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A tragédia de Canudos

APROPUC-SP 03.03.09

Ricardo Melani

Resenha-ensaio da peça
Os Sertões: A luta II - O Desmassacre, dirigida por Zé Celso
[1]


Resenhar a peça Os Sertões: A luta II - O Desmassacre, de Zé Celso, é por si só uma tarefa ingrata. A multiplicidade de sentidos presente no palco, durante as quase seis horas de duração da representação teatral, é um obstáculo quase intransponível para o registro da riqueza da obra em palavras. Afinal, o teatro é muito mais do que palavras, muito embora, na maioria dos casos, não possa prescindir delas. Então, esse texto só pode se limitar a ser uma visão parcial e, portanto, reducionista desse trabalho artístico. Um retrato de um filme. Um instante de um movimento. Um possível dentre possíveis.
Em grande medida, a complexidade da peça está na confluência de duas referências que acompanham toda a obra. Por um lado, Zé Celso se apóia em um fato de primeira envergadura da nossa história: a Guerra de Canudos.[5] Melhor dizendo, apóia-se em uma obra-prima da nossa literatura, Os Sertões, de Euclides da Cunha, que descreve, de maneira singular pela vivacidade e por seu estilo de linguagem, os acontecimentos de Canudos[2] . Portanto, a peça é sobre um tempo e um lugar determinados e, principalmente, sobre gente. Pessoas de carne e osso que, antes de serem personagens do teatro, os são da história. Assim, é imanente à obra artística a história de Canudos, com todas as suas vicissitudes e contingências.
Por outro lado, uma segunda referência recorrente é a tragédia antiga. A Guerra de Canudos é contada por meio das características da tragédia; dessas, os aspectos apolíneo e dionisíaco se intercambiam e interpenetram durante o transcorrer da apresentação. Claro está que esses elementos já estão presentes na obra de Euclides, mas eles são ressaltados e enaltecidos no palco. Eles são desvelados ou revelados como protagonistas, e não como personagens secundários.
A relação entre essas duas alusões, que fundam o espetáculo, o torna poderoso. Ele é enérgico, intenso, na medida em que apreende do particular, um fato histórico, a alma do universal, as características da tragédia; ou o seu correspondente inverso: o universal se materializa no particular do trágico brasileiro. Ora a originalidade nacional, ora o comum do ser humano, ou ambos, como se vê na maioria das cenas, são enaltecidos nas vozes dos personagens.

EUCLIDES E AS VÍSCERAS BRASILEIRAS

No século XX, principalmente na sua primeira metade, muitos intelectuais e escritores brasileiros de grande porte preocuparam-se com a busca por uma identidade nacional. Eles colaboraram com seu quinhão para desvendar os traços originais e problemáticos do povo brasileiro e do próprio Brasil. Desse tecido, contam-se as linhas de um Sérgio Buarque de Holanda, com Raízes do Brasil (1935), de um Gilberto Freyre, com Casa Grande e Senzala (1933), e de um Caio Prado Júnior, com Formação do Brasil Contemporâneo (1942); mas, também conta-se o investigar ficcional de Graciliano Ramos, em Vidas Secas (1938), de Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas (1956), entre outros. As veias do povo brasileiro, como rios que dão vida à terra do Pau Brasil, ressaltaram e ressaltam nesses escritos.
Euclides pode ser considerado como um precursor dessa busca. Ele é um pré-moderno que indica e, por vezes, ultrapassa o moderno, na sua atualidade. Os Sertões (1902) une a realidade ao ficcional das palavras trabalhadas para talhar o Brasil e o brasileiro. Euclides foi um estudioso que se apoiou em teorias geográficas e sociológicas, e principalmente na sua sensibilidade de escritor para tentar explicar a realidade singular-nacional, para tentar "desvendar o mistério da terra e do homem brasileiro" [3]. Evidentemente, nesse explicar estava presente a sua formação ideológica - marcada pela formação militar, pelo positivismo e pelo republicanismo. No entanto, o contato direto com a situação e os acontecimentos da guerra fez com que Euclides percebesse que Canudos não era um foco monarquista, como se divulgava; tratou, então, de examinar essa sociedade complexa, ao mesmo tempo em que denunciou o massacre. Os Sertões é o registro dessa análise e dessa denúncia.
Não é à toa que Euclides divide sua principal obra em três seções: A Terra; O Homem; e A Luta. Na primeira, ele trata de maneira extensa de uma série de conhecimentos que guardam relação de unidade entre si. A partir da geografia, da geologia, da botânica, mas também da história e do folclore, Euclides elabora narrativas que encaminham paulatinamente o leitor para os acontecimentos da guerra. A visão euclidiana, que também é a do leitor, em um primeiro momento, é direcionada do geral para o particular, de maneira tal que o olhar sobre Canudos é antecedido pelo olhar mais geral da topografia e do clima brasileiros. A topografia e o clima são o substrato do homem brasileiro. Euclides personifica a terra. Dá voz a ela como responsável e determinante da realidade humana.

