Publicações

» Revista PUC Viva
loguinho_pucviva_novo

» Revista Cultura Crí-ti-ca
revista_puc_critica_logo

» Jornal PUC Viva
puc_viva_logo

» Twitter

twitter

» Facebook

facebook

» Youtube

youtube

» Vimeo

vimeo

 


Home >> Revista Cultura Crítica >> 08, Romance Regionalista, 2º semestre de 2008 >> Ramos de Oliveira na aridez de vidas secas

Ramos de Oliveira na aridez de vidas secas

APROPUC-SP 11.05.09

João Hilton Sayeg-Siqueira[1]

Escrevi um conto sobre a morte duma cachorra, um troço difícil, como você vê: procurei adivinhar o que se passa na alma duma cachorra. Será que há mesmo alma em cachorro? Não me importo. O meu bicho morre desejando acordar num mundo cheio de preás. Exatamente o que todos nós desejamos. No fundo todos somos como a minha cachorra Baleia e esperamos preás... (Rio de Janeiro, 07 de maio de 1937)

Ficção e realidade se fundem nas obras de Graciliano Ramos de Oliveira, desde seu nascimento em Quebrângulo (Alagoas), em 27 de outubro de 1892, até sua morte, em 20 de março de 1953, na cidade do Rio de Janeiro. Embora não seja a primeira, em Infância (1945) o autor faz uma análise da rudeza da família nordestina, aos olhos de um menino, com os percalços de sua convivência nela, plena de lembranças dolorosas. O mesmo caráter autobiográfico é encontrado em Memórias do cárcere (edição póstuma de 1953), retrospecto de sua passagem por prisões do Recife e do Rio de Janeiro, 1936 e 1937, durante a ditadura Vargas.
A primeira obra publicada foi Caetés (1933), romance que retrata costumes de uma cidade do interior alagoano, repleto de reminiscências de sua infância e juventude. O segundo romance foi São Bernardo (1934), repositório de vocábulos nordestinos e de expressões tiradas do cotidiano. Angústia (1936) é o terceiro romance, com personagens inspiradas em freqüentadores da fazenda Buíque (PE), de propriedade de seu pai. A quarta obra publicada, Vidas secas (1938), composta por 13 capítulos independentes, que podem ser lidos como contos ou juntos, como um romance, retrata a árdua vida na seca do Nordeste, o que fez parte das experiências vividas pelo autor.
Graciliano Ramos viveu parte de sua infância na fazenda de seu avô, onde conheceu não só a seca da terra mas também a seca interior das pessoas de sua convivência, como seus pais, pessoas rudes e secas com os filhos, não uma rudeza de conhecimento, como a de Fabiano, mas de coração. Pode-se considerar sua vida retratada na figura do menino mais velho que, assim como ele, era o filho mais velho. Um dia teve também a curiosidade de saber sobre o inferno e, da mesma forma, levou uns safanões de sua mãe, não que ela não soubesse se explicar como sinhá Vitória, mas porque não tinha paciência com o próprio filho. Outra figura resgatada é a da negra Vitória, empregada de seu avô, que servia de refúgio quando seus pais queriam castigá-lo e que, assim como sinhá Vitória, dormia em uma cama de varas. A recordação do pobre mendigo Venta-Romba que sofreu a mesma humilhação de Fabiano ao ser preso injustamente e que, por não ter a chance de poder se explicar, acabou espancado como ele e jogado em uma cela.
Não só pessoas da convivência de Graciliano Ramos estão presentes no rescaldo de suas obras, mas também as personagens que vão sendo retomadas, reelaboradas e enriquecidas com outros traços retratadores da problemática da seca e da opressão social no Nordeste do Brasil. João Valério, narrador de Caetés, deflagra a existência de Paulo Honório, narrador de São Bernardo. Na mesma esteira, Maria Luisa, que em Caetés pratica adultério, retrata-se em Madalena, de São Bernardo, que chega ao limite da tragédia, por meio da alusão de um suicídio. Ainda em Caetés, tem-se Evaristo Barroca, o calculista que serve de matriz para o espaventado Julião Tavares de Angústia. Por fim, os caboclos anônimos e soturnos de Caetés, que esboçam a configuração do vaqueiro Fabiano de Vidas secas.
Entre os romances supracitados, Vidas secas se diferencia, por ser uma narrativa em terceira pessoa, predominando o discurso indireto livre, o que possibilita vasculhar o mundo interior e introspectivo dos personagens, já que esses não têm o domínio da linguagem necessária para estabelecer a comunicação.

