O avesso da vida na perspectiva da Fundação São Paulo
Ellen Araújo
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A distância que a Fundação São Paulo mantém dos alunos, professores e demais funcionários da PUC-SP é de conhecimento de todos da nossa comunidade acadêmica. Mas poucos realmente sabem o que se passa no interior do edifício, na Rua João Ramalho. Acompanhei uma amiga até o departamento de Recursos Humanos, ontem (28/11) e hoje (29/11). Ela trabalhou durante 16 anos para nossa universidade, ou seja, uma vida. Por motivos de saúde (tudo devidamente documentado) ficou afastada de 21/09 a 27/11 do corrente ano. Ao retornar, solicitaram que assinasse suas férias. Porém, no dia seguinte, recebeu a carta de demissão.
Talvez você, que lê este artigo, já tenha tido o prazer de ser atendido, na biblioteca, pela Ângela Brito. Uma funcionária sempre simpática e muito competente. Foi assim que ela conquistou a minha amizade e de tantos outros estudantes e funcionários; a admiramos como profissional e principalmente como ser humano. Diante do ocorrido, não vamos fechar os olhos e fingir que não vimos. Não vamos concordar com mais uma atitude arbitrária da Fundação. Porque não queremos ser cúmplices de uma política que descarta pessoas como embalagens. Desta vez, quebraremos o silêncio.
"Minha saúde começou a se deteriorar na universidade. A chefia não queria esse tipo de bom relacionamento com o aluno. Iniciei tratamento, sem prejudicar minhas funções. Eles sabiam que eu estava doente, e que ainda estou. Sinto-me arrasada. É como se 16 anos não significassem nada".
Há dois anos, Ângela precisou ser afastada, então veio a primeira tentativa de demiti-la. Ao entregar o atestado em mãos para o Reitor Dirceu de Mello, ele próprio fez questão de tranquilizá-la e assegurar sua permanência. A agora ex-funcionária, ainda em estado de choque pela abrupta ruptura e segurando as lágrimas, desabafa: "Quem vai querer uma pessoa na minha idade, com o meu estado de saúde? A gente não espera uma mudança dessas de 360º na vida da noite para o dia. Minha maior preocupação no momento é a minha família. Nunca deixei faltar nada em casa, tenho que pagar os estudos do meu filho, isso é sagrado".
Talvez, para a Fundação, trata-se apenas de um funcionário a menos, um caso a mais que deveria passar batido. Mas eles esquecem que, muitos de nós, quando escolhemos nos formar pela PUC-SP, almejamos contribuir para uma sociedade mais justa, um mundo mais humano, portanto, jamais seremos cidadãos passivos.
Ellen Araújo é aluna do 4º semestre de Pedagogia
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