O desaparecimento prematuro de Guimarães Rosa: enigma ou enredo?
Marcelo Marinho
... às vezes quase acredito que eu mesmo, João,
sou um conto contado por mim mesmo. É tão imperativo...
Rosa, em entrevista a Günter Lorenz
Diversos eventos e publicações celebram, em junho de 2008, o centenário do nascimento do mais genial romancista brasileiro. Nessa ordem de celebrações, é preciso igualmente relembrar que Guimarães Rosa, no dia 27 de junho de 1968, faltou a um importante compromisso para com seus ardentes admiradores: festejar seus doravante inalcançáveis 60 anos de idade. A partir de então, a ausência do médico romancista e poliglota será uma presença constante em todos os eventos dedicados à interpretação e à exaltação de uma das obras poéticas mais complexas e mais representativas da cultura nacional.
Ainda no vigor de seus 59 anos intensamente vividos, ao anoitecer de um domingo de novembro de 1967, Rosa surpreendeu mais uma vez sua família, seu círculo de amigos e a multidão de leitores de sua obra, pouco após o dobre dos sinos, anunciando a Hora do Ângelo. "As pessoas não morrem, elas ficam encantadas", dissera o romancista apenas três dias antes, em concorrida cerimônia na Academia Brasileira de Letras. E naquele ocaso - acaso? - de um 19 de novembro, Rosa ficou para sempre encantado - tornou-se um mito, talvez o maior e mais duradouro dos mitos da cultura brasileira.
A breve existência do romancista-embaixador foi excepcionalmente extensa em realizações pessoais e literárias, demonstrando uma rara e quase sobre-humana capacidade de inventar e conduzir o próprio destino. Não por acaso, o romancista termina por declarar sua impressão de ser um conto escrito por si próprio. Assim é que, para discorrer sobre as articulações entre ficção e biografia em Guimarães Rosa, serão ora registrados, em curta súmula biobibliográfica, alguns de seus feitos excepcionais, nos quais o leitor observará várias ocorrências marcadas pelo enigma do fado ou pelo mistério da poesia.
Ao término do percurso, o leitor poderá talvez se deparar com uma das personas mais finamente concebidas pelo bardo de Cordisburgo: o autor-esfinge de si mesmo. Essa esfinge corresponde àquele "autor tal como ele se inventou por intermédio de sua obra, e não tal como ele teria existido anteriormente a ela", segundo as luminosas palavras do crítico Jean Starobinski (in Spitzer, 1970: 26). Em lances e ardis de enxadrista prestidigitador, Guimarães Rosa reordena permanentemente bispos, cavalos e jagunços no tabuleiro em que joga partidas simultâneas com milhões de leitores espalhados pelo mundo. O jogo onírico, é claro, resulta sempre em xeque-mate sobre o afoito adversário, ofuscado pela busca de movimentos diretos e previsíveis. As técnicas empregadas por Rosa são multidimensionais, seu texto revela-se um palimpsesto, uma obra em várias camadas sobrepostas. Ao recombinar frases, palavras e letras sobre casas pretas e brancas, o romancista reinventa novos desdobramentos de si próprio, novos sujeitos que resultam de permanentes rearticulações entre biografia e ficção: um verdadeiro e plurissignificante "conto de si mesmo".
Súmula biobibliográfica: cronologia de um desenredo anunciado
Os eventos e acontecimentos elencados foram coligidos sobretudo nos livros de autoria de Eduardo Coutinho, Vicente Guimarães e Vilma Guimarães Rosa, além da coletânea de documentos e depoimentos intitulada Em memória de Guimarães Rosa, publicada por José Olympio sete meses após o acontecimento que pasmou os admiradores do genial romancista.
1908: No dia 27 de junho, em Cordisburgo, pequeno vilarejo de Minas Gerais, nasce o futuro diplomata-romancista, uma pessoa marcada por forte religiosidade e misticismo.
1918: O menino prodígio, que já conhece a língua francesa e holandesa, inicia seus estudos em uma escola de Belo Horizonte, Minas Gerais. Em seus momentos de lazer, escreve inúmeras cartas em forma de logogrifos e charadas.
1925: Aos 16 anos, ingressa na Faculdade de Medicina. Durante esse período de estudos universitários, o jovem estudante conquista diversos prêmios com seus contos, entre os quais se destaca "Chronos Kai Anagke", a misteriosa história de um enxadrista que conclui um pacto com o demônio para receber... um prêmio - o tema do pacto será retomado em Grande sertão: veredas, romance que, por sua vez, receberá... diversos prêmios.
1930: Conclusão do curso de Medicina. Nesse ano, Getúlio Vargas comanda a célebre Revolução que muda radicalmente o destino nacional e marca o espírito de uma geração de brasileiros.
