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O significado das lutas estudantis no Chile

APROPUC-SP 03.10.11
No início de maio, os estudantes chilenos iniciaram um movimento em defesa do ensino público e gratuito para todos e fim da exploração capitalista da educação.
As manifestações de rua cresceram e persistiram por mais de três meses, apesar da brutal repressão que culminou com a morte do estudante Manuel Gutierrez, de 14 anos, alvejado pela polícia. A revolta estudantil pôs abaixo a farsa de que as reformas privatistas eram a via para possibilitar o ingresso de maior número de jovens e elevar a qualidade do ensino.
O Chile foi apresentado até pouco tempo como exemplo de êxito neoliberal, implantado pelos governos da "abertura democrática". O antecedente dessa diretriz se encontra nas medidas da ditadura militar de Pinochet.
A ampla privatização e abertura para o capital imperialista, promovidas durante 16 anos pelo regime ditatorial, foram propagandeadas como soluções modernizantes da economia. Os governos eleitos, com o fim da ditadura em 1989, mantiveram essa política econômica, assinando um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos.
A burguesia norte-americana, que patrocinou o golpe de 11 de setembro de 1973, procurou impor em toda a América Latina o "modelo" chileno. Sob baionetas e vigilância diuturna, o proletariado, os camponeses e a juventude refluíram e arcaram com as medidas privatizantes, antipopulares e antinacionais.
Os governos da Concertación, constituído pela aliança dos social-democratas e social-cristãos, portanto, mantiveram o Chile sob as rédeas do imperialismo. Para isso, exploraram a transição e as ilusões democráticas da população. Acabaram cedendo o poder, por essa via, à coligação direitista, dando vitória a Piñera.
Sob o último governo social-democrata de Michelle Bachelet, os secundaristas, em 2006, tomaram às ruas contra a educação privatista. O governo não cedeu e, em 2009, aprovou a Lei Geral da Educação (LGE), que garantia a continuidade do sistema educacional pinochetista. Agora, o movimento retoma com mais força e conflui com o descontentamento generalizado dos trabalhadores.
A greve geral convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) exprimiu a disposição disseminada entre a população. A morte de Manuel Gutierrez revelou o enorme precipício entre as massas exploradas e o governo de Piñera e as instituições pinochetistas ainda vigentes. Trata-se de um embate na situação de crise mundial do capitalismo, da qual o Chile não teve e não tem como se esquivar.
O avanço do movimento da juventude chilena e as manifestações operárias e populares que se despontaram alertam para a necessidade dos trabalhadores e da juventude latino-americanos de se unirem em defesa das condições de vida e do ensino público e gratuito.

Diretoria da APROPUC

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