...o martírio da terra se reflete no do homem; o flagelo do clima, no espancamento do sertanejo pelas canículas ou ainda a sugestiva imagem vegetal da degola extraída do Melocactus bahiensis, popularmente conhecido como "coroa de frade", reflete-se naquele sacrifício humano, a degola, que tanto aterrorizou os conselheiristas no final da guerra. Ademais, o pior desastre desse final, a destruição de Canudos, espelha a catástrofe do cículo vicioso das secas. (Bernucci, pp. 16-7)

A seção O Homem inicia-se pela afirmação da formação étnica do povo brasileiro a partir das suas três raças basilares. Esse movimento compreende, a princípio, um olhar panorâmico sobre o índio, o português e o negro, mas logo centra seu foco no sertanejo. O sertanejo é um dos tipos brasileiros que encarnam a singularidade nacional e, em certa medida, sintetizam a mestiçagem e a simbiose do meio com o humano. Se Euclides personificou o meio físico, em jogo dialético, também "terraficou" o personagem. Para ele, em grande medida, a psicologia do homem se consubstancia na geografia, no solo e no clima. Os dois pólos dessa relação (o homem e a terra) são sustentados por uma visão de caráter naturalista. A natureza é o elo no qual se perde a linha divisória entre os dois.
Para Euclides, o sertanejo é um forte de aparência fraca:

O sertanejo é, antes de tudo, um forte... A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance da vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas.
É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasimodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente (...) É homem permanentemente fadigado... Entretanto, toda esta aparência e cansaço ilude... Basta o aparecimento de qualquer incidente exigindo-lhe o desencadear das energias adormecidas. O homem transfigura-se... reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias.[4]

O sertanejo é produto da adversidade do solo e do clima. O sertanejo sobrevive porque é uma raça forte. Sua pele, seu corpo e sua psicologia estão naturalmente preparados para suportar a seca.
Essa capacidade de resistência é central no transcorrer de vários episódios de A Luta. Essa seção, terceira de seu livro, é uma descrição dos conflitos físicos e bélicos propriamente ditos da Guerra de Canudos . Impressionou na época o rechaço dos consellheiristas às investidas das expedições do exército. Com pedras, paus e armas rústicas, os guerreiros de Canudos enfrentaram, várias vezes com sucesso, batalhões numericamente superiores e poderosamente armados. Ao final, o desastre da ação sanguinária promovida pelo exército. A denúncia de um massacre:

Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgodamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas:um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados (Sertões, p. 778).