"Sinhá Vitória estirou os beiço indicando vagamente uma direção e afirmou com alguns sons guturais que estavam perto.[...] Sinhá Vitória aprovou esse arranjo, lançou de novo a interjeição gutural, designou os juazeiros invisíveis. (10)"

Os juazeiros invisíveis como as palavras, apenas grunhiam e estalavam, como os bichos e como a natureza:

"... berro de rês perdida na caatinga. (11) Despertara-a [sinhá Vitória] um grito áspero, vira de perto a realidade e o papagaio que andava furioso, [...] ele era mudo e inútil . Não podia deixar de ser mudo. Ordinariamente a família falava pouco. (11) (...) [Fabiano]... sentiu desejo de cantar. A voz saiu-lhe rouca, medonha. Calou-se para não estragar força. (12) (...) E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro (o cavalo) entendia. (19) (...) Às vezes utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos - exclamações, onomatopéias. Na verdade falava pouco. Admirava as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas. (20)"

Há uma simbiose entre a natureza e as personagens, por isso, o cenário e os protagonistas gozam do mesmo destaque, e estes, muitas vezes, não passam de meros figurantes de uma história secundária, arrastada e arranjada aleatoriamente em capítulos: aqui ou acolá a paisagem é agreste, as personagens, rudes e as vidas, secas.

"Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco (...) Arrastaram-se para lá, devagar, sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano Sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás. (...) A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso (9) (...) E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande. (10) (...) Caminhavam bem três léguas antes que a barra do nascente aparecesse. Fizeram alto. E Fabiano depôs no chão parte da carga, olhou o céu, as mãos em pala na testa. Arrastara-se até ali na incerteza de que aquilo fosse realmente mudança (117) (...) Os mandacarus e os alastrados vestiam a campina, espinho, só espinho. (118) (...) A manhã, sem pássaro, sem folhas e sem vento, progredia num silêncio de morte. (...) Sinhá Vitória precisava falar. Se ficasse calada, seria como um pé de mandacaru, secando, morrendo. (119)"

Como é possível observar, trechos da narrativa podem ser seqüenciados, juntando o começo e o fim, sem que os apagamentos prejudiquem o entendimento da história que se constrói por si só nas lacunas áridas de um solo intermitente de ossada, de mandacarus, de espinhos e de pessoas-bicho. A fauna, a flora, a cachorra Baleia, a caatinga, os humanos sobrevivem do e no mesmo solo vermelho e rachado pelo sol escaldante. Fabiano é o próprio retrato da natureza.

"Na planície avermelhada... (9) (...) ... o céu ...  azul terrível, aquele azul que deslumbrava e endoidecia a gente. (13) (...) [Fabiano] Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos. ... (18) (...) Olhou as quipás, os mandacarus e os xique-xiques. Era mais forte que tudo isso, era como as catingueiras as baraúnas. Ele, sinhá Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia estavam agarrados à terra. (19)"

Fabiano é o próprio sertão, seco, rude, vermelho e de olhos azuis que faiscavam. Sinhá Vitória gerou no ventre os filhos de Fabiano, os filhos da caatinga: o menino mais velho e o menino mais novo; que não tinham nome, ao contrário da cachorra Baleia que, além de nome, era muito mais humanizada: generosa, solidária e humildemente gentil (não há na literatura em língua portuguesa, história mais triste do que a da Baleia).

