O esvaziamento político da PUC-SP
APROPUC-SP
06.11.09
O novo estatuto, elaborado de forma avessa a qualquer postura democrática de discussão, estipulou um número maior de representantes nos órgãos colegiados. Na gestão Dirceu de Mello o Consun teve que mudar de sala, pois a tradicional P-65 já não comportava os quase cinquenta conselheiros.
Porém, se passou a existir uma participação quantitativa maior, ela fica totalmente diluída nas novas atribuições dos conselhos. Desde março o Consun vem se debruçando sobre questões sem dúvida importantes para a comunidade, mas que passam bem longe das questões de fundo da universidade, que hoje são discutidas em petit comité no Conselho de Administração, Consad.
As horas administrativas são um exemplo claro dessa nova postura: depois de um ato do reitor ao início do segundo semestre, APROPUC e diretores reagiram contra a decisão e fizeram com que os três conselheiros do Consad revissem momentaneamente a questão. Ficou a expectativa, mediante as promessas do reitor, de que o Consun poderia enfim retomar a discussão do tema, que não é meramente administrativo, mas envolve posturas acadêmicas claras. No entanto, numa única canetada os três conselheiros, decidiram no último dia 30/10, quanto vão ganhar os docentes que exercem as chamadas funções administrativas.
Passada a perplexidade da nova situação alguns membros do Consun começaram a questionar tais atitudes, reivindicando um novo direcionamento nas pautas elencadas pelo reitor. Para eles tornou-se prioritário discutir questões como orçamento, contrato de trabalho docente, maximização, entre outros assuntos. Os funcionários, que desde o ano passado assistem sem nada poder fazer à elaboração de um novo Plano de Cargos e Salários, que vai mexer com toda a sua vida funcional, reivindicaram na última sessão do Conselho que a AFAPUC possa representá-los na elaboração do novo PCS.
O reitor informou que somente após a finalização da proposta é que poderá chamar a AFAPUC para opinar sobre o texto. Essa postura também se repetiu quando a APROPUC solicitou participação na elaboração de um novo contrato docente e o professor Dirceu pediu que se esperasse a conclusão do texto.
Ora , tal postura vai contra todo o sentido democrático que esta universidade sempre procurou defender. Funcionários, professores e estudantes reivindicam participação efetiva nas decisões da PUC-SP e não o papel de meros observadores, que só poderão "mudar" picuinhas de textos que já vêm prontos e sacramentados das instâncias decisórias da universidade.
A APROPUC denunciou por várias vezes o caráter mercantil que esta instituição vem tomando. Esse caráter não se revela exclusivamente nas decisões financeiras, mas passa por todas as posturas anti-democráticas que a Reitoria e Fundação São Paulo têm consagrado nos últimos tempos. Além da maximização, renovada todo ano ( e parece que este ano vai vingar de novo), além das tabelas diferenciadas de salário docente, além do arrocho na concessão de bolsas para os funcionários, está a falta de discussão de nosso cotidiano, a repressão às atividades estudantis, a pressão de um sistema de segurança que incrimina funcionários.
Decididamente esta não é a PUC-SP que sonhamos e pela qual batalhamos durante boa parte de nossas vidas. Nossa grande luta é fazer com que, nos próximos anos, ela não se transforme num arremedo de universidade, como tantas outras que existem no mercado.
Porém, se passou a existir uma participação quantitativa maior, ela fica totalmente diluída nas novas atribuições dos conselhos. Desde março o Consun vem se debruçando sobre questões sem dúvida importantes para a comunidade, mas que passam bem longe das questões de fundo da universidade, que hoje são discutidas em petit comité no Conselho de Administração, Consad.
As horas administrativas são um exemplo claro dessa nova postura: depois de um ato do reitor ao início do segundo semestre, APROPUC e diretores reagiram contra a decisão e fizeram com que os três conselheiros do Consad revissem momentaneamente a questão. Ficou a expectativa, mediante as promessas do reitor, de que o Consun poderia enfim retomar a discussão do tema, que não é meramente administrativo, mas envolve posturas acadêmicas claras. No entanto, numa única canetada os três conselheiros, decidiram no último dia 30/10, quanto vão ganhar os docentes que exercem as chamadas funções administrativas.
Passada a perplexidade da nova situação alguns membros do Consun começaram a questionar tais atitudes, reivindicando um novo direcionamento nas pautas elencadas pelo reitor. Para eles tornou-se prioritário discutir questões como orçamento, contrato de trabalho docente, maximização, entre outros assuntos. Os funcionários, que desde o ano passado assistem sem nada poder fazer à elaboração de um novo Plano de Cargos e Salários, que vai mexer com toda a sua vida funcional, reivindicaram na última sessão do Conselho que a AFAPUC possa representá-los na elaboração do novo PCS.
O reitor informou que somente após a finalização da proposta é que poderá chamar a AFAPUC para opinar sobre o texto. Essa postura também se repetiu quando a APROPUC solicitou participação na elaboração de um novo contrato docente e o professor Dirceu pediu que se esperasse a conclusão do texto.
Ora , tal postura vai contra todo o sentido democrático que esta universidade sempre procurou defender. Funcionários, professores e estudantes reivindicam participação efetiva nas decisões da PUC-SP e não o papel de meros observadores, que só poderão "mudar" picuinhas de textos que já vêm prontos e sacramentados das instâncias decisórias da universidade.
A APROPUC denunciou por várias vezes o caráter mercantil que esta instituição vem tomando. Esse caráter não se revela exclusivamente nas decisões financeiras, mas passa por todas as posturas anti-democráticas que a Reitoria e Fundação São Paulo têm consagrado nos últimos tempos. Além da maximização, renovada todo ano ( e parece que este ano vai vingar de novo), além das tabelas diferenciadas de salário docente, além do arrocho na concessão de bolsas para os funcionários, está a falta de discussão de nosso cotidiano, a repressão às atividades estudantis, a pressão de um sistema de segurança que incrimina funcionários.
Decididamente esta não é a PUC-SP que sonhamos e pela qual batalhamos durante boa parte de nossas vidas. Nossa grande luta é fazer com que, nos próximos anos, ela não se transforme num arremedo de universidade, como tantas outras que existem no mercado.
Diretoria da APROPUC
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