Líbia, sem autodeterminação, não há revolução!
APROPUC-SP
19.09.11
A tomada de Trípoli e o cerco do que restou das milícias de Muamar Kadafi foram saudados como vitória da revolução democrática contra a ditadura sanguinária do déspota líbio. As potências comemoraram, o que era de esperar dos vencedores. Não é compreensível que parte da esquerda também o faça.
O conflito na Líbia se transformou com a intervenção das potências. A sublevação de fevereiro em Benghazi expressou o esgotamento do regime despótico da família Kadafi. A rápida evolução de uma manifestação pacífica contra as arbitrariedades do governo em confronto armado indicou que já não era possível manter a governabilidade baseada em uma camarilha familiar e corrupta. Mas o levante que empolgou o leste não chegou ao oeste, a Trípoli, Sirte etc., trincheiras de onde Kadafi mantinha a unidade nacional pela força.
O regime de 42 anos de existência estava decrépito, mas suficientemente forte para esmagar a sublevação do leste. Se esse tivesse sido o desfecho do confronto, certamente a ditadura de Kadafi não se fortaleceria. É mais provável que enfrentaria novos choques e se decomporia. Esse curso corresponderia às condições econômico-sociais do País, às divisões do povo líbio e às suas decisões. Caberia tão-somente a ele saber até onde estava disposto a arcar com uma guerra civil, com todas as suas consequências. Trata-se da autodeterminação da Nação.
A decisão do Conselho de Segurança da ONU de autorizar a intervenção aérea e marítima das potências modificou o curso dos acontecimentos. Os sublevados que haviam se mostrado incapazes militarmente de enfrentar a reação de Kadafi, se potenciaram com os milhares de bombardeios da OTAN, com ajuda financeira, armas e assessoria. Ninguém mais se importou quantos civis morreriam sob o imponente fogo da aviação. Não haveria tomada de Trípoli pelo sublevados sem que as Forças Armadas e a guarda pretoriana de Kadafi não tivessem sido liquidadas, tanto em sua capacidade ofensiva quanto defensiva.
Mais uma vez, em nome da proteção de civis, dos direitos humanos e da civilidade, os carniceiros do mundo violam a autodeterminação de uma nação e impõe-lhe um curso histórico alheio às suas próprias condições. O imperialismo não constituirá com as forças internas servis que se aliaram com as potências um governo superior ao de Kadafi. Não haverá a democracia burguesa prometida, o progresso econômico, a superação da concentração de riqueza e eliminação da pobreza da maioria. Não se pode desconhecer que a família Kadafi servia em certa medida os interesses da burguesia europeia e norte-americana.
A reunião convocada pela França para formar o novo governo, liberar finanças confiscadas da Líbia e orientar o Conselho Nacional de Transição a desarmar as milícias e estruturar um exército concebido para defender a propriedade privada dos meios de produção mostra o quanto a vitória, em última instância, foi o imperialismo. Não há dúvida de que há contradições no campo dos vencedores, que ainda não liquidaram completamente o regime de Kadafi. Os choques de interesse econômicos, de hegemonia tribal, de oposições de classes permanecem e se potenciarão sob outras condições. O imperialismo pretende manter sua força de intervenção na Líbia. Os poços de petróleo estão sendo negociados de acordo com os gastos das potências e sua ascendência política.
Os trabalhadores e a juventude levantam a bandeira de autodeterminação da Líbia. Fora as potências saqueadoras!
O conflito na Líbia se transformou com a intervenção das potências. A sublevação de fevereiro em Benghazi expressou o esgotamento do regime despótico da família Kadafi. A rápida evolução de uma manifestação pacífica contra as arbitrariedades do governo em confronto armado indicou que já não era possível manter a governabilidade baseada em uma camarilha familiar e corrupta. Mas o levante que empolgou o leste não chegou ao oeste, a Trípoli, Sirte etc., trincheiras de onde Kadafi mantinha a unidade nacional pela força.
O regime de 42 anos de existência estava decrépito, mas suficientemente forte para esmagar a sublevação do leste. Se esse tivesse sido o desfecho do confronto, certamente a ditadura de Kadafi não se fortaleceria. É mais provável que enfrentaria novos choques e se decomporia. Esse curso corresponderia às condições econômico-sociais do País, às divisões do povo líbio e às suas decisões. Caberia tão-somente a ele saber até onde estava disposto a arcar com uma guerra civil, com todas as suas consequências. Trata-se da autodeterminação da Nação.
A decisão do Conselho de Segurança da ONU de autorizar a intervenção aérea e marítima das potências modificou o curso dos acontecimentos. Os sublevados que haviam se mostrado incapazes militarmente de enfrentar a reação de Kadafi, se potenciaram com os milhares de bombardeios da OTAN, com ajuda financeira, armas e assessoria. Ninguém mais se importou quantos civis morreriam sob o imponente fogo da aviação. Não haveria tomada de Trípoli pelo sublevados sem que as Forças Armadas e a guarda pretoriana de Kadafi não tivessem sido liquidadas, tanto em sua capacidade ofensiva quanto defensiva.
Mais uma vez, em nome da proteção de civis, dos direitos humanos e da civilidade, os carniceiros do mundo violam a autodeterminação de uma nação e impõe-lhe um curso histórico alheio às suas próprias condições. O imperialismo não constituirá com as forças internas servis que se aliaram com as potências um governo superior ao de Kadafi. Não haverá a democracia burguesa prometida, o progresso econômico, a superação da concentração de riqueza e eliminação da pobreza da maioria. Não se pode desconhecer que a família Kadafi servia em certa medida os interesses da burguesia europeia e norte-americana.
A reunião convocada pela França para formar o novo governo, liberar finanças confiscadas da Líbia e orientar o Conselho Nacional de Transição a desarmar as milícias e estruturar um exército concebido para defender a propriedade privada dos meios de produção mostra o quanto a vitória, em última instância, foi o imperialismo. Não há dúvida de que há contradições no campo dos vencedores, que ainda não liquidaram completamente o regime de Kadafi. Os choques de interesse econômicos, de hegemonia tribal, de oposições de classes permanecem e se potenciarão sob outras condições. O imperialismo pretende manter sua força de intervenção na Líbia. Os poços de petróleo estão sendo negociados de acordo com os gastos das potências e sua ascendência política.
Os trabalhadores e a juventude levantam a bandeira de autodeterminação da Líbia. Fora as potências saqueadoras!
Diretoria da APROPUC
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