Seis milhões e seis meses
APROPUC-SP
04.12.09
Os números do título acima mostram o que acontece atualmente na PUC-SP:
1) Seis milhões é o superávit previsto no orçamento da universidade para o ano de 2010, segundo o pró-reitor de Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, professor José Heleno Mariano;
2) Seis meses é o prazo determinado pelo Consad para a duração do atual quadro de horas administrativas a envolver docentes da PUC-SP.
Tais números - além da indisfarçável ironia de sobrepujar o dinheiro (e os milhões!) sobre a qualidade acadêmica, num difamante trocadilho do "time is money", em que o tempo (seis meses) é condição necessária para o dinheiro (seis milhões) -, não esclarecem, todavia, à comunidade da PUC-SP, quais são efetivamente os verdadeiros objetivos da atual Reitoria e da Fundação São Paulo para o ano de 2010, bem como para o futuro da Universidade.
É estranho, em primeiro lugar, se aperceber que o Consad embora tenha acatado praticamente quase todos os recursos que lhe foram enviados pelas mais diferentes direções de faculdades da PUC-SP, tenha ainda assim delimitado o prazo de duração de sua revogação em seis meses. Ou seja, aparentemente criou uma categoria jurídica e administrativa típica de quem não tem planejamento e que, antes e pelo contrário, é própria daqueles que se deixam reger pela tática do improviso: a "revogação provisória".
Há em tal medida da "revogação provisória" uma evidente contradição (os poetas diriam que se trata de uma figura de linguagem: "um oxímoro quase perfeito"), pois se por um lado o Consad acatou os recursos contrários ao corte das horas administrativas propostas por ele mesmo (e, portanto, reconheceu não apenas a impropriedade de sua proposição, mas sobretudo a justeza dos argumentos de quem recorreu a tal medida imprópria), também - por outro lado - não admite a hipótese de revogar uma proposição imprópria que resultou em medida imprópria.
Para o Consad, portanto, ainda que os recursos das diferentes unidades da PUC-SP tenham arrazoados justos; tais arrazoados não são, todavia, mais adequados aos princípios do modelo de universidade que seus membros concebem e engendram no presente (e quando falamos em membros que compõem o Consad, que fique claro à toda comunidade da PUC-SP, que tais membros não se restringem apenas ao magnífico Reitor e aos dois secretários executivos da Fundação São Paulo, pois é fato conhecido que tal triunvirato é assessorado por diferentes docentes de nossa universidade, os quais são, portanto, cúmplices e, em muitos casos, os mentores intelectuais do modelo de universidade que está sendo gerido pelo Consad).
O fato - já indisfarçável - é que estamos a viver uma farsa de democracia, uma farsa que alijou os conselhos deliberativos de nossa Universidade de suas funções regimentais e legais, Consun, Cepe e Conplad pouco debateram a universidade no ano em curso e quase nenhuma deliberação tiveram. Por sua vez, a atual Reitoria quase nenhum esforço fez para que questões de relevo acadêmico e pedagógico fossem devidamente analisadas e debatidas nos conselhos deliberativos que comanda (a atual Reitoria se omitiu, quando - por exemplo - se recusou a por em debate no Consun a maximização e as horas administrativas docentes).
As Câmaras de Graduação e de Pós-graduação quando muito - e se muito - tiveram apenas duas sessões durante o ano, seus membros não tiveram, deste modo, como nutrir os atuais Pró-reitores de Graduação e Pós-graduação de dados e informações, com os quais e a partir dos quais os mesmos pudessem realizar um planejamento consequente para o ano vindouro.
Tudo isso somado, são sinais incontestes para toda a comunidade da PUC-SP, de que encontra-se em curso - por meio do segredo das quatro paredes e dos conchavos secretos das conversas reservadas -, a elaboração e concepção de um novo projeto de gestão da universidade, com prováveis novos mecanismos para a regência do contrato docente; somente assim seria compreensível a "revogação provisória" do ato numero 5/2009 do Consad. Tudo indica que dentro de seis meses teremos a implantação de um modelo diferente - e por ora secreto - de gestão tanto da universidade, quanto das questões acadêmicas (e que incluem além da pesquisa, as condições de contrato e do plano de carreira docente); um modelo, enfim, gestado em segredo, à semelhança dos filhos bastardos e à semelhança daquilo que se convencionou chamar - no interior das democracias legítimas e verdadeiras -, de golpe.
