Home >> Fala Comunidade >> Preconceito na PUC-SP

Preconceito na PUC-SP

APROPUC-SP 21.11.11
Na sexta-feira, 11/11, um estudante do curso de Serviço Social chegou à Universidade por volta das 14h30, após encerrar sua jornada laboral, que iniciou às 4h da manhã.  Ele trabalha em um abrigo na Lapa e mora em Francisco Morato, portanto, não tem como voltar para casa antes do período letivo por questão de distância e dinheiro. Utiliza esse período da tarde para estudar e descansar antes de começar suas atividades em sala de aula, por volta das 19h.
Chegando à universidade subiu até o quinto andar, à procura de alguma sala que estivesse vazia, quando encontrou uma funcionária da PUC-SP e perguntou sobre a disponibilidade das salas de aula. Neste momento foi indagado sobre sua situação na Universidade e ele respondeu que era aluno matriculado. Entrou na sala 525, que estava vazia e não ia ter aula, fechou a porta, tirou a camiseta, pois havia acabado de subir a pé da avenida Sumaré, ligou os ventiladores, fechou a porta, apagou a luz e deitou em dois colchonetes que já estavam por lá. Por volta das 17h um segurança da Graber o despertou perguntando seu nome e seu curso. Apesar das respostas, minutos depois, o mesmo retornou fazendo a mesma pergunta e dizendo que foi mandado por outros funcionários. Pela terceira vez ele volta repetindo a pergunta e acrescentou que uma funcionária estava se sentido ameaçada pela sua presença, o que causou indignação ao estudante, pois como poderia ele causar alguma ameaça estando em uma sala com a luz apagada, dormindo, em silêncio absoluto? Porém, o segurança apenas repetia a pergunta: "Qual o seu nome e seu curso?". Complementou que se ele não falasse, iria chamar seus superiores. Voltou à sala acompanhado de mais três seguranças, fazendo a mesma pergunta, o que provocou no nosso estudante um sentimento de coação e intimidação. Os seguranças disseram que o PAC deveria resolver isso e saíram. O estudante também saiu em busca de apoio de seus colegas e professores.
Não é a primeira vez que este estudante passa por esta situação. No semestre passado, chegou à Universidade e foi até a sala 60 onde teria aula. Lá encontrou um grupo de estudantes utilizando o espaço para a realização de um trabalho, que logo saíram da sala e o deixaram sozinho. Para descansar, antes do início de sua aula, deitou no chão e dormiu. Alguém chamou um segurança que argumentou, após depertá-lo usando os pés com pequenos chutes, que estava ali, pois haviam dito que havia um morador de rua dormindo em uma das salas. Diante dos fatos relatados fica explícito o caráter racista e persecutório das ações da segurança comunitária, que deveria proteger os estudantes e não assediá-los.
Constantemente escutamos casos de abordagem de estudantes nos quais fica evidente uma ação dirigida para os estudantes da classe trabalhadora, que sofrem preconceito e repressão por sua condição racial e de classe, que vão desde olhares, inferências, constrangimentos e assédios moral e físico.
Hoje mesmo presenciamos estudantes na prainha, em trajes de banho, sem camisa, consumindo álcool, nadando em uma piscina inflável, que não foram assediados e constrangidos, e muito menos "confundidos" com pessoas em situação de rua. Portanto, o que queremos denunciar aqui é que, independente dos méritos do que foi relatado pelo estudante do nosso curso, notamos que existe uma política de dois pesos e duas medidas na conduta dos funcionários e estudantes da Universidade. E os que sofrem são aqueles que não estão dentro do perfil elitista dos estudantes que podem estudar na PUC-SP por poderem pagar as exorbitantes mensalidades.
O acesso e a permanência no espaço universitário estão restritos a determinadas pessoas, através de catracas invisíveis, que situam aqueles que podem entrar no mesmo, mas que também podem sentir que pertencem a ele.
A PUC-SP está cada vez mais distante do seu histórico político e a realidade que conhecemos não corresponde aos belos e saudosos relatos de sua história de resistência, que morre com professores como Nadir Kfouri, que sempre lutaram para que a Universidade assumisse um papel na sociedade de construção de conhecimento articulada com a questão social.
Nós não nos iludimos e entendemos que a PUC-SP não é um espaço de democracia, de liberdade e de produção de conhecimento direcionada para a classe trabalhadora e os pobres, porém não nos calaremos diante dessas manifestações discriminatórias, racistas e preconceituosas!
Exigimos um amplo e profundo debate sobre o acesso da classe trabalhadora à Universidade, o fim do vestibular (mecanismo de exclusão) e redução das mensalidades.


Alun@s de ServiçoSocial
  Voltar PDF  Versão em PDF E-mail  Encaminhar Imprimir  Imprimir

Publicações

» Revista PUC Viva
loguinho_pucviva_novo
revista_puc_critica_logo
puc_viva_logor
twitter
facebook
youtube
vimeo

tv_apropuc3


Enquete

O que você acha da implementação do ensino à distância na PUC SP?