De novo as terceirizadas
APROPUC-SP
27.11.09
O tema não é novo. Ele já frequentou as colunas deste editorial por várias vezes. Mas eis que neste final de semestre, já por três vezes seguidas, recebemos denúncias de funcionários terceirizados sobre as baixas condições de trabalho a que estão submetidos. Nas duas últimas semanas eram seguranças da Graber se manifestando. Agora, novamente, funcionárias da limpeza vêm à redação expor as suas queixas.
Não é de hoje também que a AFAPUC, juntamente com a APROPUC, lutam para que a terceirização seja banida da PUC-SP. Mas não é assim que pensam os últimos gestores desta universidade, que enxergaram na terceirização somente uma fórmula para suprir o déficit de caixa no final do mês.
Iniciada pelo professor Antonio Carlos Ronca, a terceirização dos serviços da PUC-SP ganhou força na gestão Maura Véras, principalmente depois das demissões. Um dos primeiros setores terceirizados foi a restaurante, depois vieram a segurança, limpeza, xerox, áudio-visual, entre outros. Essas alterações provocaram grandes mudanças nas relações internas, uma vez que profissionais externos eram chamados a intervir na universidade e muitas vezes, como no caso da segurança, sem um conhecimento específico da vida acadêmica, posto que trabalhavam em atividades completamente diferentes da atual.
Ironicamente a universidade que foi um paradigma na luta pela manutenção de suas condições de ensino e trabalho, passa a conviver com trabalhadores explorados pelas suas empresas de origem. Mais do que isso, a terceirização propicia uma vinculação orgânica do funcionário à sua empresa totalmente esquizofrênica: o trabalhador não responde àqueles patrões imediatos que vê passar todo dia pelos corredores, mas remete-se a outros senhores, que estão fora da universidade. Do ponto de vista sindical essa anomalia dificulta a participação efetiva do trabalhador nas lutas mais próximas à sua categoria. Trata-se de mais uma das tantas perversidades que o neoliberailmo aprofundou em nossa sociedade, mas que se torna inconcebível dentro de uma instituição que sempre se pautou na luta pelo crescimento político de seus trabalhadores.
Porém, se não bastassem todos os argumentos contrários à manutenção deste esquema, na semana passada foi questionada pela própria direção da Fundação São Paulo, a fundamentação que sustentava com maior segurança a terceirização. Na reunião extraordinária do Conselho de Administração, Consad, o padre Rodolpho Perazzolo, secretário-executivo da mantenedora, ao examinar o orçamento para 2010, espantou-se com os mais de R$ 10 milhões que serão gastos o ano que vem só com limpeza e segurança. Para o gestor este valor seria muito alto comparando-se a outros custos projetados.
O pró-reitor Helio Deliberador, no entanto, acenou com uma possível economia de R$ 600 mil, prometidos pelas terceirizadas, em virtude de melhorias tecnológicas. Isto é muito pouco perto do que esperam as associações, que durante toda a campanha eleitoral de 2008 ouviram dos candidatos, inclusive do professor Dirceu de Mello, suas preocupações com a atual precarização dos serviços dentro da universidade e as promessas de solução do problema.
É por isso que a AFAPUC, juntamente com a APROPUC, defendem o fim da terceirização e a incorporação dos funcionários hoje em exercício aos quadros da universidade como única solução capaz de por fim à exploração a que hoje são submetidos os trabalhadores terceirizados.
Não é de hoje também que a AFAPUC, juntamente com a APROPUC, lutam para que a terceirização seja banida da PUC-SP. Mas não é assim que pensam os últimos gestores desta universidade, que enxergaram na terceirização somente uma fórmula para suprir o déficit de caixa no final do mês.
Iniciada pelo professor Antonio Carlos Ronca, a terceirização dos serviços da PUC-SP ganhou força na gestão Maura Véras, principalmente depois das demissões. Um dos primeiros setores terceirizados foi a restaurante, depois vieram a segurança, limpeza, xerox, áudio-visual, entre outros. Essas alterações provocaram grandes mudanças nas relações internas, uma vez que profissionais externos eram chamados a intervir na universidade e muitas vezes, como no caso da segurança, sem um conhecimento específico da vida acadêmica, posto que trabalhavam em atividades completamente diferentes da atual.
Ironicamente a universidade que foi um paradigma na luta pela manutenção de suas condições de ensino e trabalho, passa a conviver com trabalhadores explorados pelas suas empresas de origem. Mais do que isso, a terceirização propicia uma vinculação orgânica do funcionário à sua empresa totalmente esquizofrênica: o trabalhador não responde àqueles patrões imediatos que vê passar todo dia pelos corredores, mas remete-se a outros senhores, que estão fora da universidade. Do ponto de vista sindical essa anomalia dificulta a participação efetiva do trabalhador nas lutas mais próximas à sua categoria. Trata-se de mais uma das tantas perversidades que o neoliberailmo aprofundou em nossa sociedade, mas que se torna inconcebível dentro de uma instituição que sempre se pautou na luta pelo crescimento político de seus trabalhadores.
Porém, se não bastassem todos os argumentos contrários à manutenção deste esquema, na semana passada foi questionada pela própria direção da Fundação São Paulo, a fundamentação que sustentava com maior segurança a terceirização. Na reunião extraordinária do Conselho de Administração, Consad, o padre Rodolpho Perazzolo, secretário-executivo da mantenedora, ao examinar o orçamento para 2010, espantou-se com os mais de R$ 10 milhões que serão gastos o ano que vem só com limpeza e segurança. Para o gestor este valor seria muito alto comparando-se a outros custos projetados.
O pró-reitor Helio Deliberador, no entanto, acenou com uma possível economia de R$ 600 mil, prometidos pelas terceirizadas, em virtude de melhorias tecnológicas. Isto é muito pouco perto do que esperam as associações, que durante toda a campanha eleitoral de 2008 ouviram dos candidatos, inclusive do professor Dirceu de Mello, suas preocupações com a atual precarização dos serviços dentro da universidade e as promessas de solução do problema.
É por isso que a AFAPUC, juntamente com a APROPUC, defendem o fim da terceirização e a incorporação dos funcionários hoje em exercício aos quadros da universidade como única solução capaz de por fim à exploração a que hoje são submetidos os trabalhadores terceirizados.
Diretoria da APROPUC
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