OS DOIS CAMINHOS SE TORNAM UM

A segunda referência importante da peça apontada no início deste texto é a tragédia. Quais são as características da tragédia grega presentes na encenação de Os Sertões? São, principalmente, as que deram origem à própria tragédia. Nesse aspecto, os primeiros escritos de Nietzsche  são um ponto de apoio teórico revelador. Para ele, seguindo os passos de Schopenhauer, a arte é o único conforto  na catastrófica trajetória individual do ser humano, marcada pela dor, pelo sofrimento e pela destruição. O indivíduo em contraposição à vontade cega da natureza é dilacerado. Seu destino é um mero instrumento de manifestação da espécie.
Somente a ilusão gerada pela arte confere ao indivíduo a capacidade de resistir diante da aterradora verdade do absurdo da dor, da morte e da inutilidade da sua existência. A arte clássica grega exprimiu nos deuses Apolo Olímpico e no estrangeiro Dionísio[7]  dois caminhos de apaziguamento. Apolo, ou a arte apolínea, por meio da exaltação da beleza, das imagens de perfeição, dos feitos heróicos de nobres, induz o homem ao sonho olímpico, no qual a miséria da realidade é esquecida. Porém, o horror da existência não deixa de se revelar no sonho. Então, a ira, a revolta, o furor de Dionísio, assim como a sublimidade orgíaca, tornam-se a única arma de defesa contra o medo e a tristeza.
A tragédia grega surge como uma espécie de síntese dessas duas tendências. Ela é uma espécie de simbiose entre a beleza e a verdade. Ésquilo e Sófocles são dois representantes máximos dessa modalidade artística. Em suas peças, o dionisíaco é semicontrolado pelo apolíneo. A verdade da vontade vital é em parte camuflada, em parte, revelada. Portanto, se o dionisíaco é semicontrolado pelo apolíneo, por sua vez, o apolíneo é ferido pelo dionisíaco. Ou seja, a tragédia não pára na beleza estética. O que caracteriza a tragédia grega é exatamente a relação entre esses dois pólos em constante conflito e aproximação, em uma relação de interdependência. Não é à toa que Nietzsche[6] localiza em Eurípides a degeneração da tragédia, pois nas obras desse dramaturgo há o predomínio do apolíneo. A razão se sobrepõe à emoção ou à pulsão instintiva. Eurípides teria inaugurado uma estética racionalista - cada parte da obra teatral deveria passar pelo tribunal da razão lógico-formal. Tal procedimento teria como conseqüência a perda da magia e o desequilíbrio entre as duas tendências que inauguram a própria tragédia.

O DESMASSACRE: A RESISTÊNCIA É ETERNIZADA

A Luta II - O Desmassacre é uma das cinco peças de Os Sertões dirigidas por Zé Celso. Trata-se de um movimento desenvolvido há seis anos, no qual a obra de Euclides da Cunha foi trabalhada, devorada e recriada. Essa recriação começa pelo próprio contexto atual do Teatro Oficina. O que deu origem à primeira montagem de Os Sertões foi a idéia de uma metáfora: há muito tempo, o Teatro Oficina tem sua existência ameaçada por interesses imobiliários, mais especificamente pela possível construção de um shopping do Grupo Sílvio Santos no mesmo local do teatro; assim, a resistência dos artistas e do público em geral contra o fim do Oficina, contra a força do poder econômico e pela construção de um lugar público de cultura é assemelhada à luta dos sertanejos conselheiristas contra o poder bélico do exército e o poder político dos republicanistas na Guerra de Canudos.
A peça tem início já na entrada do teatro. A encenação começa na rua Jaceguai, centro de São Paulo, com cenas de ação do "exército" que envolvem o público e transeuntes. Sob a voz de comando do tenente Pires Ferreira, há a conclamação da luta em defesa da República:


Eu, Tenente Pires Ferreira
Herói de Guerra e desta Feira!
Paulista!
Brado: Abaixo a Monarquia Terrorista!
(apontando o telão)
Vejam que imagens indecentes
usadas neste Teatro Oficina, este antro de Monarquistas doentes!
Dizem ser arte, Os Sertões, nessa mentirosa encenação!
Aproveitando-se da nossa derrota na terceira expedição,
pretendem mais, se expandir por todo quarteirão,
nos privando do progresso do Shopping do Minhocão!
Nesta manifestação pelos Humanos Direitos de Propriedade,
Da República agonizante clamemos: às armas povo desta cidade!
Vejam: a República está a perigo. É preciso salvar a República![8]

