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Repúdio à ação da PM na USP

APROPUC-SP 18.11.11
No dia 8/11 o campus da USP foi cenário de uma operação de guerra: 400 policiais da tropa de choque apoiados por dois helicópteros foram mobilizados para prender cerca de 150 estudantes que ocupavam a reitoria; 73 deles foram conduzidos ao 93º DP, de onde foram libertados após pagarem fiança. "A tropa foi vencedora. Todos os estudantes foram conduzidos à delegacia, sem que fosse necessário nem um disparo", declarou o secretário de segurança pública Antônio Ferreira Pinto. Daí se depreende que os organizadores do ataque consideraram a hipótese de disparar. Só não aconteceu por não ter sido "necessário".
Sequer à época da ditadura militar viu-se algo semelhante: a autonomia universitária, ou o que ainda restava dela, foi estuprada, atirada ao lixo pela polícia, com a participação ativa do magnífico reitor João Grandino Rodas. Se a USP foi de tal forma aviltada, o caminho está aberto para que qualquer outra universidade se veja, eventualmente, açoitada pela barbárie.
"Os tempos são outros. Não há como comparar a polícia atual com a que agia à época da ditadura. Antes, os estudantes lutavam pela liberdade; agora, são vagabundos que exigem o direito de fumar maconha. Querem autonomia universitária para se colocar acima da lei", argumentam os que apoiam a operação policial, contando com a ampla simpatia de uma mídia reacionária, vulgar, mal informada e falsificadora dos fatos.
A polícia brasileira atual é uma das mais violentas do planeta, segundo dados da ONU. Além disso, a tropa de choque não invadiu a USP para prender "maconheiros", mas sim estudantes que exerciam o seu legítimo direito de ocupar a reitoria, em nome de objetivos políticos (no caso, tratava-se de exigir a retirada da PM do campus, e a eventual formação de uma guarda comunitária mais capacitada a exercer a vigilância).
Finalmente, o exercício da autonomia universitária não se confunde com a administração do campus. "Autonomia" é uma relação que a comunidade universitária estabelece com a sociedade, e pressupõe a liberdade total de crítica, de organização política e de mobilização de seus integrantes, em nome da preservação da memória histórica e social, e de um saber que não pode ser subordinado nem aos ditames de governos nem às exigências do mercado. A ocupação do campus por tropas é a exata negação da crítica e da liberdade. É o fim da universidade enquanto tal.
Ninguém afirmou que a comunidade universitária está acima da lei. Se há consumo de drogas no campus, isso tem que ser enfrentado com os instrumentos adequados. O uso da violência policial, comprovadamente, não é. "A polícia não reprime os grandes traficantes e adere ao truísmo bushiano-religioso de que sem consumo não haveria oferta. Assim, sai atrás dos maconheiros, e não dos traficantes. Um dos maiores traficantes do planeta, Juan Carlos Abadia, fixou residência e operou durante anos em São Paulo, sem ser molestado pela polícia paulista", lembra o jurista Walter Maierovitch. Mas é mais fácil, cômodo e, certamente, seguro prender jovens desarmados do que Juan Carlos Abadia, para não falar dos que de fato controlam as centenas de bilhões de dólares que o tráfico movimenta, em escala planetária.
Diante desses fatos, o Departamento de Jornalismo da PUC-SP se solidariza com a comunidade uspiana, em particular com os estudantes expostos à brutalidade da ação policial. Repudia a invasão da USP pela tropa de choque a pedido do reitor Rodas e se coloca em defesa da mais ampla e irrestrita autonomia universitária. Denuncia e deplora a "cobertura" dos eventos colocada em prática pelos grupos que exercem o monopólio da informação no Brasil, não por acaso os mesmos que, no passado, foram ativos colaboradores da ditadura militar.
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Departamento de Jornalismo da PUC-SP
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