Ameaçado de morte, deputado Marcelo Freixo deixa o país temporariamente
APROPUC-SP
04.11.11
O deputado estadual Marcelo Freixo - que presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, da Assembleia Legislativa do Rio, que, em 2008, investigou e indiciou mais de 200 pessoas entre políticos, policiais e ex-policiais, ligados a grupos criminosos que dominam comunidades, principalmente na zona oeste da capital fluminense - resolveu aceitar um convite da organização não governamental Anistia Internacional para ficar na Europa por algum tempo. O parlamentar vem sofrendo ameaças de morte desde a época da CPI, mas, nos últimos meses, elas se intensificaram. Somente em outubro, Freixo afirma ter recebido sete ameaças de morte. "As ameaças estão se tornando mais fortes e há um retorno muito pequeno da Secretaria de Segurança. Ou seja, se estão ou não investigando. Tenho uma segurança, mas tem sido necessária a ampliação dela. Então, estou esperando algumas medidas", disse.
A viagem será também uma forma de chamar a atenção das autoridades estaduais sobre o esquema de segurança dele e de sua família. "Será uma saída temporária para destensionar a família, que está muito preocupada, e para chamar a atenção das autoridades sobre os programas de proteção. Não acredito neles", disse o deputado.
O deputado não informou quanto tempo ficará na Europa, mas garantiu retorno ao Brasil. "Não posso dizer (nem) o tempo nem o local (onde ficarei), mas é um tempo muito curto", disse Marcelo Freixo.
Segundo Freixo, as ameaças não devem ser encaradas como um problema pessoal, mas sim como de toda a sociedade. Ele lembrou o assassinato da juíza Patrícia Acioli - assim como o deputado, de Niterói - morta por policiais militares integrantes de milícias que atuam no Grande Rio, em agosto deste ano. "Esse é um problema de todo o Rio de Janeiro. Aliás, é um problema nacional. Até que ponto nossas autoridades vão continuar empurrando com a barriga? Ou a gente enfrenta e faz agora esse dever de casa contra as milícias ou, como mataram uma juíza, vão matar um deputado, promotores, jornalistas. E, se esses grupos criminosos são capazes de matar uma juíza e ameaçar um deputado, o que eles não fazem com a população que vive na área em que eles dominam?", disse.
Segundo o parlamentar, apesar das dezenas de prisões feitas após a CPI das Milícias, esses grupos criminosos estão cada vez mais fortes e dominam várias comunidades do estado, onde extorquem dinheiro de moradores e de comerciantes e controlam atividades como transporte alternativo, venda de gás e de ligações clandestinas de TV a cabo.
O ex-deputado estadual Natalino Guimarães e o irmão dele, o ex-vereador Gerônimo Guimarães, estão entre os presos em razão das investigações feitas pelo deputado e pela CPI. Eles foram considerados os comandantes da principal milícia da zona oeste do Rio e estão detidos em um presídio federal.
"Não abro mão de exercer minha função de representante do povo. Para isso a minha integridade e da minha família tem que ser preservadas", disse o deputado, que é cotado para concorrer à prefeitura do Rio em 2012 pelo PSOL.
No dia 17, representantes de diferentes partidos políticos e entidades se reuniram num ato em defesa do deputado, depois que um documento da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar apontou que Freixo seria alvo de um atentado.
O documento da PM, endereçado à Coordenadoria Institucional de Segurança da Alerj, indica que o miliciano conhecido como Carlão planejava o assassinato de Marcelo Freixo. De acordo com a Coordenadoria, o miliciano receberia dinheiro de um ex-PM se executasse o deputado.
"É uma situação de total insegurança e muito grave, porque nada mais fiz do que cumprir a minha função como parlamentar. Então, quem cumpre a sua função pública, ser ameaçado de morte por isso é muito grave. E a gente está falando do principal crime organizado no Rio de Janeiro: a milícia hoje é o mal maior que tem no Rio. Então, evidentemente, precisa ser enfrentado. E é inadmissível que depois de matarem uma juíza, ameacem matar um parlamentar. E quantas outras pessoas mais virão antes de eles serem detidos? É muito importante que se busque deter o poder econômico e territorial desses grupos. Só as prisões não vão resolver", defendeu Marcelo Freixo.
O Jornal do Brasil teve acesso a alguns dos registros do Disque Denúncia que comprovam as ameaças ao deputado, cuja íntegra pode ser visualizada em http://www.jb.com.br/rio/noticias/2011/11/01/ameacado-de-morte-marcelo-freixo-esta-a-caminho-da-europa/
O texto acima foi compilado a partir de: http://correiodobrasil. com.br/ameacado-de-morte-deputado-marcelo-freixo-ira-morar-temporariamente-na-europa-a-convite-da-anistia-internacional/321117/
http://surgiu.com.br/noticia/20579/deputado-marcelo-freixo-do-rj-deixara-o-pais-apos-ameacas-de-morte.html
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