Lançamento de livro debate aborto e questão da mulher
A mesa foi composta por Maurílio Castro, autor do livro, Lucia Barroco, orientadora do doutorado, Maria José Rosado, PUC-SP e Católicas pelo direito de decidir, e Rosalina Santa Cruz, do Serviço Social da PUC-SP.
O lançamento era aguardado com muita expectativa, pois na semana passada o grupo Nascer é um Direito, da Associação dos Fundadores enviou uma moção ao cardeal Dom Odilo Scherer denunciando o lançamento do livro.
Com o auditório completamente lotado, Bia Abramides, presidente da APROPUC, abriu as falas. "A APROPUC tem o maior prazer de receber esse debate. Esse é um espaço que sempre defendeu o debate, a pluralidade, a liberdade de expressão e a autonomia que, ultimamente, vem sendo perdida", comentou. "O livro é fundamental para essa discussão", continuou.
Abramides listou todas as entidades e pes- soas que manifestaram apoio ao lançamento do livro. Confira as moções de apoio na página 4.
Depois, Maurílio Castro, o autor do livro, comentou que apesar das polêmicas sempre se sentiu acolhido por essa universidade. "A PUC-SP é marcada pela sua história criítica e democrática", disse.
O livro
O autor explicou que a ideia do livro surgiu quando trabalhava como Assistente Social na saúde pública de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Nesse momento, ele teve um envolvimento visceral com o tema. "Em um município com arrecadação altíssima e péssimas condições de saúde, aquelas mulheres (que realizam aborto) eram tratadas com preconceito. Aquilo me incomodava", contou Maurílio Castro.
Outro momento importante para a realização da pesquisa foi a viagem para Portugal, em 2007, com a bolsa de pesquisa Capes. "Pude acompanhar o processo de implantação da lei que descriminalizou o aborto, depois de um plebiscito nacional. Tudo isso em um contexto de neoliberalismo e perdas na saúde", explicou.
O autor do livro também comentou os principais eixos que a sua pesquisa acadêmica aborda, como o contexto histórico do aborto, e as posições da religião e do Governo Federal para o tema.
Opiniões
A professora Rosalina Santa Cruz abriu sua fala comentando que "a produção acadêmica só aflora na liberdade. É com liberdade de expressão e na expressão das diferenças que o nosso modo de pensar se aprofunda". Santa Cruz também lembrou o começo das discussões sobre aborto no Brasil, nos anos 80. Ela leu panfletos e falou sobre reuniões de mulheres. "Desde àquela época, após muitas reuniões, opiniões diversas e discussão, já pensávamos que quem quer realizar o aborto não pode ser impedido e quem não acredita, não o fará", concluiu.
Já Maria José Rosado ponderou que o aborto é uma questão social e política, mas a decisão de abortar é de foro íntimo. "A decisão de não ter um filho faz parte da liberdade de consciência, princípio da tradição cristã".
Ela argumentou seu ponto de vista com uma colocação de Dom Demetrio Valentino. "A religião que não é capaz de incentivar a consciência de seus seguidores que se retire do campo, pois não pode ser aliada da dominação das consciências dos outros", refletiu Rosado.
Para Lucia Barroco, a questão do aborto coloca em cheque conquistas das mulheres, como a igualdade de gênero e a autonomia feminina. Segundo ela a intolerância se dá quando um grupo se sente atingido e reage atacando, negando a razão, a ciência e conquistas históricas. "Porque valores conservadores negam direitos das mulheres? Porque não atingem as classes dominantes, que realizam abortos em clínicas particulares, sem punição e sequelas. Por outro lado, as mulheres pobres e negras sofrem com preconceito e são criminalizadas e denunciadas. É a quarta causa de morte na saúde e consumindo cerca de 9% dos recursos do setor", concluiu Lucia Barroco.
Voltar
|
Versão em PDF
|
Encaminhar
|
Imprimir
|










