Greve Geral pode ser estopim de novas mobilizações no Reino Unido
A greve repercutiu em todo o Reino Unido.Quase 75% das escolas na Inglaterra, 80% no País de Gales e 99% na Escócia foram fechadas, pelo menos parcialmente. Nos hospitais, um quarto das cirurgias de pequeno porte foi cancelado. Em toda parte, funcionários aderiram às dezenas de manifestações: 25 mil pessoas no centro de Londres, 30 mil em Birmingham, 20mil em Manchester...
No centro de Londres, grande parte dos manifestantes estava fazendo greve pela primeira vez na vida. Era o caso de Mike Ansell , que trabalha na Goldsmi th Universi ty: "Eu e minha mulher, que é professora, não tínhamos vontade de entrar em greve; mas a vida está cada vez mais difíci l por causa dos preços que não
param de subir. A reforma da aposentadoria foi a gota d'água".
Lise, uma fonoaudióloga de 39 anos, não esconde sua ira: "Nunca pensei que um dia entraria
em greve, mas o gover no parece estar querendo atacar todo o funcionalismo público, e precisamos
nos defender." Como muitos outros, ela acredita que as reformas conduzida por David Cameron,
o primeiro-ministro, são ideológicas. "Ele nunca frequentou escol pública, e seu governo é
composto por milionários",diz Lisa, que trabalha como professora-assistente.
A revolta é geral entre os 6 mi lhões de servidores públ icos bri tânicos que vivem há um ano as
consequências de um plano de austeridade sem precedentes: 150 mil empregos já foram cortados.
A isso se soma uma drástica reforma da previdência: os funcionários públicos deverão aumentar
em 50% suas contribuições(passando de 6% de seu salário para 9%), para receber uma pensão menor
(calculada sobre a média dos salários, e não mais sobre os últimos anos) , ao mesmo tempo
em que só poderão se aposentar mais tarde (progressivamente até os 67 anos, a partir de 2024).
AS PESSOAS ESTÃO DISPOSTAS A LUTAR No entanto, apesar dessa greve de dimensão
incomum para o Reino Unido, o país não parou.
Quase todos os transportes funcionaram, uma vez
que são geridos por empresas privadas e que a greve só teve a adesão do funcionalismo públ ico. Os aeroportos, que deviam ficar fortemente bloqueados com a greve dos agentes alfandegários,
não tiveram perturbações.
Como não havia uma manifestação centralizada, mas centenas de eventos em todo o país, é difícil de avaliar a verdadeira extensão da mobi l ização. Abriu-se uma guerra de números: havia 2 milhões de grevistas, como
anunciado inicialmente, segundo os sindicatos; pouco mais de 1 milhão, responde o governo, que
no entanto não foi capaz de apresentar um número total . Isso permitiu que David Cameron, o
pr imei ro-minist ro, afirmasse que o movimento foi "fogo de palha".
Diante das manifestações, a Downing Street (sede do governo britânico) optou pela firmeza.
Provocador, o ministro da Fazenda, George Osborne, anunciou, às vésperas das manifestações, que os
salários dos funcionários não aumentariam mais do que 1% ao ano em 2013 e 2014, além do congelamento
imposto em 2011 e 2012. O governo está apostando no fato de que os novos grevistas, embora
revoltados, não estão prontos para um movimento de longa duração.
Jason Bonning, professor e sindicalista bastante ativo e assíduo em greves, parece concordar: "Infelizmente acho que David Cameron não precisaráfazer grandes concessões para conseguir dividir os sindicatos e os funcionários". Outros, pelo contrário, acreditam no despertar de um grande movimento. "Isso é só o começo", pensa Nicholas Dobson, professor desempregado. "Já existem os indignados da City (centro financeiro de Londres) e os milhões de jovens desempregados muito revoltados: as pessoas estão dispostas a lutar". Se ele tiver razão, esse dia de ação poderá ser um ponto de virada para o Reino Unido. Se não, o governo levará a cabo seu plano de austeridade sem precedentes: meio milhão de empregos no funcional ismo públ ico serão cortados até 2017.
O texto acima foi publicadono Le Monde. Tradução:
Lana Lim http://www. vermelh.org.br/noticias.php?id_secao=
9&lista=lista&pagina=4
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