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Combater e vencer os assassinatos no campo e na cidade

APROPUC-SP 07.08.11
O governo de Dilma Rousseff iniciou seu mandato impondo um salário mínimo de fome, reprimindo o levante dos operários da usina de Jirau, colaborando com a reforma do Código Florestal em favor dos capitalistas agrários, curvando-se diante da reação contrária a punir os crimes da ditadura militar e aceitando as pressões para manter os documentos históricos secretos em sigilo indefinido. Essa política explica por que os assassinatos de camponeses ocorridos bem no momento em que se aprovava na Câmara de Deputados o novo Código Florestal não foram elucidados.
Por trás do rótulo dos direitos humanos, está a diretriz de proteção a todo tipo de violência contra os pobres e oprimidos da cidade e do campo. Nos centros urbanos, prevalece a orientação de que os bairros, favelas e cortiços devem ser ocupados militarmente. Os casos de assassinatos de jovens pela polícia, em sua maioria negros da periferia, se multiplicam e nada acontece aos executores e responsáveis. No meio rural, os camponeses, quilombolas e indígenas vivem sobressaltados pelas armas de latifundiários, madeireiros, mineradores e agentes do agronegócio.
Não há estado da federação em que não se manifesta a violência dos opressores contra os oprimidos. Nas grandes cidades, a miséria e toda sorte de chaga social são respondidas pelo Estado com operações de guerra. No campo, o poder econômico responde com o terror, empregando milícias, capatazes, jagunços e pistoleiros de aluguel.
É importante saber que é nesse quadro de estado policial urbano e de terror rural que, na terça feira, do dia 24/5, o extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva e sua companheira Maria do Espírito Santo da Silva foram executados por pistoleiros a mando de madeireiros. Ambos militavam na reserva Água Extrativista Praialta Piranheira, no estado do Pará. Foram fulminados por organizarem a resistência aos capitalistas desmatadores e comerciantes de madeira. No dia 27/5, Adelino Ramos, líder do Projeto de Assentamento Florestal Curuquetê, em Rondônia, foi morto pelas armas dos latifundiários. Em seguida, mais três assassinatos. Nada foi apurado.
Na Ouvidoria do Pará e de Rondônia, constam 170 mortos e 70 inquéritos de assassinatos, sendo que somente 10% foram considerados esclarecidos. É sintomático que 216 assassinatos permaneçam à sombra da Justiça. A Comissão Pastoral da Terra contabiliza centenas de mortes desde os anos 80. Há uma lista de 1813 líderes marcados para morrer. José Cláudio, Maria do Espírito Santo e Adelino Ramos contam como três baixas nesse número do terror. Lembremos os massacres de Corumbiara e Eldorado dos Carajás, cujos responsáveis estão impunes.
Os governos federal e estadual dizem que não há como proteger os ameaçados de morte. Certamente, não há interesse em garantir a vida daqueles que organizam movimentos contrários à grande propriedade da terra e à oligarquia agroindustrial. Se a Justiça não coloca os lutadores na cadeia, então que os grandes proprietários os reprimam com recursos próprios.
Os assassinatos e a prisão de camponeses são faces da mesma moeda da luta de classes no campo. O mesmo se passa nos centros urbanos. Trata-se de reflexos do capitalismo em decomposição. Está aí por que não há como defender e manter a luta dos pobres do campo pela terra senão defendendo o direito de autodefesa e constituindo um tribunal popular para responder aos crimes dos poderosos. Está aí, também, por que cabe à classe operária e aos demais explorados das cidades combaterem a violência da classe dominante contra a maioria pobre e oprimida. É preciso, sem dúvida, que os trabalhadores da cidade e do campo se unam em um só movimento.

Combater e vencer os assassinatos no campo e na cidade!

Pela defesa das reivindicações dos camponeses, quilombolas e indígenas!

Combater toda forma de opressão com o programa da classe operária, dos demais trabalhadores e da juventude!

Pela criação de um tribunal de denúncia e proteção dos militantes ameaçados!

Diretoria da APROPUC

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