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Professores da PUC-SP: uma categoria adormecida

APROPUC-SP 20.04.11

Aos leitores deste jornal parece desnecessário recordar, em detalhes, todos os ataques que os professores da PUC-SP têm sofrido ao longo dos últimos anos no que se refere às condições de trabalho: maximizações contratuais, tabelas diferenciadas, desrespeito a dissídios coletivos, tentativa de quebra da negociação coletiva, salas de aula e banheiros em condições precárias, etc.
Talvez, em função desse mesmo quadro, muitos professores, mesmo esvaídos por trabalharem em tais condições, ainda conseguem, de forma quase que milagrosa, manter a qualidade de suas aulas, atualizar-se, pesquisar, publicar. De certo, fazem-no por gosto e vocação, mas também para cumprir as árduas exigências que a promoção e a sua manutenção na carreira universitária têm exigido. Exigência essa que, nos últimos anos, passou a ser formalizada quase que de forma contábil nos planos acadêmicos.
Por outro lado, há professores, nem melhores e nem piores que outros, que se dedicam exclusivamente ao magistério, que trabalham em outras atividades, muitas delas que também contribuem para a atividade docente (psicólogos, profissionais do direito, jornalistas, assistentes sociais, pedagogos, administradores de empresa, para citar apenas alguns).
Some-se a isso que, nas horas vagas, o professor ainda tenta viver: são necessárias horas do dia para dormir, namorar, ler outras coisas fora de sua área, cuidar da família,atividades físicas, lazer etc.
É exigível que, diante de toda essa conjuntura, o professor ainda tenha disposição para lutar por melhores condições de trabalho, participando das assembleias da categoria que são convocadas para deliberar assuntos de seu interesse? Se o professor quiser continuar a sê-lo, especialmente, na PUC-SP, parece fundamental.
Mas como tem sido a participação do professor nesse particular? Depois de várias assembleias esvaziadas, o Ato n.º 01/2011, que representa a maxiexploração, que impõe mais trabalho pelo mesmo contrato e deflagrará verdadeira luta pela sobrevivência - aqui ilustrada pela disputa de turmas, que não serão suficientes para manter a todos na universidade - os professores vieram para discutir a questão. E é fato que não se via tanto professor em assembleia havia algum tempo.
E o que deliberou a assembleia? Diante de quadro tão grave, a assembleia limitou-se a aprovar a criação de três comissões: uma para avaliar os contratos; outra para discutir projeto de universidade; e a outra para avaliar a situação financeira da PUC-SP.
Constituídas as comissões, sem contar os diretores da própria associação dos professores que se dispuseram a compor as comissões, somente três professores compareceram para contribuir com o trabalho.
Apenas a comissão de contratos passou a funcionar, com dois professores de fora dos quadros de direção da APROPUC, sendo que, após algumas poucas reuniões, nas quais se levantaram importantes questões, uma professora solicitou seu desligamento, restando, pois, de toda a categoria, apenas um professor que hoje simboliza o estado de mobilização que se encontra nossa categoria. A comissão de finanças com um professor interessado, nem chegou a funcionar.
A assembleia deliberou ainda pela criação de uma comissão que teve a participação de uma professora, além dos diretores da APROPUC, para realizar um debate aberto com os alunos,  PUC: Onde estamos e para onde vamos?
O debate ocorreu e foi deliberada a criação de um Comitê Unificado entre professores e estudantes, e, hoje, somente uma professora, além dos diretores, participa.
Por esse motivo, a diretoria da APROPUC avalia a necessidade da categoria responder à deliberação tomada coletivamente pela assembleia, para que possa continuar a discutir e tentar encontrar uma solução para os problemas que o referido Ato n.º 01/2011 já vem causando na universidade. Àqueles que esperam pela desmobilização e nenhuma resistência em relação a um projeto mercantilista de universidade, que cada vez mais se aproxima, as notícias não poderiam ser mais alvissareiras.
A diretoria da APROPUC alerta para um 2º semestre adverso, em que a tendência será de um maior arrocho das nossas condições de trabalho e o imobilismo dos professores só recairá sobre suas próprias costas.
Nossa entidade é a trincheira principal no processo de combate de mais esta destruição do trabalho e do ensino na PUC-SP, mas para tal é necessário que a categoria dos professores se manifeste, pois uma entidade é muito mais que sua diretoria.

Diretoria da APROPUC

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