Riverside Canticle (chapter 9)
APROPUC-SP
26.12.11
Naquela tarde dourada de outono, sabes?, eu te comi...
Era dia do Senhor, o primeiro da Criação, quando houve a luz.
Ao voltear de tuas claras pupilas,
entre as coisas e gentes em que pousavas teu olhar,
lá estava o meu, à espera, à espreita,
mendigo, caçador.
De soslaio, ou em afoito mergulho entre nossas retinas,
ou quando todos os machos por lá
mirávamos a ti, desatenta, eu te sorvia.
Da janela, ao fundo, grandes águas fluindo, fluindo.
Em ousado silêncio entre nós,
ou no papinho aleatório com os demais,
a cada palavra tua a flutuar,
sem que indagasses, eu co respondia,
pressuroso, saciado e ainda querendo.
Brunch-with-jazz. "Pedi uma bossa-nova pensando em ti".
"Qual música?" "Bonita", murmurei.
O trio não conhecia, mas mandou Dindi. OK.
O sorriso teu, de lábios e dentes indizíveis,
exibia um apetite que alimentava o meu.
Achavas tudo ótimo e, assim, também eu.
Vez ou outra, me vi de mãos postas,
em êxtase, a contemplar-te.
"Quando chegarmos aí, eu queria andar de bicicleta..."
Pois pedalamos no parque ladeado por prédios art déco.
"Mira, no hands!", me exibia, bilíngue.
Eu, boy again, voei a teu lado em fácil equilíbrio.
Teus cachos ao vento douravam os strawberry fields,
Alice e o coelho, museus e templos, alamedas e lagos.
A cada passo ou parada, exalando fluidos e hálitos
- emanações da superfície e profundeza,
das saliências e vales de tua sinuosa topografia -
a ti, perfumosa, eu aspirava.
(Naquela) Tarde te re conheci,
beleza tão nova e tão antiga,
fonte e foz do riomar de formosuras:
algumas, como tu, distingo;
incontáveis outras ora afloram, ora imergem no caudal.
Iluminaram-me partículas de tua cintilação:
bastou a nós, outono e primavera,
estar ali-e-então, simples, entregues.
Encarei o medo. Muitas graças.
Nasceu a Lua, quarto minguante.
Breve abraço de adeus, duas pontadas no peito.
Esse domingo orvalha meu hoje.
Ainda sinto teu gosto
Gauche
Era dia do Senhor, o primeiro da Criação, quando houve a luz.
Ao voltear de tuas claras pupilas,
entre as coisas e gentes em que pousavas teu olhar,
lá estava o meu, à espera, à espreita,
mendigo, caçador.
De soslaio, ou em afoito mergulho entre nossas retinas,
ou quando todos os machos por lá
mirávamos a ti, desatenta, eu te sorvia.
Da janela, ao fundo, grandes águas fluindo, fluindo.
Em ousado silêncio entre nós,
ou no papinho aleatório com os demais,
a cada palavra tua a flutuar,
sem que indagasses, eu co respondia,
pressuroso, saciado e ainda querendo.
Brunch-with-jazz. "Pedi uma bossa-nova pensando em ti".
"Qual música?" "Bonita", murmurei.
O trio não conhecia, mas mandou Dindi. OK.
O sorriso teu, de lábios e dentes indizíveis,
exibia um apetite que alimentava o meu.
Achavas tudo ótimo e, assim, também eu.
Vez ou outra, me vi de mãos postas,
em êxtase, a contemplar-te.
"Quando chegarmos aí, eu queria andar de bicicleta..."
Pois pedalamos no parque ladeado por prédios art déco.
"Mira, no hands!", me exibia, bilíngue.
Eu, boy again, voei a teu lado em fácil equilíbrio.
Teus cachos ao vento douravam os strawberry fields,
Alice e o coelho, museus e templos, alamedas e lagos.
A cada passo ou parada, exalando fluidos e hálitos
- emanações da superfície e profundeza,
das saliências e vales de tua sinuosa topografia -
a ti, perfumosa, eu aspirava.
(Naquela) Tarde te re conheci,
beleza tão nova e tão antiga,
fonte e foz do riomar de formosuras:
algumas, como tu, distingo;
incontáveis outras ora afloram, ora imergem no caudal.
Iluminaram-me partículas de tua cintilação:
bastou a nós, outono e primavera,
estar ali-e-então, simples, entregues.
Encarei o medo. Muitas graças.
Nasceu a Lua, quarto minguante.
Breve abraço de adeus, duas pontadas no peito.
Esse domingo orvalha meu hoje.
Ainda sinto teu gosto
Gauche
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