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Home >> História

História da APROPUC

APROPUC-SP 18.12.08

Texto publicado na Revista PUCViva número 01, setembro de 1996

A esmagadora maioria decidiu criar a Associação

O País vivia uma política autoritária onde a sociedade não podia se expressar através de grupos ou associações. Foi justamente nessa época que os professores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo resolveram criar a APROPUC. No dia 25 de setembro de 1976, com ampla participação dos professores, foi fundada a Associação.

Unidos na criação da APROPUC

A prática democrática dos professores adquirida no movimento estudantil foi levada para a sala de aula. Esta contribuição foi deixada pelo Ciclo Básico, tanto para a universidade como para a entidade, no entanto ele não existe mais, lembra a professora Madalena. "A APROPUC teve uma marca forte dos professores do Básico", diz ela. Mas ressalva, "ele foi importante para todos nós, mas não foi predominante na história da entidade porque o Básico foi extinto e a Associação continuou forte, participando das lutas pela democratização da universidade e pelos interesses dos professores." Madalena resume o funcionamento do Ciclo Básico. "Havia uma estrutura democrática, as decisões eram tomadas em equipe, cada equipe tinha sua coordenação. Depois, aconteciam assembléias gerais de todos os professores de todas as equipes. A proposta de avaliação do Ciclo Básico também era nova, democrática, porque era feita de forma interdisciplinar. Cinco professores eram responsáveis por uma classe. Havia incentivo à participação da vida da universidade. O Básico decidindo, praticamente influenciava a decisão de todos. Este foi um dos motivos, no meu modo de ver, para que a luta pelo fim do Básico tomasse força." Outro motivo, segundo Madalena, foi "a existência da visão de que o aluno tinha que ser formado para o mercado desde o primeiro ano. E o Básico tinha disciplinas gerais, humanistas. Seu objetivo não era formar profissionais para o mercado e já no primeiro ano."

O movimento docente hoje

Uma pesquisa foi encaminhada a todos os professores da universidade. A pesquisa tinha como objetivo fazer um levantamento da opinião dos professores sobre a real necessidade de fundar uma associação. Com esses dados em mãos e com a adesão de um grande número de professores a APROPUC foi fundada. O primeiro presidente a tomar posse na Associação foi o professor Sérgio Vasconcellos de Luna. "Eu lembro particularmente de três pessoas que foram muito ativas: o professor Casemiro, responsável pela fundação do Ciclo Básico, o Marcos Masetto e eu. Todos os dias nós três nos encontrávamos por alguma razão. Reunimos outras pessoas e criamos uma diretoria provisória de uma associação que então seria criada. Eu entrei em contato com uma pessoa-chave no momento de criação, o Alberto Abib Andery, o padre Abib. O Abib foi uma pessoa muito importante nessa situação porque ele sempre esteve ligado ao movimento operário, via movimento operário, ele tinha uma ligação grande com sindicatos. Tanto que foi através do Abib que nós chegamos à uma pessoa fundamental durante muito tempo na APROPUC, o Mário Carvalho de Jesus, advogado da Frente Nacional do Trabalho. Ele era também uma peça-chave, primeiro porque era uma pessoa adorável, encantadora, fantástica, era um pessoa 'briguenta', batalhadora, um pessoa que não tinha medo, enfrentava as situações mas ao mesmo tempo a tinha ponderação de um advogado. Foi uma figura fundamental. Aprendi muito com o Mário. Tivemos longas discussões de como conduzir certo as coisas."

A primeira conquista dos docentes

Uma da primeiras lutas da APROPUC foi cobrar na Justiça os salários atrasados devidos pela PUC. Mas não podia ser uma ação coletiva e sim com procuração individual. "Tinha que dar procuração para o Mário, para que ele pudesse resolver o problema. Nós éramos cerca de 500 professores na época e eu desencadeei esse processo todo. Mostramos a importância de se fazer aquilo e conseguimos exatamente 101 propostas. Interessante que, na época, algumas respostas que as pessoas me davam eram: 'Não. Temos uma Reitoria em que eu confio'. (da dona Nadir, de quem eu gostava demais). Mas nós tínhamos uma situação concreta dos professores. Muitas pessoas alegaram que não seria justo acionar juridicamente a universidade, porque a frente dela estava uma pessoa que todo mundo respeitava. As 101 pessoas entraram na Justiça. Resultado: saímos com o dinheiro no bolso, vivo, não era cheque. Cada um saia com o dinheiro que a universidade devia, no bolso. No dia seguinte, ninguém foi preso, torturado, então houve uma avalanche de pessoas que agora queriam entrar na Associação." A primeira reunião teve início com a discussão do problema da sede para a APROPUC. O segundo item discutido referia-se à recepção de calouros. Porque os alunos solicitavam a participação da APROPUC numa reunião preparatória de recepção aos calouros. O terceiro item dizia respeito ao registro da Associação. Era preciso arrecadar fundos através de uma campanha junto aos sócios-fundadores. Na segunda reunião, foi decidido os problemas que cabia a Associação resolver, tais como: convênio médico, apuração de responsabilidade quanto a situação financeira da PUC-SP, fontes de financiamentos para a pesquisa, integração universidade/comunidade, papel do professor na reforma universitária, equiparação salarial, número de alunos em sala de aula, hora-aula por contrato, e a posterior divisão de trabalho entre os conselheiros. A primeira diretoria foi eleita por voto secreto no dia 27 de dezembro de 1976.