1933: Ingressa, como Oficial-Médico, na Polícia Militar de Minas Gerais. Aprende o russo e o japonês. Em companhia de Geraldo França de Lima, Rosa sonha com as cerimônias de gala da prestigiosa Academia Brasileira de Letras, à época, um prestigioso reduto de intelectuais.
1934: Brilhante sucesso no concorrido concurso de ingresso à carreira diplomática. O leque de conhecimentos de Rosa é vasto: do Direito à Geografia, da Filosofia à Botânica.
1936: Participa e recebe o primeiro lugar no concurso de poesia da ABL.
1937: Com Sagarana, participa e recebe o segundo lugar em concurso literário nacional.
1938: Posto de cônsul-adjunto em Hamburgo, Alemanha. Com sua futura esposa, Aracy, Rosa ajuda a salvar dezenas de judeus do extermínio nazista.
1942: Posto de Secretário de Embaixada em Bogotá, Colômbia.
1946: Chefe de Gabinete do Ministro, no Rio de Janeiro, antiga capital federal. Publicação de Sagarana, coletânea de contos que recebe o Prêmio Felipe de Oliveira. Consagração literária. O escritor afirma ter escrito certos contos em estado de transe hipnótico, mediúnico - semeia-se o enigma.
1947: Em carta a seu tio Vicente Guimarães, Rosa anuncia o início de uma "guerra literária".
1948: Conselheiro de Embaixada em Paris.
1951: Chefe de Gabinete de João Neves da Fontoura, ministro de Getúlio Vargas.
1954: Getúlio Vargas executa a corajosa decisão de escolher o momento para sua travessia final: "Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História."
1956: Publicação de Corpo de Baile e Grande sertão: veredas. São 1.400 páginas impecáveis publicadas em um único ano. O romancista declara que concluiu sua obra prima em três dias e duas noites, em estado de possessão, sem dormir. O romance recebe três grandes prêmios. Estranhamente, Rosa declara que essa é sua "autobiografia irracional", enquanto Riobaldo fala de "almanaque grosso, de logogrifos e charadas", e menciona, sem razão aparente, a erva medicinal "dona joana", que provoca infarto se consumida acima de pequena dose. O romance narra a história do pacto faustiano concluído pelo bardo Riobaldo, um pacto cujo objeto é a vitória sobre Hermógenes (epônimo de Saussure, segundo G. Genette), cujo preço é a perda de Diadorim (Deodorina, o "presente de Deus" ou a alma), cujo prêmio é Otacília ("moça da carinha redonda", a efígie cunhada sobre a moeda). Os jagunços que combatem ao lado de Riobaldo têm por nome Drumõo (Carlos), Dos Anjos (Augusto), Selorico (Odorico) Mendes... A guerra trava-se no universo da literatura e da linguagem.
1957: Rosa candidata-se à Academia, mas é preterido na eleição.
1958: É nomeado Embaixador por seu amigo e conterrâneo Juscelino Kubitschek.
1961: Recebe o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra. Publicação de poemas sob os pseudônimos anagramáticos de Soares Guiamar, Sá Araújo Segrim e Meuriss Aragão. Sob forma de logogrifos, o conjunto de seus personagens traz nomes que sugerem desdobramentos ficcionais do próprio autor: Moimeichego (moi-me-ich-ego), Rosendo, Dona Rosalina, Orósio, João Porém...
1963: Rosa candidata-se novamente à Academia, e visita acadêmicos, em campanha eleitoral, firmemente decidido a obter vitória. Antonio Callado pergunta-lhe a razão para tanto empenho. Resultado do esforço: Rosa é eleito à unanimidade. Misteriosamente, começa a adiar, sine die, a cerimônia de posse. Quando procura explanar suas razões, nota-se "um terror pueril em seus olhos", segundo Augusto Meyer. O enigma se desdobra: a Otto Lara Resende, o médico e embaixador mineiro afirma que o prêmio Nobel, se lhe fosse atribuído, poderia matá-lo. As declarações, semeadas com critério e parcimônia, induzem a supor que Guimarães, tal como seu personagem Riobaldo (Rosa-io-bardo), poderia eventualmente ter concluído algum pacto faustiano - como aquele que ocorre em seu conto "Chronos Kai Anagke", de 1929.
1964: Ainda reticente no que tange à posse na tão almejada Academia. Publicação de suas obras em diversos idiomas, e avanço da tradução do conjunto da obra para o alemão, por Curt Meyer-Clason, com quem o romancista troca intensa correspondência, pois deseja fazer dessa versão uma matriz para futuras traduções em outros idiomas.
