Carta aberta à diretoria da APROPUC
APROPUC-SP
11.11.11
Franklin Goldgrub
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Não é qualquer novidade constatar que, mais uma vez, o PUCviva reincide em veicular informações absolutamente falsas sobre Israel.
Parece que a entidade especializou-se em desconhecer tanto a legislação internacional sobre negociações territoriais como o direito à legítima defesa de um país cuja destruição é preconizada por ditaduras hediondas, responsáveis pela opressão, tortura e massacre do povo árabe/muçulmano. Ditaduras das quais fazem parte o Fatah e o Hamas, responsáveis exclusivos pelos problemas da Cisjordânia e de Gaza.
Israel é, demonstravelmente, o único país do Oriente Médio onde árabes (muçulmanos e cristãos), judeus, baha'is, drusos, beduínos e circassianos gozam de plenos direitos - os mesmos que brilham pela ausência sob a administração do Fatah e do Hamas. Sem falar do restante da região, cujos regimes tirânicos são recordistas em práticas de terror, guerras e massacre de civis.
O modus operandi se repete. As matérias do PUCviva seguem as diretrizes goebbelianas com a intenção de produzir nos leitores o mesmo reflexo condicionado que o célebre experimento de Pavlov visava obter nos cães do laboratório. A palavra Israel é incessantemente associada com "ocupação", "opressão", "apartheid", "colonialismo", "desrespeito aos direitos humanos", exatamente como a campainha era acionada antes da apresentação do alimento.
Mas desta vez há um elemento suplementar. De uma tacada só, os autores da "carta aberta ao Reitor da PUC-SP" mostram a sua propensão à censura - típica das ditaduras de direita -, o desrespeito à autonomia universitária e também sua profunda ojeriza ao debate e à livre expressão de ideias.
Não é pouco em termos de contradição, visto os valores apregoados oficialmente pela APROPUC. Se é esse o conceito que a APROPUC tem de democracia, fica cada vez mais fácil entender porque a entidade conseguiu afastar de si a grande maioria dos professores. Ironia das ironias, o que motivou o protesto, verdadeiro bumerangue que expõe seus autores de forma até cruel, é uma apresentação sobre o sistema jurídico de Israel.
Sistema jurídico é uma expressão que, além de desconhecida pelas ditaduras do Oriente Médio, provoca profundo mal-estar naqueles que abominam a democracia e veneram o estilo de justiça stalinista (a "justiça de classe"). Os condicionadores pavlovianos talvez temam que a proximidade entre "Israel" e "sistema jurídico" atrapalhe o esquema goebbeliano mediante o qual destilam suas calúnias.
Há pouco um blogueiro egípcio, que fez comentários favoráveis a Israel, foi internado pelo novo regime do Cairo em um hospital psiquiátrico. É mais um elo de ligação entre as ditaduras do Oriente Médio e a ditadura soviética do "proletariado", que usou e abusou da internação de dissidentes.
Na última página do mesmo número 803 consta uma chamada para outro "ato" dedicado à demonização do sionismo. De um lado, pretende-se impedir qualquer atividade ligada a Israel, acusada de "propaganda", e de outro, quer-se inocular a "narrativa" própria, sem oposição.
Uma das vacas sagradas da herança stalinista, a "monopolização dos meios de produção", mostra-se a céu aberto, agora no campo intelectual.
Vale como um retrato perfeito da novilíngua orwelliana adotada pelo PUCviva e não somente em relação ao Oriente Médio.
O boicote e o cerceamento do direito à livre expressão foram amplamente utilizados pela Alemanha nazista contra os judeus. Não é por mera coincidência que essa tática sórdida, típica de uma direita autoritária que com o tempo exibiu sua face genocida, tenha sido adotada agora por um tipo de esquerda que traiu todos os seus ideais, aliando-se aos piores regimes do planeta.
Como se não bastasse, a carta invoca em seu apoio universidades sequiosas de petrodólares, maquiando seus motivos para promover o boicote a Israel, bem como uma entidade - a ONU - cujos membros são, em 'esmagadora' maioria (2/3), tiranias e regimes autoritários.
Kadhafi, aliás, o maior financiador da London School of Economics, foi um generoso doador para instituições do gênero. E inclusive patrocinou um prêmio, o prêmio Kadhafi de Direitos Humanos (sic!), que foi entregue a Tayyip Erdogan, Louis Farrakhan, Jean Ziegler, Hugo Chávez e ao próprio Barack Obama, o último agraciado...
A lista é longa, e abriga outros personagens e instituições, todos ligados, obviamente, aos interesses do ex-ditador líbio, cujo oportunismo parece ter feito escola onde menos se esperaria.
Tudo leva a crer que os 'rebeldes' líbios aplicaram ao próprio Kadhafi a respectiva concepção de direitos humanos, linchando-o em vez de julgá-lo em tribunal. A mesma concepção prevalece na repressão do regime sírio contra manifestantes, entre os quais há verdadeiros defensores de direitos humanos e verdadeiros militantes de esquerda. O silêncio atroz da "esquerda" ocidental em relação aos correligionários assassinados revela até onde chega a sua degradação moral. É essa mesma "esquerda" que pretende linchar moralmente Israel...
Assim como a direita alemã dos anos 30 usou a minoria judaica como bode expiatório para seu fracasso militar na primeira guerra mundial, a pseudo esquerda ocidental tem usado Israel para compensar seu retumbante fracasso econômico, político e ético na Europa Oriental e alhures.
Os direitos humanos tão alardeados por essa pseudo esquerda são os direitos humanos versão Kadhafi, direitos humanos que outorgam aos terroristas licença para exterminar não muçulmanos, assim como massacrar minorias muçulmanas e dissidentes.
Sempre a serviço do terrorismo de estado, amplamente difundido no Oriente Médio, e em relação ao qual Israel, estado de direito desde sua fundação, no qual vige a separação de poderes e cujas eleições são de uma honestidade ímpar, constitui a única exceção.
Franklin Goldgrub é professor da FaCHS
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