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Repudiamos o assassinato de Osama Bin Laden

APROPUC-SP 06.05.11
Poucas serão as vozes que denunciarão os Estados Unidos pela morte do líder da organização Al-Qaeda. Provavelmente, apenas as esquerdas. Os democratas ficarão com a potência. O máximo que o jornalismo da grande imprensa tem feito é discutir aspectos legais e circunstanciais da operação militar. Os Estados Unidos poderiam invadir o território e matar Osama Bin Laden no Paquistão, sem o consentimento de seu governo? Não poderia tê-lo preso? Foi correto lançar o corpo ao mar?
Essas questões são postas devido à flagrante violação do direito internacional que é defendido pelos próprios Estados Unidos. Mas, no essencial, democratas, reformistas e direitistas estão de acordo: os Estados Unidos livraram seu país e o mundo de um perigoso terrorista e tornaram-no mais seguro. O mentor do ataque às Torres Gêmeas que matou quase três mil pessoas inocentes teve o fim merecido. Uma vez assim, podem-se discutir as sutilezas do direito internacional etc. Os segredos que envolveram a execução de Osama Bin Laden e as versões do governo Barack Obama dão margem a elucubrações.
Por que repudiamos o assassinato? Porque se tratou de uma resposta terrorista do Estado norte-americano ao terrorismo nacionalista da Al-Qaeda e porque expressa a política de domínio imperialista. A secretária de Estado, Hillary Clinton, apressou-se em dizer que o terrorismo não foi liquidado com o desaparecimento de Bin Laden. Nessa avaliação está a chave do problema. Não se trata do terrorismo em geral, mas do terrorismo germinado nos países árabes, oprimidos pelo imperialismo. No fundo dele, encontra-se o nacionalismo.
O fato de Osama professar o islamismo e de haver muitas organizações políticas vinculadas ao islamismo que se valem do método terrorista, permite a propaganda imperialista de que se trata de um fenômeno de desvio sectário. É com essa falsificação que os Estados Unidos e seu batalhão de "especialistas" no mundo todo (o Brasil está cheio deles no jornalismo) procuram separar os mulçumanos em duas categorias: os terroristas que seriam minoritários e os não-terroristas. Não obstante, não há como ocultar as leis da história e ajustar os seus acontecimentos à ideologia dominante. Osama Bin Laden é uma criação do nacionalismo burguês e pequeno burguês, que se manifesta em países marcados pela violência colonialista e pelo imperialismo moderno.
A interpenetração do nacionalismo com o islamismo constitui uma particularidade das nações árabes, cujo desenvolvimento capitalista é escasso e cuja estrutura social comporta uma feudal-burguesia assentada numa vasta massa de explorados. A civilização árabe, no entanto, acumula uma extraordinária experiência de luta contra o colonialismo e o imperialismo. Não por acaso, as massas oprimidas reconheceram a Revolução Russa, que passou a ter influência na região. O retrocesso estalinista comprometeu a luta pela independência nacional. A divisão que passou a ser imposta com o fim do Império Otomano desde a 1ª Guerra pelas potências e a hegemonia conquistada pelos Estados Unidos na 2ª Guerra intensificaram a opressão nacional e social. Formou-se um caldeirão em ebulição. Nele, emergiu o nacionalismo panarábico, que, sob uma elite militar, burguesa e pequeno-burguesa, fracassou na tarefa de conquistar a independência, reverter a divisão imposta e desenvolver as forças produtivas capitalistas. As manifestações contra as ditaduras e as monarquias serviçais e corruptas do Norte da África ao Oriente Médio têm por base essa realidade.
Pois bem, o assassinato de Osama teve como antecedente dez anos de ofensiva militar norte-americana, destacando a invasão do Afeganistão e Iraque. A devastação material e de vida humana ainda está por ser apurada. O mesmo não ocorreu com o Irã porque a resistência do povo afegão e iraquiano pôs limites aos planos de guerra de ocupação.
O terrorismo nacionalista, de fato, não imporá a derrota às forças das potências, mas tem se levantado como um obstáculo político ao imperialismo. A violência desfechada contra Osama Bin Laden sintetiza a violência reacionária do imperialismo às nações e povos oprimidos. O fato de rechaçarmos o terrorismo individual como método de luta, uma vez que é praticado independentemente da classe operária e dos demais oprimidos, não nos desobriga de defender Bin Laden contra a sanha dos opressores do mundo e denunciar a infâmia de sua execução.

 

Diretoria Executiva da APROPUC
(Bia Abramides, João B. Teixeira, Priscilla Cornalbas e Victoria C. Weischtordt)

 

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