 

SÓCIOS FUNDADORES DA APROPUC/SP
Sérgio Vasconcellos Luna
Walmir da Silva Gomes
Aloísio Krohling
Sandra M. O. Alves
Betti Raquel Lerner
Lidia Rosemberg Aratangy
Alcir Lenhado
Maria Cecilia de Souza e Silva
Regina Maria O. P. Lopes
Antonio Carlos C. Ronca
Evaldo Sintoni
Dilvo Peruzzo
Dirceu de Mello
José Aladino Battaglia
Ana Claudia Mei Alves
de Oliveira Thompson
Maria de Lourdes Ferreira
Dorothea Voegeli
Teresinha Bernardo Schettini
Edson Passetti
Dr. Casemiro dos Reis Filho
José J. Queíroz
Dagmar Domingos DeI Nero
Lucia Helena Rangel
Silvia Carlos Pimentel
Ceres de Carvalho Medina
José Alberto Castelo
Ana Maria Leandro
Maria Rosa Duarte de Oliveira
Samira Chalub Jorge Rosa
Giselda Oliveira Bellini
Tereza Maria de Azevedo R S.
Sidnea Tojer
Fátima Regina Pires de Assis
Adilson Antonio P. de Moraes
Edna Maria Severino Peters
Marli Corrales Henriques
Maria Celina Teixeira Vieira
Ezio Okamura
Odette de Godoy Pinheiro
Josildeth Gomes Consorte
Maria Tereza Ama Sadek
Luiz Alfredo K. Galvão
Paulo Edgar Almeida Rezende
Maria de Lourdes Bara Zanotto
Silvia T. M. Lane
Raquel Raichelis
Eunice G. Vieira
Roberto Armando R. deAguiar
Francisco Moreno Corrêa
Vera Lucia Giffoni
Maria Lucia de Almeida MeIo
Vera Lucia Valsecetti de Almeida
Wanda Rosa Borges
Erson Martins de Oliveira
Vera Lucia Vieira
Maria Elci Spaccaquerche
Maria Luisa Guedes
Célia Maria O. Gonçalves
Maria da Graça Marchina
Alipio Marcio Dias Casali
Gilson de Lima Garófalo
Cleide Martins Canhadas
Eneas Martins Canhadas
Oswaldo Hajime Yamamoto
Maria Estela Aoki Cerri
Maria Eliza Mazzilli Pereira
Celia Maria Miraldo ldoeta
Sergio Ozella
Carlos Arthur R. do Nascimento
Cleide Rita S. A. Melchert
Fernando José de Almeida
Nilza Tescarollo
Marcos Antonio Lorieri
Marcos Tarciso Masetto
Sonia Barbosa Camargo lgliori
Alberto Abib Andery
Eliana Hojai Gouveia
Luiz Eduardo W. Wanderley
Maria Stella Pereira
Antonio Jordão Netto
Carolina P. da Rocha Cezar
Sylvia Aranha Ribeiro
João Edenio Reis Valle
Carmen S. Junqueira B. Lima
Helena Pignatari Werner
Nicola Centrone
Sandra Berdini da Costa
Herminio A. Malques Porto
Euclides Marchi
Neusa Maria M. de Gusmão
Maria Alice Travaglia Sestini
José Rosemberg

 


O PRIMEIRO DOCUMENTO

Transcrevemos abaixo e texto da circular que serviu como consulta a todos os professores da PUC e levantou a opinião dos docentes sobre uma possível associação.

"Sr. Professor",

Alguns professores desta universidade estão sentindo necessidade de se organizarem numa associação de professores da PUC-SP que discuta e encaminhe situações-problemas das mais diversas ordens que nos afetam como professores.

Para isso vimos consultá-lo:
1) Acha você que vale a pena fundarmos esta associação?
2) Você gostaria de fazer parte?
3) Que problemas você colocaria como prioritários?

Sua resposta poderá ser encaminhada para qualquer destes professores:
Lauro Camargo Fabretti (FEA)
Franco Montoro (Direito)
Sílvia Pimentel (Direito)
Eliseu Cintra (Filosofia)
Ana Maria M. Cintra (Português)
Maria do Carmo Guedes (Psicologia)
Antônio J. Neto (Ciências Sociais e Serviço Social)
Edgar de Assis Carvalho (Antropologia)
Célia C. L. Cursino (Matemática)
Carmem Junqueira (Pós)
Lucrécia D. Ferrara (Pós)
Sérgio Luna (Pós)
Antonio Joaquim Serverino (Educação)
Maria C. Bártollo (Ciclo Básico)
Marcos T. Masetto (Ciclo Básico)
Suzana Medeiros (Serviço Social)
José Rosemberg (CCBM)

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