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Home >> Movimentos Sociais >> Nota do MTST sobre o Conclat

Nota do MTST sobre o Conclat

APROPUC-SP 01.07.10

1 - O MTST foi uma das entidades convocantes do Conclat, tendo participado do processo de reorganização desde o início. Ao longo dos seminários, encontros e debates pautamos nossa intervenção pela defesa da unidade. Os segmentos que compuseram este processo são bastante minoritários diante do conjunto das organizações dos trabalhadores no Brasil, o que – somado a uma conjuntura de estagnação das lutas populares – torna a unidade uma questão de sobrevivência política. Se unidos somos frágeis, divididos nossa intervenção é quase insignificante.

2 - Foi com esta disposição que fomos a Santos, nos dias 6 e 7. E saímos derrotados – como todas as outras forças – pelo desfecho lamentável do Congresso. Em primeiro lugar, consideramos uma derrota do movimento popular a quantidade inexpressiva de delegados que levamos ao Congresso, em grande medida pelo critério financeiro restritivo, mantido apesar de nosso questionamento. Foi um Congresso sindical, com uma representação simbólica de militantes do movimento popular. Em segundo lugar, o final melancólico do Congresso – com a saída de um setor expressivo do plenário – demonstrou a incapacidade histórica da esquerda de colocar seus acordos à frente de suas diferenças.

3 - Não concordamos com a saída do plenário, efetuada pelos companheiros da Intersindical, MAS e Unidos pra Lutar. Consideramos uma conduta política que não contribuiu para a unidade. Mas, na mesma medida, consideramos um sério equívoco dos companheiros da maioria da Conlutas – também maioria do Congresso – a indisposição em construir um acordo em relação ao nome da entidade, tendo em vista o tensionamento do debate e a responsabilidade que recai sobre uma maioria em situações como essas. Não questionamos a legitimidade da maioria do Congresso; questionamos sim uma falta de sensibilidade política no trato com a minoria. Em nosso entendimento, não houve vitoriosos; perderam todas as organizações que construíram o processo, perderam os trabalhadores.

4 - Permanecemos no Plenário e decidimos por compor a entidade como expressão  de nossa aposta na unidade. Aposta esta que nos faz considerar a tarefa mais urgente e necessária recompor os debates e buscar incansavelmente os acordos necessários para que todas as organizações que construíram o Conclat estejam juntas numa Nova Central. Para nós, o Congresso não acabou: sua conclusão só se dará com gestos equilibrados de todas as organizações para superar a divisão e fazer esquecer as cenas lamentáveis que vimos em Santos. A posição do MTST no processo será continuamente reavaliada de acordo com os desdobramentos de nossos esforços pela unidade.

5 - Outros dois esclarecimentos se fazem necessários de nossa parte. Primeiro, quanto à interpretação de alguns companheiros de que o MTST teria saída do Plenário e posteriormente retornado. Ressaltamos que em nenhum momento deixamos o Plenário do Conclat. O que ocorreu foi uma movimentação de nossa bancada no interior do salão, motivada por nossa discordância com palavras-de-ordem que julgamos desrespeitosas, lançadas por companheiros que estavam precisamente na parte do Plenário onde estávamos localizados. Segundo, reafirmamos – como já expresso em outra nota – que a Resistência Urbana: Frente Nacional de Movimentos sequer participou do Conclat enquanto organização e que, por isso, tampouco tomou qualquer posicionamento em relação aos conflitos ocorridos no Congresso.


Coletivo Nacional de Articulação do MTST

São Paulo, 10 de junho de 2010

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