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Agrava a crise mundial

APROPUC-SP 07.10.11
A esperança de que a bancarrota econômica de 2008 fosse debelada aos poucos deu lugar a profunda apreensão e desespero. A gigantesca intervenção dos Tesouros nacionais para salvar o sistema financeiro e proteger poderosos grupos econômicos não teve como evitar a desaceleração da economia mundial e como bloquear as tendências recessivas.
Importantes Estados assumiram a quebra capitalista. Assumiram o mar de títulos podres em posse dos bancos, transformando-os em "dívidas soberanas". Na realidade, o endividamento crescente das potências vinha sendo promovido antes da eclosão da crise. Não se fez senão agravá-la. Chegou-se ao ponto dos Estados Unidos terem de suspender o teto permitido de endividamento, em um quadro político de conflito entre republicanos e democratas. As previsões de retomada do crescimento do país de alta passaram para baixa. As promessas do governo Obama de reduzir o desemprego se mostraram demagógicas. Os trabalhadores norte-americanos estão sendo duramente golpeados.
A União Européia se desintegra. As bases do acordo de Maastricht não foram cumpridas. Repentinamente, um país pequeno como a Grécia torna-se um centro irradiador da débâcle européia. A social-democracia submeteu à ciranda especulativa e a toda sorte de artifícios. Por cima do Estado, atuaram e atuam bancos alemães, franceses e ingleses. Não obstante, a Grécia não passa do elo mais débil da cadeia de endividamento soberano. Portugal, Itália e Espanha tremem o solo do capitalismo na Europa. Evidenciam os interesses particulares da fração burguesa da Alemanha e França, que em aliança comandam a Zona do Euro. O velho continente imergiu nas águas profundas da crise de superprodução e da monumental acumulação de capital financeiro parasitário.
Da Grécia à Itália, os governos se lançaram a aplicar os famosos planos de ajuste fiscal. É o que exigem os banqueiros, como forma de receber os juros, conservar seus patrimônios e sustentar o parasitismo financeiro. Não bastam medidas fiscais, é preciso cortar formalmente os salários, rebaixando os ganhos reais. Duas bárbaras consequências sociais: aumento do desemprego e do empobrecimento relativo e absoluto da população trabalhadora. A juventude vem sendo rigorosamente atingida. A jovem força de trabalho se defronta com o desemprego e o subemprego.
Tudo indica que o processo de destruição maciça de parte das forças produtivas - próprio das crises de superprodução - está apenas começando. A desordem econômico-financeira se realimenta das medidas de proteção parasitária dos governos ao capital financeiro, do desemprego e do ataque aos salários. Assim, projetam-se com maior potência. A anarquia da produção capitalista da época imperialista gera a barbárie social.
As massas estão obrigadas a sairem às ruas. A se valerem do método da ação direta, se não quiserem cair no precipício. E a burguesia, por sua vez, a combatê-las com o poder policial do Estado. Os governos põem de lado a máscara da democracia como valor universal e escancaram a ditadura de classe do capital. A violência das medidas econômicas contra a vida dos explorados é garantida pela violência da polícia.
Observamos esses antagonismos se proliferando pela Europa e começando a se manifestar nos Estados Unidos. O Brasil não está imune. A crise já é visível em nossas fronteiras. O espectro desemprego ronda os centros fabris. As greves e manifestações deste ano indicam a necessidade de luta dos assalariados. A intransigência dos patrões e do governo dita a sua relação com os explorados. Os tribunais correm a tornar as greves ilegais e a se valer da indústria da multas sindicais.
Os trabalhadores e a juventude vão ter de se unir em torno de um programa de defesa de suas vidas e de luta anticapitalista.
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Diretoria da APROPUC

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