A luta dos professores pela retomada do Acordo Interno de trabalho
Cibele Isaac Saad Rodrigues
Representante docente da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde no CONSUN
“O que falar quando o diálogo foi interrompido? Só posso lamentar e desejar firmemente que seja restabelecido. Uma universidade como a PUC-SP, com a nossa história de democracia, construída arduamente em nossas instâncias representativas, não pode abrir mão de lutar pela oportunidade de manter a negociação de nosso Acordo Interno de Trabalho. Todos os professores sabem que perderemos muito mais que os importantes benefícios conquistados. Também não me parece que o confronto beneficie quaisquer das partes envolvidas e seja desejado por elas. Assim, mais do que me pronunciar, gostaria de propor uma intermediação deste conflito. APROPUC, Reitoria e Fundação precisam encontrar caminhos harmônicos de composição que preservem o bem maior, que é o nosso projeto ímpar e valoroso de Universidade.”
João Machado Borges Neto
Coordenador do programa de Pós-Graduação em Economia
“Acho importante que seja retomada a negociação, pois ela tem cumprido um importante papel ao longo de nossa história e tem sido uma das boas tradições da PUC-SP. O Acordo Interno é uma forma de ir-se além daquilo que outras universidades têm em matéria de relações de trabalho e tem permitido à PUC-SP ostentar um caráter diferenciado de outras instituições de ensino.”
Maria do Socorro Cabral
Departamento de Serviço Social
“O Acordo Interno é fruto de um processo de luta e conquista dos professores da PUC-SP, com a sua entidade de representação. O descumprimento do acordo significa o desrespeito com a história de luta dos professores e um retrocesso político sem precedente na história da universidade.”
Eloisa de Souza Arruda
Chefe do Departamento de Direito Penal e Processual Penal
“O melhor caminho sempre foi o diálogo. O fato de a Fundação se recusar a negociar rompe com uma tradição. Nossas decisões sempre foram negociadas, e deste diálogo muitos direitos dos professores e dos funcionários foram garantidos. Nossas conquistas sempre foram resultado de tratativas entre professores e funcionários e os gestores. E a atual situação não é positiva para nenhum dos lados.”
Yolanda Gloria Gamboa Muñoz
Coordenadora do Curso de Filosofia
“Seria necessário pensar o problema da renovação do Acordo Interno como um sintoma de uma situação mais ampla e complexa. A valorização atual dos procedimentos (e não dos fins ideais) mostra como uma instituição precisa privilegiar e honrar a todo o momento as promessas e compromissos assumidos para tornar-se responsável, isto é, para poder responder por si mesma quanto ao futuro. Nesse sentido, o desconhecimento de acordos, a não participação nos diálogos ou negociações é um índice perigoso para o devir da própria instituição. Por outra parte, essa dobra questionadora e de exercício necessário na própria instituição é extensiva às associações que precisam auto-avaliar constantemente seus compromissos, ações e representatividade. Tudo isso no suposto de que a dignidade da pessoa e da instituição esteja ligada à capacidade de prometer e à figura da responsabilidade, ambas entendidas como conquistas humanas duramente adquiridas através de séculos.”
Maria Margarida C. Limena
Diretora da Faculdade de Ciências Sociais
“Acho lamentável a interrupção das negociações sobre o Acordo Interno, visto que sempre valorizamos o diálogo como a melhor forma de entendimento. Muito além de benefícios, foi através do Acordo Interno que se viabilizaram condições acadêmicas de trabalho dentro de um projeto de universidade que sempre se pautou pela qualidade. O Acordo Interno contribuiu para que pudéssemos nos diferenciar das demais universidades, o que não pode ser perdido. Espero que as negociações sejam retomadas para que possamos, num ambiente de relações democráticas e de respeito mútuo, superar esta situação de retrocesso nas relações entre a mantenedora e a associação que esta interrupção representa.”
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