Mesmo com cartazes arrancados, debate sobre aborto acontece
A estudante de jornalismo Gabriela Moncau, representando o coletivo de mulheres do grupo Barricadas Abrem Caminhos, abriu o debate falando que a luta pela legalização do aborto é uma questão de saúde pública e de emancipação da mulher. "O aborto ocorre independentemente de sua proibição e, por isso, o Estado deve garantir que ocorra de forma segura, com qualidade e gratuito para todas as mulheres que por ele decidirem".
Em relação à universidade e a assistência estudantil oferecida à mulher, Gabriela afirmou que "são raras as universidades que oferecerem estrutura para a estudante que é mãe, como bolsa, creche e licença. Ao não prover esse amparo, a universidade não leva em consideração a realidade das mães que dão continuidade aos estudos".
A estudante também falou sobre a relação da PUC-SP com o aborto. "A intervenção da Igreja se potencializou com a aprovação do novo estatuto, reprimindo com moralismo espaços de debate".
Mulheres pobres morrem mais
A palestrante do grupo feminista Pão e Rosas, Mara Onija, pontuou a importância de o debate ocorrer na PUC-SP, universidade ligada à Igreja Católica e uma das principais forças contrárias à legalização. Mara também colocou que as mulheres não têm o controle sobre o próprio corpo, afirmando que "o Estado assume o papel de decidir sobre os corpos das mulheres".
Ainda segundo Mara, a luta pela legalização não é abortista e nem contra a maternidade. "O Estado tem que dar direito à anticoncepcionais, assim como fornecer uma educação sexual de qualidade nas escolas", afirmou.
Assim como Gabriela, Mara colocou que a maioria das mulheres que morrem ao fazer aborto são pobres e não têm acesso às clínicas de aborto, assumindo a questão também através de um discurso classista.
Posições contrárias
Após a fala das duas feministas iniciou-se um acalorado debate, com diversas opiniões. O grupo de católicos que compareceu ao debate se colocou a favor da vida do feto e, por isso, contra o aborto. Para a maioria das pessoas do grupo, a luta tem que ser feita pela qualidade do serviço de saúde e no atendimento às mães que necessitam de ajuda.
A estudante de economia Laís, do grupo Pão e Rosas, afirmou ser católica, quebrando o paradigma religioso. "Minhas crenças pessoais não podem negar o direito a outras mulheres de fazer algo que pensam estar certo". Ao concluir, Mara disse que "por trás do discurso da vida, feito pela Igreja Católica, estão 70 mil mulheres que morrem por ano em todo mundo, vítimas de abortos clandestinos".
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