Desde o início, o público é participante do imaginário teatral, e a Guerra Canudos é revivida, reencarnada, atualizada no ato da representação. A solicitação de participação da platéia continua durante todo o espetáculo. O teatro é transformado em um centro de operação da guerra. Muitos dos espectadores atuam ao lado dos mais de cinqüenta atores. Em determinadas cenas, todo o espaço de encenação é tomado por múltiplas e diversas ações, ora coordenadas entre si, ora de caráter independente. Assim, em proporções mais reduzidas, são lembrados ou referidos os rituais orgiásticos e os festivais atenienses de representação.
O apolíneo e o dionisíaco passeiam durante o transcorrer da história trágica dos sertanejos de Canudos. O primeiro assume as vestes da ordem e da razão pela palavra dos militares. O ímpeto republicanicista está apoiado na aparência do discurso enganador. Sob a alegação de que Canudos é um pólo de resistência monarquista, os oficiais exortam à guerra e à destruição. Clamam à ordem positivista contra o caos conselheirista. Sob a patrulha do progresso e da civilização, difamam como retrógrados e bárbaros os interesses dos sertanejos rebelados.
O dionisíaco está sobretudo na força da natureza e, por extensão, no sertanejo, que encarna o homem apegado à natureza. Sua capacidade de resistência está relacionada à integração-na-adversidade com o clima e a terra. Na terra, o homem deixa de ser apenas um indivíduo e passa a ser força instintiva e integrativa de uma totalidade maior. É essa força instintiva que se levantou e resistiu às investidas de poderosos batalhões do exército brasileiro.
A força instintiva, por vezes, é particularizada no desejo sexual, e ameaça constantemente a postura controlada e racional dos soldados. Desequilibra a lógica formal que é a espinha dorsal da disciplina e da ordem, aspectos fundamentais de coesão das forças do exército.

CANTADORAS ZABANEIRAS
(tentando seduzir os Soldados e fazer de Monte Santo uma Capua; mas se estes cederem à sedução das gatas no cio, General Barbosa chia.)
As tropas romanas desmoronavam
Aí em Capua demoravam,
lugar cheio de delícias,
ninguém queria deixar
Ai Ai Ai...
Ah ! Pro descanso do guerreiro
SOLO
Fodia-se
SOLO
soldava-se
(fazem sinal de $)
o dia inteiro
ZABANEIRAS
(decepcionando-se)
Monte Santo, que inversão
Ninguém trepa, e o tesão ?
Zabaneira
Que brocheira
Ninguém paga,
Tudo caga,
Não vai nem de graça
(decidem fazer uma orgia de mulheres, entre si e as do público; sugestão: sauna gay para mulheres; procuram as mulheres do público, provocam os homens, viram Dragoas com Línguas de Fogo Sexuais desafiando a fúria Machista dos São Jorge)
Rala o grelo Zabaneira
Rala o grelo Zabaneira
No meu grelo brincadeira

Rala o grelo Zabaneira
Rala o grelo Zabaneira
No meu grelo brincadeira

a fome até passa
Zabaneira meu inferno
(tocando a boceta)
queima, neste afago terno,
gozo como o pai eterno !
(quase gozando)

GENERAL BARBOSA
Vocês já nasceram queimadas,
pombas putas desgraçadas.
ZABANEIRAS
Aqui vocês bocejam,
Nós bocetamos
Vocês desassossegam
Nós valentgozamos.
(Gozam descaradamente)
GENERAL BARBOSA
Fuzilaria, preparar!
(Os soldados guardam as trouxas do soldo e apanham as armas)
Atirar!
ARTHUR OSCAR
Não!!!
(com gravidade e respeito, com medo que Barbosa faça uma loucura)
Hoje é dia dos namorados !
ZABANEIRAS
General, nem assim serão recompensados !
Marcam passo, marcam toca
diante do inimigo,
nosso amigo,
nem vos ligo.
(saem putas atrás do(a)s amantes sertanejo(a)s)
ALFERES WANDERLEY
(para os Oficiais, desesperado por esta perda do elenco)
Perdemos as Zabaneiras !
CABO VIADO
Vamos comer o Pires Ferreira !
GENERAL BARBOSA
Fuzilamento !
ARTHUR OSCAR
(sem saber o que fazer, manda a tropa dispersar)
Dispersar! [9]

