Eleições da APG: um convite à reflexão
APROPUC-SP
20.08.10
Hoje, 23, começam as eleições para a escolha da coordenação geral, conselhos e colegiados da Associação dos Pós-graduandos da PUC-SP (APG). O processo eleitoral, que vai até o dia 28, será realizado nos campi Monte Alegre e Cogeae (Consolação), de 9h30 às 20h30, de segunda a sexta, e no sábado, de 9h30 às 13h30. Os eleitores devem comparecer ao local da votação munidos de RG ou de qualquer documento de identificação com foto. Em casos especiais, será exigido também o comprovante de matrícula. Concorrem duas chapas: APG Ativa, que tenta a reeleição, e Diversidade em Ação, a primeira chapa de oposição inscrita em um pleito da APG desde 1999.
Essa poderia ser uma informação trivial, mas não é. Ela pede uma reflexão. Há mais de dez anos a direção da APG está nas mãos de um mesmo grupo, que se candidata continuamente, mantendo-se no poder. Quer dizer: não há debate de ideias entre chapas oponentes e, vale a crítica, tampouco há questionamentos por parte dos pós-graduandos quanto a isso. Há mesmo quem desconheça o que vem a ser a APG e sua finalidade. E aqui está o perigo para a democracia na PUC-SP: o silêncio obsequioso e a ausência da crítica produzem estagnação e conformismo, e a situação da APG hoje é exemplar desses aspectos.
A associação, fundada em 3 de dezembro de 1990, representa os pós-graduandos em nível nacional, de forma autônoma. Entre outros aspectos, a sua composição deve contemplar os diversos programas existentes na PUC-SP. Entre suas atribuições estão promover a integração dos estudantes em vários aspectos da vida universitária e manifestar-se sobre assuntos de seus interesses dentro e fora da universidade, reivindicando condições de estudo, de pesquisa e de serviços gerais. Além disso, a direção da entidade deve convocar uma assembleia geral a cada início de semestre para discutir questões de interesse da comunidade, publicar o edital para as eleições a cada dois anos, no mês de maio, e dar publicidade às suas ações e à prestação de contas.
Mas o que acontece atualmente? A hegemonia de um grupo na direção da entidade e uma gestão apática, confinada à rotina da administração da sala de apoio aos pós-graduandos. O site oficial da entidade reflete essa condição: informações caducas e pouco úteis para os usuários. Mais grave ainda: não se tem notícias da prestação de contas da APG, mesmo porque não há convocação da assembleia geral semestral, como rege o Estatuto.
Há de se ressaltar que esse quadro é também um reflexo do processo de mudanças pelo qual a PUC vem passando nos últimos anos. A tendência à adoção de um modelo de mercantilização do ensino de um modo a exercer um maior controle sobre professores e alunos, contradiz o histórico da instituição em sua luta pela liberdade de expressão e pela democracia no país. A PUC-SP é também reconhecida nacionalmente por seu perfil de universidade particular comunitária, congregando estudantes de diversos segmentos sociais, de diferentes regiões brasileiras e de outros países, mas isso gradualmente vem se transformando com os novos rumos da instituição. E o que a APG tem feito para debater essa realidade, refletir sobre ela?
A resposta é o silêncio confortável da perpetuação de um grupo no poder.
O atual processo eleitoral expressa mais um aspecto dessa situação. No final de maio deste ano, um grupo de estudantes procurou informar-se na APG sobre as eleições, obtendo poucas informações. Por coincidência ou não, no mesmo dia surgiu, no mural da associação, um edital convocando a comunidade acadêmica para as eleições e para inscrição de chapas. Detalhe: o prazo encerrava-se naquele mesmo dia. Mesmo assim, conseguimos nos mobilizar e inscrever a chapa Diversidade em Ação, formada por pós-graduandos de diversos programas, tanto na composição da coordenação geral quanto dos conselhos e colegiados.
Provavelmente pela falta de hábito de haver concorrentes no processo eleitoral, o encaminhamento das eleições tem sido marcado pelas constantes alterações no período de votação. Inicialmente concebido para o intervalo entre 15 e 22 de junho, foi mudado, por pressão da Diversidade em Ação, para o mês de agosto (entre os dias 16 e 21), a fim de que houvesse efetivamente uma campanha, com debates públicos e a participação da comunidade acadêmica. Esse período quase foi modificado novamente, de forma unilateral, para 30 de agosto a 4 de setembro, quando, em uma nova reunião em 17 de agosto, chegou-se ao consenso de realizar as eleições no prazo atual: de 23 a 28 de agosto.
Essa "Fala "tem um objetivo: mais do que pedir votos para a Diversidade em Ação, ser um convite a um pensar profundo sobre as práticas acadêmicas na PUC. Por isso, pós-graduando, reflita e vote em Diversidade em Ação.
Chapa Diversidade em Ação
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