1965: De maneira incompreensível a todos, Rosa, ainda aterrorizado pela Academia, evita a cerimônia de posse. A alguns, declara sofrer de males cardíacos; a outros, afirma estar com excesso de trabalho na divisão de fronteiras do Itamaraty (como se Rio Branco já não houvesse deixado quase tudo preparado, desde a virada do século XIX...).
1966: Meyer-Clason anuncia o fim próximo da tradução do conjunto da obra, espaçando-se a correspondência entre ambos. O romancista fixa, por fim, a data da cerimônia de posse. Estranhamente, o dia escolhido é uma quinta-feira, 16 de novembro de 1967 - no fim do ano seguinte. Também o dia da semana escolhido parece incongruente, sobretudo pelo número de meses que faltam para a cerimônia.
1967: Publicação de Tutaméia ("tudo meu"), uma forma de guia de leitura para o conjunto da obra, segundo Assis Brasil. Emir Monegal, em viagem com o romancista, observa que esses meses de 1967 são vividos como derradeiros, um pouco como se Rosa soubesse, de antemão, que não mais passaria pelos lugares visitados. Rosa declara, nas mais diversas ocasiões, que poderia suportar a cerimônia de posse, mas que temia a chegada do dia seguinte. À mancheia, Rosa semeia a ambigüidade e cultiva o enigma.
Terça-feira, 14 de novembro de 1967: Austera preparação e ensaio exaustivo de todas as etapas da cerimônia. Em forte estado de comoção, o romancista traz frias as mãos, mantém-se em silêncio, e faz repetidas vezes o sinal da cruz. Ele relembra a Geraldo França de Lima os devaneios de 1933 a respeito das pompas da posse na Academia.
Quarta-feira, 15 de novembro de 1967: O romancista afirma ter medo de falhar, de chorar, de sofrer uma parada cardíaca durante a cerimônia: "A Academia é demais para mim." A Academia é demais para um embaixador que pratica vinte e um idiomas, tem sua obra traduzida em dezenas de países, e executou todas as etapas que planejou para sua vida?
Quinta-feira, 16 de novembro de 1967: Dia da cerimônia adiada durante quatro anos.
Pela manhã, emagrecido, em suas roupas doravante largas demais, ele diz a Afonso Arinos que "a normalidade nada mais é que animalidade". Ao entardecer, ele se recusa a comer, receia vestir seu fardão bordado de louros, treme, chora, e reza: "não chegarei ao fim deste ano." As fotos do evento mostram que o fardão, pronto há quatro anos, está agora largo demais. Rosa solicita ao médico Geraldo França de Lima que fique o mais próximo possível, pois teme por sua vida. Em seu discurso, fala com freqüência sobre a morte, e menciona várias vezes o nome de Getúlio Vargas, autor da célebre frase "serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História". Rosa discursa a respeito dessa "substância amorfa e escolhedora - o tempo": "Esta horária vida não nos deixa encerrar parágrafos, quanto mais terminar capítulos". Afonso Arinos observa que Guimarães "chora em seu foro interior". Por fim, Rosa afirma que "as pessoas não morrem, elas ficam encantadas". Contudo, para alívio dos presentes, falham as previsões tão alardeadas pelo romancista: nada lhe acontece para além da consagração literária oficial, para além da conquista do prêmio tão almejado.
Domingo, 19 de novembro de 1967: Terceiro dia após a cerimônia de consagração literária. Pela manhã, ao telefone, Pedro Calmon nota uma voz alterada, melancólica: Rosa parece sofrer e, "em convocação à posteridade", convida Calmon à leitura do discurso que seria publicado somente alguns meses mais tarde. Em alemão, língua de Fausto, redige uma dedicatória em dicionário oferecido à sua esposa, Aracy, e afirma que a vida é apenas passagem. Contrariamente a seus hábitos, não comparece à missa dominical, à Hora do Ângelo. Em seu escritório de trabalho, duas horas mais tarde, "com os olhos desmesuradamente abertos, tentou falar, mas não podia mais fazê-lo", segundo relata Afonso Arinos. Em meio a seus livros, Rosa entrega sua alma, e está dora em diante "encantado" - fez-se mito, o maior dos mitos da literatura brasileira. Mas fez-se também mistério - indecifrável e imponderável mistério.
O desenredo da trama: xeque-mate?