A peça é desenvolvida no jogo entre essas duas tendências artísticas e humanas. Evoca a denúncia do massacre, mas afirma a força da resistência. Propicia analogias temporais e atemporais. Contrapõe ao grandioso,o ridículo; à verdade, a verossimilhança; à dor, o prazer; à razão, a emoção.
A peça, nessa multiplicidade de significados e possibilidades, revela, antes de tudo, que Canudos não só não se rendeu: Canudos não morreu! Embora os conselheiristas tenham sido chacinados, o massacre de Canudos eternizou a resistência, o desmassacre, como um grito que ecoa para além do fato histórico. A prova disso é a existência (resistência) da obra-prima literária Os Sertões e a própria encenação da peça. Na denúncia de Euclides da Cunha, estava a poesia do humano-brasileiro que Zé Celso rebatizou como humano-humano, Rocha Viva da atualidade.

Removendo
a nacionalidade,
a personalidade,
a superfície,
rocha surge nua
frágil pedra
onde a alma viva medra...[10]


 Notas

1 Alguns dados da ficha técnica - direção e dramaturgia: José Celso Martinez Corrêa; diretora-assistente: Camila Mota; conselheira: Catherine Hirsch; encenação: Oficina Uzyna Uzona; música: criação coletiva; direção de sound design: Rodolfo Dias Paes; direção de arte: Osvaldo Gabrielli; figurino: Sônia Ushiyama e Silvia Moraes; iluminação: Irene Selke, Ivan Andrade e Ricardo Morañez; direção de vídeo e filme em 16mm: Fernando Coimbra; direção de cena: Elisete Jeremias e Estanislau Azevedo; produção: Ana Rúbia de melo e Bia Fonseca.
2 O livro Os Sertões é fruto de um convite de Júlio de Mesquita, proprietário do jornal O Estado de S. Paulo, a Euclides para realizar uma reportagem sobre a Guerra de Canudos. Euclides aceita o convite e integra a comitiva do então Ministro de Guerra, Marechal Bittencourt, acompanhando as operações do Exército de agosto a outubro de 1897. Nesse período, Euclides colhe os dados que darão vida à sua obra publicada em 1902
3A frase completa de autoria de Alfredo Bosi, em História Concisa da Literatura Brasileira, é a seguinte: "É moderna em Euclides a ânsia de ir além dos esquemas e desvendar o mistério da terra e do homem brasileiro com as armas todas da ciência e da sensibilidade." (p. 347)
4Euclides da Cunha. Os Sertões. p. 208.
5A peça teatral de Zé Celso aqui analisada se concentra nesses conflitos descritos em A Luta.
6Principalmente A visão dionisíaca do mundo, O drama musical grego, Sócrates e a tragédia e O nascimento da tragédia.
7A origem do mito de Dionísio está em rituais da Ásia.
8Texto da peça disponibilizado na Internet.
9Idem
10Idem


Bibliografia

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 3 ed. São Paulo, Cultrix, 1997.
CUNHA, Euclides da. Os Sertões; campanha de Canudos. São Paulo, Ateliê Editorial, Imprensa Oficial do Estado, Arquivo do Estado, 2001.

NIETZSCHE, Friedrich. A visão Dionisíaca do Mundo. Trad. Marcos Sinésio e Maria Cristina de Souza. São Paulo, Martins Fontes, 2005.

________________. O nascimento da tragédia ou helenismo e pessimismo. 2 ed. Trad. J. Guinsburg. São Paulo, Companhia das Letras, 2003.

ROVIGHI, Sofia Vanni. História da filosofia contemporânea; do século XIX à neoescolástica. Trad. Ana Pareschi Capovilla. São Paulo, Loyola,1999.

 


Ricardo Melani Professor da Faculdade de Educação da PUC-SP

 

 

 

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