"O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás. (...) O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão. / - Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai. / Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. (9) (...) O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, (10) (...) Ausente o companheiro, a cachorra Baleia tomou a frente do grupo. Arqueada, as costelas à mostra, corria ofegando, a língua fora da boca. E de quando em quando se detinha, esperando as pessoas, que se retardavam. (11) (...) Nesse ponto Baleia arrebitou as orelhas, arregaçou as ventas, sentiu cheiro de preás, farejou um minuto, localizou-os no morro próximo e saiu correndo. (13) (...) Iam-se amodorrando e foram despertados, que trazia nos dentes um preá. (...) Aquilo era caça bem mesquinha, mas adiaria a morte do grupo. (...) Baleia, o ouvido atento, o traseiro em repouso e as pernas da frente erguidas, vigiava, aguardando a parte que lhe iria tocar, provavelmente os ossos do bicho e talvez o couro. (14)"

Já Fabiano mais se assemelhava a um bicho, e, em repentes de consciência, conseguia, mesmo que superficialmente, analisar sua condição de nordestino sofrido e oprimido, pela natureza e pela sociedade:

"Os calcanhares, duros como cascos, gretavam-se e sangravam (12) (...) Pisou com firmeza no chão gretado, puxou a faca de ponta, esgaravatou as unhas sujas. / (...) - Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta. / Conteve-se... E, pensando bem, ele não era um homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. ... vivia em terra alheia, cuidava de animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra. (...) frase imprudente. Corrigiu-a murmurando: / - Você é um bicho, Fabiano. / Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho, capaz de vencer dificuldades. / - Um bicho, Fabiano. (18) (...) Deu estalos com os dedos. A cachorra Baleia, aos saltos, veio lamber-lhe as mãos grossas e cabeludas. Fabiano recebeu a carícia, enterneceu-se: / - Você é um bicho, Baleia. (19)"

E essa era a sina de Fabiano: tornar-se cabra, guardando coisas alheias e se curvando diante dos brancos. A família de retirantes do sertão das Alagoas que, para fugir da seca, viajou léguas atrás de um lugar para ficar, alimentou-se do papagaio, ave que pouca serventia tinha, pois não falava, apenas aboiava, tangendo um gado inexistente, e latia arremedando a cachorra (11), finalmente encontrou um lugar para ficar, uma fazenda abandonada em razão da seca.

"Eram todos felizes. Sinhá Vitória vestiria uma saia larga de ramagens. A cara murcha de sinhá Vitória remoçaria, as nádegas bambas de sinhá Vitória engrossariam, a roupa encarnada de sinhá Vitória provocaria a inveja das outras caboclas. [...] Os meninos se esponjariam na terra fofa do chiqueiro das cabras. (15-16)"

Sinhá Vitória, pele vermelha assim como o marido, pés espalmados, chatos e largos, motivo de deboche por parte do marido que a comparava com o pobre do papagaio, era uma mulher com um pouco mais de sabedoria, pois sabia fazer contas, que não adiantavam muito, pois o patrão sempre acabava enganando Fabiano. Sinhá Vitória tudo aceitava, era paciente, trabalhadora, mas tinha um sonho: ter uma cama de lastro de couro como a do seu Tomás da Bolandeira.

"Olhou o chão, concentrada, procurando recordar-se, viu os pés chatos, largos, os dedos separados. (42) (...) Olhou de novo os pés espalmados. Efetivamente não se acostumava a calçar sapatos, mas o remoque de Fabiano molestara-a. Pés de papagaio. Isso mesmo, sem dúvida matuto anda assim. (...) Olhou os pés novamente. Pobre louro. Na beira do rio matara-o por necessidade, para sustento da família. (43)"

Os dois meninos não tinham nomes eram apenas O menino mais velho e O menino mais novo. O menino mais velho era magrinho, de dedos finos, tinha curiosidade de saber as coisas, por isso, quando escutou sinhá Terta referir-se ao inferno começou a interrogar a mãe, que lhe disse vagamente tratar-se de um lugar ruim; recorreu ao pai, mas esse não entendeu sobre o que ele perguntava; retornou à mãe e tal foi sua insistência que acabou levando um cocorote.

