História da APROPUC
Texto publicado na Revista PUCViva número 01, setembro de 1996
A esmagadora maioria decidiu criar a Associação
O País vivia uma política autoritária onde a sociedade não podia se expressar através de grupos ou associações. Foi justamente nessa época que os professores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo resolveram criar a APROPUC. No dia 25 de setembro de 1976, com ampla participação dos professores, foi fundada a Associação.
Unidos na criação da APROPUC
A prática democrática dos professores adquirida no movimento estudantil foi levada para a sala de aula. Esta contribuição foi deixada pelo Ciclo Básico, tanto para a universidade como para a entidade, no entanto ele não existe mais, lembra a professora Madalena. "A APROPUC teve uma marca forte dos professores do Básico", diz ela. Mas ressalva, "ele foi importante para todos nós, mas não foi predominante na história da entidade porque o Básico foi extinto e a Associação continuou forte, participando das lutas pela democratização da universidade e pelos interesses dos professores." Madalena resume o funcionamento do Ciclo Básico. "Havia uma estrutura democrática, as decisões eram tomadas em equipe, cada equipe tinha sua coordenação. Depois, aconteciam assembléias gerais de todos os professores de todas as equipes. A proposta de avaliação do Ciclo Básico também era nova, democrática, porque era feita de forma interdisciplinar. Cinco professores eram responsáveis por uma classe. Havia incentivo à participação da vida da universidade. O Básico decidindo, praticamente influenciava a decisão de todos. Este foi um dos motivos, no meu modo de ver, para que a luta pelo fim do Básico tomasse força." Outro motivo, segundo Madalena, foi "a existência da visão de que o aluno tinha que ser formado para o mercado desde o primeiro ano. E o Básico tinha disciplinas gerais, humanistas. Seu objetivo não era formar profissionais para o mercado e já no primeiro ano."
O movimento docente hoje
Uma pesquisa foi encaminhada a todos os professores da universidade. A pesquisa tinha como objetivo fazer um levantamento da opinião dos professores sobre a real necessidade de fundar uma associação. Com esses dados em mãos e com a adesão de um grande número de professores a APROPUC foi fundada. O primeiro presidente a tomar posse na Associação foi o professor Sérgio Vasconcellos de Luna. "Eu lembro particularmente de três pessoas que foram muito ativas: o professor Casemiro, responsável pela fundação do Ciclo Básico, o Marcos Masetto e eu. Todos os dias nós três nos encontrávamos por alguma razão. Reunimos outras pessoas e criamos uma diretoria provisória de uma associação que então seria criada. Eu entrei em contato com uma pessoa-chave no momento de criação, o Alberto Abib Andery, o padre Abib. O Abib foi uma pessoa muito importante nessa situação porque ele sempre esteve ligado ao movimento operário, via movimento operário, ele tinha uma ligação grande com sindicatos. Tanto que foi através do Abib que nós chegamos à uma pessoa fundamental durante muito tempo na APROPUC, o Mário Carvalho de Jesus, advogado da Frente Nacional do Trabalho. Ele era também uma peça-chave, primeiro porque era uma pessoa adorável, encantadora, fantástica, era um pessoa 'briguenta', batalhadora, um pessoa que não tinha medo, enfrentava as situações mas ao mesmo tempo a tinha ponderação de um advogado. Foi uma figura fundamental. Aprendi muito com o Mário. Tivemos longas discussões de como conduzir certo as coisas."
A primeira conquista dos docentes
Uma da primeiras lutas da APROPUC foi cobrar na Justiça os salários atrasados devidos pela PUC. Mas não podia ser uma ação coletiva e sim com procuração individual. "Tinha que dar procuração para o Mário, para que ele pudesse resolver o problema. Nós éramos cerca de 500 professores na época e eu desencadeei esse processo todo. Mostramos a importância de se fazer aquilo e conseguimos exatamente 101 propostas. Interessante que, na época, algumas respostas que as pessoas me davam eram: 'Não. Temos uma Reitoria em que eu confio'. (da dona Nadir, de quem eu gostava demais). Mas nós tínhamos uma situação concreta dos professores. Muitas pessoas alegaram que não seria justo acionar juridicamente a universidade, porque a frente dela estava uma pessoa que todo mundo respeitava. As 101 pessoas entraram na Justiça. Resultado: saímos com o dinheiro no bolso, vivo, não era cheque. Cada um saia com o dinheiro que a universidade devia, no bolso. No dia seguinte, ninguém foi preso, torturado, então houve uma avalanche de pessoas que agora queriam entrar na Associação." A primeira reunião teve início com a discussão do problema da sede para a APROPUC. O segundo item discutido referia-se à recepção de calouros. Porque os alunos solicitavam a participação da APROPUC numa reunião preparatória de recepção aos calouros. O terceiro item dizia respeito ao registro da Associação. Era preciso arrecadar fundos através de uma campanha junto aos sócios-fundadores. Na segunda reunião, foi decidido os problemas que cabia a Associação resolver, tais como: convênio médico, apuração de responsabilidade quanto a situação financeira da PUC-SP, fontes de financiamentos para a pesquisa, integração universidade/comunidade, papel do professor na reforma universitária, equiparação salarial, número de alunos em sala de aula, hora-aula por contrato, e a posterior divisão de trabalho entre os conselheiros. A primeira diretoria foi eleita por voto secreto no dia 27 de dezembro de 1976.