Encurralado entre casas pretas e brancas, bispos, cavalos e jagunços, à beira de xeque iminente, o leitor destas linhas estará com certeza se perguntando: de que forma misteriosa morreu Guimarães Rosa? Qual é a relação desse desenredo com a "autobiografia irracional" que seria Grande sertão: veredas? Aliás, o que vem a ser uma "autobiografia irracional"? Por que razão Rosa faleceu exatamente num domingo, à hora da missa excepcionalmente evitada, precisamente em meio a seus livros escritos em "estado de possessão"? Por que isso se deu exatamente três dias após uma cerimônia durante quatro longos anos adiada? Haveria algum significado cabalístico no três (número sagrado) e no quatro (no tarô, o imperador), cuja soma resulta em sete? Haveria algum significado oculto nos algarismos que formam as datas fatais (16/11/1967 ou 19/11/1967)? Qual é a relação entre a alegada mediunidade roseana da escrita, a inspiração criativa e o pacto concluído por Riobardo (Rosa-eu-poeta)? Como poderia Rosa saber antecipadamente que seu falecimento resultaria de uma precisa falência cardíaca? Qual é a função da menção feita por Riobaldo à "dona joana", planta medicinal contendo terpenóides, substância volátil passível de induzir um infarto? Como poderia Rosa prever que o recebimento do prêmio - a consagração literária - resultaria forçosamente na entrega da alma? Qual é a razão para atribuir tanta importância à Academia Brasileira de Letras? Qual é o significado dos três exemplares de Fausto conservados na estante do escritório pessoal de Rosa? Teria Rosa concluído algum pacto para, de forma sobre-humana, realizar tão resolutamente seus projetos pessoais e literários?
Avancemos pelo tabuleiro, enfrentando a primeira e mais óbvia peça inicial: o laudo médico para o falecimento, como bem sabe o leitor, foi infarto. Previamente anunciado pelo médico-romancista, qualquer destoante laudo seria supérfluo. Também nesse sentido, como seria possível suspeitar de qualquer outra causa para o falecimento de um autor e embaixador consagrado, no ápice de sua carreira literária e diplomática? Quem ousaria sugerir qualquer exame póstumo? Conheceria aquele médico alguma substância indetectável por análises químicas, no ano de 1967? Rosa parece dispor seus bispos e cavalos de maneira a conduzir todos os participantes e espectadores do jogo em uma mesma direção - a mais tortuosa e enganosa possível. Levando-se em conta os fatos aqui elencados e a noção de "autobiografia irracional", qual seria, possivelmente, a causa para a morte do romancista?
Morte natural, pelo avançado da idade - 59 anos? Morte por infarto, provocado pela emoção da posse na ABL? Morte sobrenatural, pagamento de um pacto? Morte somatizada, por crença profunda na realização de um eventual pacto? Morte autodeterminada, por execução de roteiro previamente elaborado? Auto-sugestão? Pura coincidência? Simples conhecimento antecipado da data e da causa do próprio falecimento? Questão irrelevante para se ler Grande sertão: veredas? A resposta, caro leitor, Rosa levou consigo para o reino do encantamento. "A gente morre é para provar que viveu", desconversa o mineiro.
Conclua-se que a vida de Guimarães Rosa ficaria em nada mais interessante se desentranhássemos a chave para seu grande enigma. De forma absolutamente genial e inédita na história da literatura mundial, Rosa elaborou e seguiu um fino roteiro que jamais será completamente decifrado. Eis o sentido para "autobiografia irracional": contar para vivê-la, no viés oposto ao da fórmula adotada por García Márquez. Para interpretar os fatos biográficos dessa existência marcada por realizações quase sobre-humanas, as possibilidades de leitura são múltiplas e corrediças. Rosa fez de si mesmo e de sua própria vida uma voraz esfinge que, por impossibilidade de decifração, devora os passantes e os leitores ávidos por solução para os mistérios do fado e os enigmas da poesia - em suma, para a grande charada da existência humana. A ponto de Drummond exclamar: "Ficamos sem saber o que era João, e se João existiu de se pegar."
Bibliografia
COUTINHO, Eduardo de Faria (org.). Guimarães Rosa. Coleção Fortuna Crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983, 579 p.
GUIMARÃES, Vicente. Joãozito. Infância de João Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: José Olympio; Brasília: INL, 1972, 175 p.
MARINHO, Marcelo. Grande Sertão: Veredas: lectures critiques e approche stylistique. Contribution à l'étude de la Poétique de l'énigme. Villeneuve D'Ascq: Presses Universitaires du Septentrion, 2001, 640 p.
MARINHO, Marcelo. GRND SRT~: vertigens de um enigma. Campo Grande: UCDB/Letra Livre, 2001, 230 p.
MARINHO, Marcelo. João Guimarães Rosa. Paris: L'Harmattan, 2003, 158 p.
ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1993, 540 p.
ROSA, Vilma Guimarães. Relembramentos : João Guimarães Rosa, meu pai. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1983, 457 p.
SPITZER, Leo. Études de style. Prefácio de Jean Starobinski. Paris: Gallimard-Tel, 1970, 533 p.
VV.AA. Em memória de Guimarães Rosa. Rio de janeiro: José Olympio, 1968, 255 p.
Marcelo Marinho Professor da Universidade Católica Dom Bosco
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