2006, p. 63.

28 BASCHETTI, Roberto (org.). Rodolfo Walsh, vivo, cit., p. 191.

29 “Os porta-vozes da ditadura continuam apresentando Vicki Walsh como uma mãe desatenta a ponto de expor sua pequena filha nos combates e seu pai (de Vicki) como perverso que celebra a desordem que Vicki provoca com as rajadas de uma metralhadora que dispara com atitude quase festiva.” JO­ZAMI, Eduardo. Rodolfo Walsh, la palabra y la acción. Buenos Aires: Grupo Editorial Norma, 2006, p. 345.

30 Além dos artigos já citados aqui, ver, por exemplo, trabalhos e bibliografia incluídos em AA.VV. El matadero. Ano 1, N0 1. Buenos Ai­res, Instituto de literatura argentina Ricardo Ro­jas. Faculdade de Filosofia e Letras, Universi­dade de Buenos Aires, 1998; AA.VV. Textos de y sobre Rodolfo Walsh, Buenos Aires: Alianza, 2000. MÈRCERE, Emiliana. “Apropiación de la voz del otro: Carta a mis amigos reescrita por True Peace. AA.VV. Rodolfo Walsh del policial al testimonio. Mar del Plata: Estanislao Balder, 2004.

31 GONZÁLEZ, Horacio. “La idea de muerte en Argentina”, cit., p. 142.

32 SARLO, Beatriz. “Una alucinación dis­persa en agonía”. In: Punto de vista, 21, p. 3. Neste artigo, Sarlo descreve o programa de televisão Nunca más, no qual as vítimas sobreviventes do extermínio militar relatavam suas experiências em um meio-tom, quase com pudor.

33 SARLO, Beatriz. “Una alucinación...”, cit. p. 3.

34 WALSH, Rodolfo. “2-0-12 no vuelve”. In: El violento oficio de escribir. Obra periodística 1953-1977. Edição sob responsabilidade de Daniel Link com prólogo de Rogelio García Lupo. Buenos Aires: Planeta, 1995, p. 21-29.

35 WALSH, Rodolfo. “2-0-12 no vuelve”, cit., p. 27.

36 SARLO, Beatriz. “Una alucinación...”, cit., p. 2.

37 Em uma entrevista, ao ser perguntado se havia suicídios no lager, Primo Levi responde que não e que sua “interpretação é que o suicídio é um ato humano; os animais não se suicidam e nos campos o ser humano tinha tendência a rebaixar-se à animalidade.” LEVI, Primo. Deber de memoria. Buenos Aires: Libros del Zorzal, 2006, p. 57.

38 BATAILLE, George. La literatura y el mal. Algumas citações são da versão on-line de Ediciones elaleph.com., http://www.elaleph.com/libros.cfm?item=691710&style=biblioteca (acesso em 24 jan. 2009), p. 111. O número de páginas corresponde a essa versão. Também acompanho a versão em português: A literatura e o mal. Trad. Antônio Borges Coelho. Lisboa: Passagens, 1998.

39 BATAILLE, George. La literatura y el mal, cit., p. 106.

40 BASCHETTI, Roberto. “Carta abierta de un escritor a la Junta militar”. In: Rodolfo Walsh, vivo, cit., p. 251.

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