"O mais bem humorado mal humorado que conheci"
APROPUC-SP
11.11.11
Beno não foi apenas meu colega no Básico da PUC-SP, mas, por 35 anos consecutivos, meu amigo cotidiano, com filhos crescendo juntos, militâncias se entrecruzando, casamentos se amalgamando nos sonhos coincidentes.
Por isso, Benauro, homem de fato íntegro, convicto nos princípios democráticos e igualitaristas, jamais obtuso nas posturas e sempre recusando a superficialidade demagógica. Degustador do jazz e do blues, mestre nessa arte de também nos ensinar a sorver emoção, foi o mais bem humorado mal humorado que conheci; por vezes sarcástico sem humilhação, ressoava uma gargalhada gutural que o marcou muito. Acima de tudo, falava sobre as lutas sem exibir cicatrizes como encargo, sempre como patrimônio; até dos torturadores que o vitimaram várias vezes soube escarnecer, trazendo histórias que mostravam muito mais a vitória dos decentes do que a violência dos liberticidas. Afetivo de modo único, político de modo múltiplo, professor de modo intenso, amigo de modo extenso.
Mário Sergio Cortella, professor do Departamento de Fundamentos da Educação
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