"Fabiano dizia que na serra havia tocas de suçuaranas. E nos bancos de macambira, rendilhados de espinhos, surgiam cabeças chatas de jararacas. (...) O inferno devia estar cheio de jararacas e suçuaranas, e as pessoas que moravam lá recebiam cocorotes, puxões de orelhas e pancadas com bainhas de faca. (...) Sentiu-se fraco e desamparado, olhou os braços magros, os dedos finos, pôs-se a fazer no chão desenhos misteriosos. (61)"

Graciliano Ramos envereda pelo caminho crítico e irônico das crenças, dos mitos, da realidade e das condições do povo do nordestino: vivendo num calor escaldante, bebendo água salobra, pisando um chão em brasas com pés que mais parecem cascos, sentindo-se cabra, recebendo cocorotes, puxões de orelhas e sendo cutucado com a bainha da faca de ponta. Onde é o inferno?!
O menino mais novo, com a mesma aparência física do irmão, queria ser vaqueiro como o pai, que lhe causava grande admiração.

"A idéia surgiu-lhe na tarde em que Fabiano botou os arreios na égua alazã e entrou a amansá-la. Não era propriamente idéia: era o desejo vago de realizar qualquer ação notável que espantasse o irmão e a cachorra Baleia. (47) (...) Daí marchou para o chiqueiro - e o projeto nasceu. / (...) A égua alazã e o bode misturavam-se, ele e o pai misturavam-se também. (49) (...) Trepado na ribanceira, o coração aos baques, o menino mais novo esperava que o bode chegasse ao bebedouro. (...) Sentou-se indeciso. O bode ia saltar e derrubá-lo. (50) (...) Aí o bode se avizinhou e meteu o focinho na água. O menino despenhou-se da ribanceira, escanchou-se no espinhaço dele. / Mergulhou no pelame fofo, escorregou, tentou em vão segurar-se com os calcanhares, foi atirado para frente, (...) deu um salto mortal, passou por cima da cabeça do bode, aumentou o rasgão da camisa numa das pontas e estirou-se na areia. (...) Olhou com raiva o irmão e a cachorra. Deviam tê-lo prevenido. Não descobriu neles nenhum sinal de solidariedade: o irmão ria como um doido, Baleia, séria, desaprovava tudo aquilo. (51-52)"

Baleia era tratada como parte da família, esperta e sempre presente, acompanhando Fabiano, brincando com os meninos ou prestando atenção em sinhá Vitória, esperando por seu quinhão. Porém um dia ficou doente e como eles não sabiam o que ela tinha, resolveram que deveria morrer, pois poderia passar a doença para um deles, assim, Fabiano com dor no coração, atirou na pequena Baleia que tentou de todas as formas se desvencilhar, mas acabou levando um tiro nas patas traseiras. Mesmo assim, conseguiu correr mato adentro, onde acabou morrendo, sonhando com um lugar repleto de preás que ela iria se fartar de comer, onde certamente estaria Fabiano, sinhá Vitória e os meninos.

"Baleia encostava a cabecinha fatigada na pedra. A pedra estava fria, certamente sinhá Vitória tinha deixado o fogo apagar-se muito cedo. / Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se esponjariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes. (91)"

Fabiano era enorme, só no delírio de morte de Baleia ou na admiração do menino mais novo. Fabiano, vaqueiro, um dia foi à cidade fazer compras para a fazenda, entrou no bar do seu Inácio e tomou uns goles a mais. Um soldado que lá se encontrava convidou-o para jogar, o que logo aceitou, porém, começou a se lembrar da mulher e dos filhos. Arrependeu-se e se retirou sem se despedir, o que deixou o soldado irritado. Perseguiu-o e provocou-o, o pobre homem acabou xingando a mãe do soldado. Este, irritado, chamou todo o destacamento para prendê-lo. Na cadeia, Fabiano foi espancado e, por não conhecer bem as palavras, não compreendeu a acusação recebida.

