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PUC EM MOVIMENTO - Debate aponta reais interesses no Haiti

APROPUC-SP 08.03.10

No dia 2/3, foi realizada a segunda atividade da calourada unificada, no auditório 333. Dessa vez, os estudantes organizaram um debate sobre a atual situação do Haiti com a presença de Erson Martins (APROPUC), Mara Onijá (Ler-QI) e Otávio Calegari (Unicamp).
A atividade foi organizada pelos Centros Acadêmicos de Ciências Sociais, Comunicação, Direito, Serviço Social, Psicologia e APROPUC.

Exploração e pobreza

Erson Martins abriu o debate comentando que o Haiti tem hoje 80% da população vivendo na pobreza, com salários de U$ 2 dólares por dia, e 70% de desemprego na população. Ele também lembrou todo o histórico de colonização e imperialismo sofrido pelo povo haitiano. "A atual situação do Haiti não é um retrato congelado. É fruto de um saque constante no país", comentou.
Depois, o professor refletiu sobre a intervenção norte-americana após o terremoto. Para Erson, as tropas norte-americanas foram ao Haiti para substituir o Estado. "Para mostrar seu poderio, os EUA preferiram a sua organização de guerra aos alimentos e ajuda humanitária, sob a ideia de que o governo estava falido, quem substitui o Estado? As forças dos EUA", concluiu.
A militante Mara Onijá comentou a questão da mulher no Haiti. Segundo ela, os casos de estupro e sequestro de crianças não estão sendo averiguados pela ONU, apesar das grandes denúncias. Ela também comentou a complicada situação das dezenas de milhares de mulheres grávidas.
Mara explicou que vem impulsionando a campanha "Somos as negras do Haiti", junto ao grupo Pão e Rosas. O objetivo é se colocar na pele das mulheres haitianas.

Testemunha ocular

O estudante Otávio Calegari, da Unicamp, esteve no Haiti durante o terremoto. Antes do desastre, ele comentou que visitou uma das zonas francas industriais, dominadas por multinacionais. "O local parecia uma prisão, com guaritas, cercas e policiais armados", relatou. "Para um trabalhador da zona franca, o salário equivale há um pouco mais que uma marmita por dia", comentou.
O pesquisador também realizou uma entrevista com o Coronel Bernardes, do exército brasileiro. No encontro, o Coronel comentou abertamente que a principal função das tropas é a segurança dos investimentos internacionais e que o trabalho no Haiti serve de laboratório para uma possível ações nas favelas cariocas.
Já no dia do terremoto, o estudante estava no centro de Porto Príncipe e comentou a total ausência das tropas da ONU, ao contrário dos outros dias. "Eles estavam preocupados com os seus hotéis e suas bases militares, não com o povo haitiano", comentou. Segundo ele, as justificativas do exército brasileiro, de falta de logística e segurança para ajuda humanitária são injustificáveis. "Se houvesse interesse teria sido rápido, as tropas brasileiras não consultaram ninguém. Eles não quiseram ajudar porque consideram que o povo haitiano é negro, pobre e rebelde e, por isso, pode morrer", comentou.
"Nós éramos os únicos brancos em toda a cidade e não sofremos nenhum tipo de assédio. Todo dia caminhávamos 2 km e não aconteceu nada. Pelo contrário, os haitianos chegaram a nos oferecer ajuda", concluiu.

Reconstrução

Os debatedores também comentaram a questão da reconstrução do Haiti, liderada por Bill Clinton. Segundo eles, a açõe do ex-presidente refletem interesses comerciais na região. No entendimento da mesa, é importante a ajuda humanitária, mas é preciso ajudar a reconstruir as organizações de classe trabalhadora.

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