| SÓCIOS FUNDADORES DA APROPUC/SP | |||
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Sérgio Vasconcellos Luna
Walmir da Silva Gomes Aloísio Krohling Sandra M. O. Alves Betti Raquel Lerner Lidia Rosemberg Aratangy Alcir Lenhado Maria Cecilia de Souza e Silva Regina Maria O. P. Lopes Antonio Carlos C. Ronca Evaldo Sintoni Dilvo Peruzzo Dirceu de Mello José Aladino Battaglia Ana Claudia Mei Alves de Oliveira Thompson Maria de Lourdes Ferreira Dorothea Voegeli Teresinha Bernardo Schettini Edson Passetti Dr. Casemiro dos Reis Filho José J. Queíroz Dagmar Domingos DeI Nero Lucia Helena Rangel Silvia Carlos Pimentel Ceres de Carvalho Medina José Alberto Castelo Ana Maria Leandro Maria Rosa Duarte de Oliveira Samira Chalub Jorge Rosa Giselda Oliveira Bellini Tereza Maria de Azevedo R S. Sidnea Tojer Fátima Regina Pires de Assis Adilson Antonio P. de Moraes Edna Maria Severino Peters Marli Corrales Henriques Maria Celina Teixeira Vieira Ezio Okamura Odette de Godoy Pinheiro Josildeth Gomes Consorte Maria Tereza Ama Sadek Luiz Alfredo K. Galvão Paulo Edgar Almeida Rezende Maria de Lourdes Bara Zanotto Silvia T. M. Lane |
Raquel Raichelis
Eunice G. Vieira Roberto Armando R. deAguiar Francisco Moreno Corrêa Vera Lucia Giffoni Maria Lucia de Almeida MeIo Vera Lucia Valsecetti de Almeida Wanda Rosa Borges Erson Martins de Oliveira Vera Lucia Vieira Maria Elci Spaccaquerche Maria Luisa Guedes Célia Maria O. Gonçalves Maria da Graça Marchina Alipio Marcio Dias Casali Gilson de Lima Garófalo Cleide Martins Canhadas Eneas Martins Canhadas Oswaldo Hajime Yamamoto Maria Estela Aoki Cerri Maria Eliza Mazzilli Pereira Celia Maria Miraldo ldoeta Sergio Ozella Carlos Arthur R. do Nascimento Cleide Rita S. A. Melchert Fernando José de Almeida Nilza Tescarollo Marcos Antonio Lorieri Marcos Tarciso Masetto Sonia Barbosa Camargo lgliori Alberto Abib Andery Eliana Hojai Gouveia Luiz Eduardo W. Wanderley Maria Stella Pereira Antonio Jordão Netto Carolina P. da Rocha Cezar Sylvia Aranha Ribeiro João Edenio Reis Valle Carmen S. Junqueira B. Lima Helena Pignatari Werner Nicola Centrone Sandra Berdini da Costa Herminio A. Malques Porto Euclides Marchi Neusa Maria M. de Gusmão Maria Alice Travaglia Sestini José Rosemberg |
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O PRIMEIRO DOCUMENTO
Transcrevemos abaixo e texto da circular que serviu como consulta a todos os professores da PUC e levantou a opinião dos docentes sobre uma possível associação.
"Sr. Professor",
Alguns professores desta universidade estão sentindo necessidade de se organizarem numa associação de professores da PUC-SP que discuta e encaminhe situações-problemas das mais diversas ordens que nos afetam como professores.
Para isso vimos consultá-lo:
1) Acha você que vale a pena fundarmos esta associação?
2) Você gostaria de fazer parte?
3) Que problemas você colocaria como prioritários?
Sua resposta poderá ser encaminhada para qualquer destes professores:
Lauro Camargo Fabretti (FEA)
Franco Montoro (Direito)
Sílvia Pimentel (Direito)
Eliseu Cintra (Filosofia)
Ana Maria M. Cintra (Português)
Maria do Carmo Guedes (Psicologia)
Antônio J. Neto (Ciências Sociais e Serviço Social)
Edgar de Assis Carvalho (Antropologia)
Célia C. L. Cursino (Matemática)
Carmem Junqueira (Pós)
Lucrécia D. Ferrara (Pós)
Sérgio Luna (Pós)
Antonio Joaquim Serverino (Educação)
Maria C. Bártollo (Ciclo Básico)
Marcos T. Masetto (Ciclo Básico)
Suzana Medeiros (Serviço Social)
José Rosemberg (CCBM)
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