"Difícil pensar. Vivia tão agarrado aos bichos (...) Nunca vira uma escola. Por isso não conseguia defender-se, botar as coisas nos seus lugares. / O demônio daquela história entrava-lhe na cabeça e saía. Era para um cristão endoidecer. Se lhe tivessem dado ensino, encontraria meio de entendê-la. Impossível, só sabia lidar com bichos. (35)"

Fabiano vivia agarrado aos bichos e era um bicho. O acontecido fez com que ele se sentisse cada vez mais um animal, ou até pior que isso, pela humilhação que havia passado. O tempo passou e, numa festa de Natal na cidade, Fabiano acabou por reencontrar o soldado amarelo. Teve a oportunidade de matá-lo, mas Fabiano não era um assassino, era um homem de bem, de bom coração que pensava em sua mulher, em seus filhos e até na pequena Baleia. Enfim, era um homem simples, endurecido pela seca, como o solo onde havia sido criado.
A sorte de Fabiano não se alteraria só porque estava vivendo uma época de bonança, pois, como ao destino apraz, a seca voltou. O patrão abandonou novamente a fazenda, Fabiano e sinhá Vitória, temendo a volta dos pássaros de arribação, o que causava medo, juntaram o pouco do que sobrou e partiram de madrugada por ser mais fresco. Saíram à procura de um lugar melhor para acabarem de criar os filhos; um lugar onde eles possam estudar e aprender coisas úteis. Os dois ficariam velhinhos, acabando-se como uns cachorros inúteis. Acabando-se como Baleia? Que iriam fazer? Uma coisa eles sabiam: um dia chegariam a uma terra desconhecida, civilizada e ficariam presos nela. E o sertão continuaria a mandar gente como eles, fortes e brutos, para a cidade, em busca de uma vida melhor.

"Pouco a pouco uma vida nova, ainda confusa, se foi esboçando. Acomodar-se-iam num sítio pequeno, o que parecia difícil a Fabiano, criado solto no mato. Mudar-se-iam depois para uma cidade, e os meninos freqüentariam escolas, seriam diferentes deles. (125-126)"

... estudar o interior duma cachorra é realmente uma dificuldade quase tão grande quanto sondar o espírito dum literato alagoano. Referindo-me a animais de dois pés, jogo com as mãos deles, com os ouvidos, com os olhos. Agora é diferente. O mundo exterior revela-se a minha Baleia por intermédio do olfato, e eu sou um bicho de péssimo faro. Enfim parece que o conto está bom, você há de vê-lo qualquer dia no jornal.(Rio de Janeiro, 07 de maio de 1937)


Nota
1. Colaboraram: Emanuel Cardoso-Silva, professor Doutor do Curso de Letras - Faculdade Alfa, Praia Grande, SP; e Cleusa Andrade Duarte
Formada em Letras - Faculdade Alfa, Praia Grande, SP



Bibliografia
MIRADOR Enciclopédia. Enciclopédia Britânica do Brasil Publicações Ltda.
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2004.
____. Infância. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2004.
____. Cartas. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2004.
João Hilton Sayeg-Siqueira Professor Doutor, Titular do Programa de Pós-graduação em Língua Portuguesa - PUC-SP
  Voltar PDF  Versão em PDF E-mail  Encaminhar Imprimir  Imprimir

tv_apropuc3

Clique acima!
Apropuc no Youtube.

Busca

Enquete

O que você acha da implementação do ensino à distância na PUC SP?