1) Seis milhões é o superávit previsto no orçamento da universidade para o ano de 2010, segundo o pró-reitor de Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, professor José Heleno Mariano;
2) Seis meses é o prazo determinado pelo Consad para a duração do atual quadro de horas administrativas a envolver docentes da PUC-SP.
Tais números - além da indisfarçável ironia de sobrepujar o dinheiro (e os milhões!) sobre a qualidade acadêmica, num difamante trocadilho do "time is money", em que o tempo (seis meses) é condição necessária para o dinheiro (seis milhões) -, não esclarecem, todavia, à comunidade da PUC-SP, quais são efetivamente os verdadeiros objetivos da atual Reitoria e da Fundação São Paulo para o ano de 2010, bem como para o futuro da Universidade.
É estranho, em primeiro lugar, se aperceber que o Consad embora tenha acatado praticamente quase todos os recursos que lhe foram enviados pelas mais diferentes direções de faculdades da PUC-SP, tenha ainda assim delimitado o prazo de duração de sua revogação em seis meses. Ou seja, aparentemente criou uma categoria jurídica e administrativa típica de quem não tem planejamento e que, antes e pelo contrário, é própria daqueles que se deixam reger pela tática do improviso: a "revogação provisória".
Há em tal medida da "revogação provisória" uma evidente contradição (os poetas diriam que se trata de uma figura de linguagem: "um oxímoro quase perfeito"), pois se por um lado o Consad acatou os recursos contrários ao corte das horas administrativas propostas por ele mesmo (e, portanto, reconheceu não apenas a impropriedade de sua proposição, mas sobretudo a justeza dos argumentos de quem recorreu a tal medida imprópria), também - por outro lado - não admite a hipótese de revogar uma proposição imprópria que resultou em medida imprópria.
Para o Consad, portanto, ainda que os recursos das diferentes unidades da PUC-SP tenham arrazoados justos; tais arrazoados não são, todavia, mais adequados aos princípios do modelo de universidade que seus membros concebem e engendram no presente (e quando falamos em membros que compõem o Consad, que fique claro à toda comunidade da PUC-SP, que tais membros não se restringem apenas ao magnífico Reitor e aos dois secretários executivos da Fundação São Paulo, pois é fato conhecido que tal triunvirato é assessorado por diferentes docentes de nossa universidade, os quais são, portanto, cúmplices e, em muitos casos, os mentores intelectuais do modelo de universidade que está sendo gerido pelo Consad).
O fato - já indisfarçável - é que estamos a viver uma farsa de democracia, uma farsa que alijou os conselhos deliberativos de nossa Universidade de suas funções regimentais e legais, Consun, Cepe e Conplad pouco debateram a universidade no ano em curso e quase nenhuma deliberação tiveram. Por sua vez, a atual Reitoria quase nenhum esforço fez para que questões de relevo acadêmico e pedagógico fossem devidamente analisadas e debatidas nos conselhos deliberativos que comanda (a atual Reitoria se omitiu, quando - por exemplo - se recusou a por em debate no Consun a maximização e as horas administrativas docentes).
As Câmaras de Graduação e de Pós-graduação quando muito - e se muito - tiveram apenas duas sessões durante o ano, seus membros não tiveram, deste modo, como nutrir os atuais Pró-reitores de Graduação e Pós-graduação de dados e informações, com os quais e a partir dos quais os mesmos pudessem realizar um planejamento consequente para o ano vindouro.
Tudo isso somado, são sinais incontestes para toda a comunidade da PUC-SP, de que encontra-se em curso - por meio do segredo das quatro paredes e dos conchavos secretos das conversas reservadas -, a elaboração e concepção de um novo projeto de gestão da universidade, com prováveis novos mecanismos para a regência do contrato docente; somente assim seria compreensível a "revogação provisória" do ato numero 5/2009 do Consad. Tudo indica que dentro de seis meses teremos a implantação de um modelo diferente - e por ora secreto - de gestão tanto da universidade, quanto das questões acadêmicas (e que incluem além da pesquisa, as condições de contrato e do plano de carreira docente); um modelo, enfim, gestado em segredo, à semelhança dos filhos bastardos e à semelhança daquilo que se convencionou chamar - no interior das democracias legítimas e verdadeiras -, de golpe.
Diretoria da APROPUC
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