Busca

Publicações

» Revista PUC Viva
revista_puc_viva_logo

» Revista Cultura Crí-ti-ca
revista_puc_critica_logo

» Jornal PUC Viva
puc_viva_logo

 


Home >> Editorial >> Fora golpistas!

Fora golpistas!

APROPUC-SP 02.10.09

A convocatória para a "Manifestação em Solidariedade ao Povo de Honduras", assinada por Centrais, sindicatos, entidades estudantis, partidos de esquerda e movimentos, chama os trabalhadores e a juventude a empunhar a luta por "Fora Golpistas". Defende: O golpe de Honduras tem de ser derrotado nas ruas de Honduras e de todo mundo. Nos últimos dias os golpistas não deixaram nenhuma dúvida aos trabalhadores e aos povos do mundo ao mostrar sua verdadeira face fascista: toque de recolher, estado de sítio, prisões, repressão brutal com centenas de feridos e assassinatos. As imagens de estádios sendo usados como 'prisões' para centenas de detenções, realizadas de maneira arbitrária e violenta, trazem à memória as imagens do golpe de Pinochet no Chile e as prisões e execuções no Estádio Nacional tão simbólicas das ditaduras de nosso continente.
O governo golpista de Micheletti nasceu isolado internacionalmente e internamente enfrentou resistência de parte da população mais pobre e do movimento estudantil. Desta vez, os Estados Unidos tiveram de esconder sua responsabilidade. O golpe foi dirigido contra as posições do presidente Manuel Zelaya em favor do nacionalismo e reformismo de Hugo Chávez da Venezuela.
Eleito em novembro de 2005, com 51% dos votos, pelo Partido Liberal (PL), Zelaya procurou inaugurar um governo de apaziguamento de Honduras com El Salvador e com a Nicarágua, assinando um acordo de demarcação de fronteira. Honduras serviu de base para os Estados Unidos combaterem a revolução Sandinista, o que tornou os dois países inimigos, além das disputas de fronteira. Esse pequeno e miserável país da América Central há muito é controlado pelos EUA, que a tem como uma das mais serviçais semicolônia.
Zelaya, inclusive, manteve essa condição, recebendo "ajuda" financeira e assinando o Acordo de Livre-Comércio Centro Americano. Mas, em 2008, inicia uma virada em sua política, aproximando-se de Chávez, evidentemente por circunstância econômica. Assina um acordo com a Venezuela para obter petróleo mais barato - acordo PetroCaribe. Os laços com o chavismo se tornam mais sólidos - Honduras passa a fazer parte da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba). Em relação aos camponeses, dá início à regularização de título de terra, ainda que num processo lento e tortuoso.
A oligarquia que controla, de fato, o Estado não via a hora de terminar seu mandato. Mas Zelaya ousou defender uma mudança constitucional para obter o direito de reeleição. O Congresso, o Judiciário, as Forças Armadas e a Igreja se uniram, arrancaram o Presidente da cama e o enxotaram de Honduras. Os golpistas tiveram a certeza de que os partidários de Zelaya não teriam capacidade de impor resistência e não contaram com a posição internacional de reprovação.
Obama faz jogo duplo. Manobrou com a proposta de acordo, conduzido por Oscar Arias, da Costa Rica. Deu tempo para que o governo golpista conduzisse o processo eleitoral e reprimisse as manifestações dos hondurenhos pró-Zelaya. A entrada do presidente deposto clandestinamente no País e seu alojamento na embaixada brasileira foi o recurso que ainda restava a Zelaya. Os EUA condenaram a ação, uma vez que rompia sua manobra. Lula não teve outra opção senão proteger Zelaya.
O movimento de rua foi reavivado. O governo de Micheletti está fraco. Mas Zelaya se mostrou disposto a capitular desde a proposta do acordo Obama/Arias. Da embaixada, clama por diálogo com os golpistas. A solução, tudo indica, está próxima. A OEA, finalmente, negociará a saída capituladora. A oligarquia conti- nuará a mandar.
Os pobres da cidade e do campo terão de ganhar independência política e organizativa e lutar por uma governo próprio, operário e camponês.

Diretoria da APROPUC

  Voltar PDF  Versão em PDF E-mail  Encaminhar Imprimir  Imprimir
filiese

Enquete

O que você acha da implementação do ensino à distância na PUC SP?