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Home >> Editorial >> Oito anos! Será que dá para esperar tanto tempo?

Oito anos! Será que dá para esperar tanto tempo?

APROPUC-SP 30.10.09

Em maio de 2005 a PUC-SP não incorporou aos salários de seus docentes os valores referentes ao reajuste anual, que naquele ano foi de 7,66%. A Reitoria da professora Maura Véras propôs então incorporar o percentual de reajuste em janeiro de 2006 e dividir os atrasos em três parcelas a serem pagas em abril, junho e agosto daquele ano.
Porém, a crise que já vinha se alastrando pela universidade aprofundou-se sensivelmente naquele ano, culminando com a intervenção da Fundação São Paulo e as demissões em massa. Assim o pagamento da proposta acordada com os professores não foi cumprido.
Ao longo destes anos a dívida foi crescendo, pois a cada mês a PUC-SP deixava de pagar 7,66% sobre os salários de cada professor. E hoje chega-se ao espantoso percentual de 480,52%, sobre os salários de maio/2005. Para se ter uma idéia mais precisa, um doutor que à época trabalhava em regime de tempo integral e sem nenhum qüinqüênio, tem a receber da PUC-SP cerca de R$ 37.067 (valores reajustados pelo ICV-Dieese até 31/8/2009). Não é a toa que grande parte de nossos docentes chega ao final do mês devendo aos bancos, bancos estes aos quais a universidade paga religiosamente enormes quantias mensais, decorrentes da dívida que se acumula há vários anos
Esses valores, somados à maximização vigente nos contratos de trabalho, mais o solapamento causado pela redução provocada pela existência de várias tabelas de salários, fazem com que o professor da PUC-SP tenha hoje um dos salário mais aviltados do nosso sistema educacional
A APROPUC iniciou este ano um processo de negociação, que envolvia a Fundação e a Reitoria, chegando a um acordo sobre a dívida de 2004 ( que está sendo paga em 36 vezes) Porém, no tocante a dívida de 2005 os gestores acenavam com alternativas pouco palatáveis, como o pagamento depois de 2013, quando terminam os principais débitos bancários da instituição ou, pior ainda, pagamento somente para os docentes no dia em que se aposentarem. Diante destas perspectivas ( e tendo claro que este ano a dívida poderia "caducar"), a associação dos professores, convocou uma mesa de conciliação na Delegacia Regional do Trabalho, que deu prazo para a PUC-SP formular uma proposta de pagamento até 23/10. Terminado o prazo a Fundação São Paulo, juntamente com a Reitoria, fizeram uma proposta para "saldar" a dívida em até oito anos. Além do texto não detalhar como, de fato, a instituição irá parcelar os valores devidos ao longo dos oito anos, nem como incorporará o índice de 7,66% nesse mesmo período, o prazo extremamente elástico tende a reduzir os valores devidos a pó, ao longo do tempo.
A dedicação do corpo docente tem sido uma das marcas fundamentais desta universidade. Este ano ela subiu na maioria dos rankings do país, fundamentalmente pela excelência e participação dos professores, já que nossos equipamentos deixam muito a desejar. No entanto o reconhecimento de nossos gestores está em sentido diametralmente oposto e o desrespeito ao profissional de ensino que dedica sua vida à universidade é moeda corrente em nossos dias.
Professor, neste momento é extremamente importante que juntemos forças para lutar por uma proposta que respeite nossa dignidade e recupere a perda histórica de nossos salários. Para isso a APROPUC está convocando uma assembléia em sua sede, nesta quarta-feira, 4/11, às 17h30.
Sua presença é fundamental para discutirmos a recomposição de nossos salários!

DIRETORIA DA APROPUC

 

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