Calourada unificada satiriza Consad e próxima atividade debate Haiti
Segundo os estudantes que organizaram a atividade, o Consad caracteriza bem a atual PUC-SP: a intervenção da mantenedora, a falta de assistência estudantil e a falta de autonomia universitária. Com muito bom humor e descontração, os presentes puderam ter uma amostra do que é uma sessão do Consad, na visão dos estudantes.
"Indeferido!", "Negado!"
A "sessão extraordinária" do Consad, escrita e encenada por estudantes de vários cursos, teve o auditório 333 lotado. A encenação começou com um encontro entre o reitor e os dois padres da Fundação São Paulo, antes do início oficial da sessão. Ali, eles leram as pautas e combinaram os votos.
Iniciada a sessão, uma estudante inadimplente pediu negociação de dívida e bolsas de estudos. Apesar de argumentar que a universidade era filantrópica, o representante da Fundação respondeu categoricamente: "Na doutrina católica, se perdoa pecado, mas não dívida financeira".
Quando o reitor tentava falar, os padres puxavam uma corda que prendia seus braços e manipulava seu voto. Enquanto isso, o pró-reitor comunitário, comentava: "É complicado, é complicadissímo".
Aborto e "remanejamento"
Em seguida, foi encenado o caso de uma professora que defendeu o aborto na universidade e o Consad não demorou a demiti-la. Quando um manifestante gritou por autonomia universitária, um segurança Graber prontamente o reprimiu.
"Agora vamos debater a demissão... Ops! O remanejamento de funcionários", assim começou o último ponto da sessão estudantil do Consad que, obviamente terminou em demissões em massa para enxugar custos. Durante toda a sessão, um padre ostentava notas de R$ 10,00 que seguravam sua gravata e o outro enxugava o suor com uma nota de R$ 20,00.
Após a leitura de um texto que explicava a história recente da PUC-SP, o segurança da Graber confiscou um violão de um estudante da platéia. O instrumento virou patrimônio da Igreja e um padre puxou "Jesus Cristo", cantada em coro pelo auditório 333.
Debate sobre Haiti
Na quarta-feira, 3/2, em sala a ser confirmada, às 19h, será realizada outra atividade da Calourada Unificada, para discutir a atual situação do Haiti. O debate terá a presença do professor Erson Martins, ex-diretor da APROPUC, Mara Onijá (LER-QI), que comentará a questão da mulher no Haiti, e um representante da Conlutas, entidade que vem promovendo a campanha pela retirada das tropas da Minustah e levou militantes para o Haiti antes e depois do terremoto.
O objetivo é debater a intervenção militar no país, liderada pelas tropas brasileiras desde 2004. Além disso, os estudantes pretendem discutir também o assistencialismo pós-terremoto, que acabou por esconder questões mais profundas como o imperialismo, a situação da mulher, violência do estado, autonomia e auto-determinação do povo, entre outros temas.
Os estudantes também estão realizando uma campanha de arrecadação de fundos para ajudar as necessidades básicas do povo haitiano e também reorganizar as entidades de classe.
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